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O ESG é uma forma mais eficiente e responsável de gerir a empresa — com impacto direto na redução de custos, no aumento da produtividade e na sustentabilidade do negócio

A agenda ESG — sigla em inglês para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) — não é um tema restrito às grandes companhias. As pequenas e médias empresas (PMEs) também podem e devem adotar práticas que façam sentido para a sociedade, ao meio ambiente e ao próprio negócio.
Para especialistas ouvidas pelo Seu Dinheiro, o ESG deve ser entendido, antes de tudo, como uma forma mais eficiente e responsável de gerir a empresa, com efeitos diretos sobre a redução de custos, o ganho de produtividade e a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
A resposta é direta: sim. Segundo Vanessa Rinaldi, consultora ESG do Sebrae-SP, a maioria das pequenas e médias empresas não conta com uma área específica para o tema — e isso não impede a adoção de boas práticas.
“É olhar para o próprio negócio e identificar desperdícios, melhorar processos, organizar rotinas, tratar bem os colaboradores e fortalecer a relação com fornecedores e clientes. Muitas dessas práticas já existem no dia a dia do empreendedor, mas não são reconhecidas como ESG”, afirma.
Paula Batich, coordenadora dos cursos de pós-graduação da área ambiental do Senac São Paulo, reforça que o fator decisivo para investir em práticas mais sustentáveis não é o orçamento disponível, mas o comprometimento da liderança.
"Quando o tema passa a orientar escolhas estratégicas e operacionais, ele deixa de ser um ‘projeto paralelo’ e se torna parte da cultura do negócio, mesmo com recursos limitados”, diz.
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Para as PMEs, a principal porta de entrada para o ESG costuma ser a redução de custos. “Menos desperdício de energia, matéria-prima e tempo significa mais eficiência e competitividade”, afirma Rinaldi. Com isso, cai por terra a ideia de que sustentabilidade é sinônimo de aumento de despesas.
Segundo a coordenadora da Senac, algumas iniciativas podem até demandar ajustes ou pequenos investimentos.
Mas, no médio e longo prazo, a tendência é de redução de custos, maior eficiência operacional e diminuição de riscos legais, trabalhistas e reputacionais.
Segundo Rinaldi, não há um caminho único para começar. O ponto de partida deve ser o principal problema do negócio.
“Em algumas empresas, o gargalo está no desperdício de insumos e energia; em outras, na gestão de pessoas ou na falta de organização financeira”, afirma.
A seguir, veja exemplos de práticas ESG de baixo custo, facilmente aplicáveis à rotina das PMEs e com impacto direto na eficiência do negócio:
No pilar ambiental, as ações mais comuns estão ligadas ao uso consciente de recursos e à redução de desperdícios. Monitorar o consumo de água e energia permite identificar excessos e ajustar processos.
Medidas simples, como manutenção preventiva de equipamentos, revisão do uso de iluminação e climatização, controle de vazamentos ou reorganização do fluxo de produção, já reduzem custos operacionais.
Também fazem parte desse pilar a diminuição do retrabalho, o reaproveitamento de materiais sempre que possível e a gestão adequada de resíduos. Separar corretamente o lixo, destinar resíduos para reciclagem e orientar a equipe sobre descarte correto são práticas acessíveis à maioria das PMEs.
Outra frente está nas compras mais conscientes. Priorizar fornecedores locais ou responsáveis, reduzir embalagens desnecessárias e planejar melhor os estoques ajudam a diminuir impactos ambientais e perdas financeiras.
O pilar social envolve a forma como a empresa se relaciona com pessoas — dentro e fora do negócio. Entre as práticas básicas estão o cumprimento das obrigações trabalhistas, o pagamento correto de salários, benefícios e horas extras e a garantia de condições seguras de trabalho.
Cuidar da saúde e da segurança dos colaboradores, oferecer orientações claras sobre funções e expectativas e manter canais abertos de diálogo contribuem para um ambiente mais produtivo e engajado.
Atenção ao clima organizacional, respeito à diversidade e combate a práticas discriminatórias também fazem parte desse pilar, mesmo em empresas de pequeno porte.
Na relação com clientes e fornecedores, práticas como transparência nas informações, clareza nos contratos, cumprimento de prazos e postura ética fortalecem a reputação do negócio.
A atuação responsável junto à comunidade do entorno por meio de parcerias locais, apoio a iniciativas comunitárias ou geração de emprego também integra o pilar social.
A governança é o pilar que sustenta os demais e, ao mesmo tempo, um dos mais negligenciados pelas PMEs. Na prática, ela diz respeito à organização e à clareza na forma como a empresa é administrada.
“A governança costuma ser vista como algo burocrático, ligado a conselhos e políticas formais. Mas, para o pequeno empreendedor, governança é saber quem decide o quê, separar o dinheiro da empresa do pessoal, pagar impostos em dia e cumprir as obrigações trabalhistas”, explica Rinaldi.
Entre as práticas fundamentais estão o controle diário do caixa, o registro correto das entradas e saídas, a separação das finanças pessoais e da empresa e o cumprimento das obrigações fiscais e trabalhistas.
Ter contratos claros com fornecedores, definir responsabilidades entre sócios e documentar decisões importantes também ajudam a reduzir conflitos e riscos.
Segundo Batich, processos básicos de governança garantem a continuidade das ações ambientais e sociais.
“Transparência, ética, organização financeira e definição de responsabilidades criam a base para decisões mais consistentes e para a perenidade do negócio”, afirma.
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