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Faturamento do comércio eletrônico cresceu 429% em dez anos, enquanto participação de empresas do Simples Nacional nas vendas online saltou de 3,6% para 34%

Comprar pela internet já deixou de ser novidade faz tempo. Mas os números mais recentes mostram o tamanho da transformação que aconteceu no e-commerce brasileiro — e como ela abriu espaço também para empresas menores.
Em 2025, o comércio digital brasileiro movimentou R$ 295,6 bilhões, o maior faturamento da história do setor, segundo a Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
O valor é 20% maior que o registrado em 2024. Mas, olhando um pouco mais para trás, dá para ter uma ideia melhor do tamanho dessa mudança: em 2016, o comércio eletrônico faturava R$ 55,9 bilhões. Em dez anos, portanto, houve um salto de 429%.
E não foi só o dinheiro movimentado que cresceu. O e-commerce também ganhou uma fatia maior do varejo. Em 2023, as vendas online correspondiam a 1,8% do varejo físico. Em 2025, essa relação chegou a 6,5%.
Por trás dessa expansão estão mudanças que vão muito além do consumidor simplesmente passar a comprar mais pelo celular. Houve investimento em logística, redução nos prazos de entrega, avanço da tecnologia e, principalmente, uma mudança nos hábitos de consumo que se consolidou durante a pandemia.
E tem outro detalhe que chama atenção de quem acompanha o empreendedorismo: as pequenas empresas estão cada vez mais presentes nesse mercado.
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Não foi um único fator que levou o comércio eletrônico aos R$ 295,6 bilhões. Um dos principais movimentos foi o investimento pesado em hubs de distribuição e infraestrutura logística. Com uma estrutura maior para armazenar e distribuir produtos, ficou mais fácil atender à demanda que crescia no ambiente digital.
Ao mesmo tempo, os prazos de entrega diminuíram drasticamente, mudando bastante a relação do consumidor com a compra online. Isso porque a redução dos prazos tornou esse canal mais competitivo em relação às lojas físicas.
A pandemia acelerou ainda mais essa transformação. Segundo a FecomercioSP, o período provocou uma mudança estrutural no perfil e nos hábitos dos consumidores, que passaram a incorporar o e-commerce de forma mais definitiva ao cotidiano.
Desde então, o setor vem mantendo uma expansão média de aproximadamente 10% ao ano. Em 2025, porém, o ritmo foi maior: o faturamento cresceu 20% em relação ao ano anterior.
A expansão da infraestrutura tecnológica e a entrada contínua de novos participantes também ajudaram a manter o mercado em trajetória de crescimento.
E aqui entra uma mudança importante: os pequenos negócios Se existe um número que mostra como o comércio eletrônico se espalhou entre empresas de diferentes tamanhos, é o avanço das companhias do Simples Nacional.
Em 2016, apenas 3,6% das empresas enquadradas no Simples Nacional vendiam pela internet. Em 2020, esse percentual já havia chegado a 13,5%. Em 2025, alcançou 34%.
O estudo destaca justamente o avanço de empresas que operam 100% online como um dos fatores responsáveis pela expansão do setor.
Para quem empreende, isso significa que o comércio eletrônico passou a fazer parte de um ambiente muito mais amplo. A evolução do mercado não está acontecendo apenas porque grandes empresas vendem mais, mas também porque novos negócios continuam entrando nesse espaço.
Agora, se você olhar para o mapa do comércio eletrônico brasileiro, vai encontrar uma concentração bastante grande. São Paulo é o grande centro das vendas online no país.
Em 2025, empresas instaladas no estado foram responsáveis por 55,8% de todas as vendas online brasileiras, o equivalente a R$ 165 bilhões. A diferença para os demais estados é enorme. Minas Gerais, o segundo colocado, respondeu por 12,9% das vendas, com R$ 37,9 bilhões.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 6,2% e R$ 18,4 bilhões; Espírito Santo, com 5,3% e R$ 15,7 bilhões; e Paraná, com 4,8% e R$ 14 bilhões.
Essa concentração, segundo a FecomercioSP, está relacionada principalmente à infraestrutura logística e à presença de centros de distribuição no território paulista.
Mas há uma curiosidade quando se compara quem vende com quem compra. São Paulo também é o estado que mais consome pela internet, mas sua participação é bem menor: 31,4% das compras, ou R$ 92,9 bilhões. Ou seja, uma parcela significativa dos produtos vendidos por empresas paulistas vai parar em outros estados.
Minas Gerais aparece novamente em segundo lugar entre os consumidores, com 12,8% das compras, equivalente a R$ 37,9 bilhões. Depois vêm Rio de Janeiro, com 9,3% (R$ 27,3 bilhões), Paraná, com 5,9% (R$ 17,5 bilhões), e Bahia, com 5,3% (R$ 15,5 bilhões).
O caso do Rio de Janeiro chama atenção. O estado aparece em terceiro lugar entre os compradores, mas apenas na sexta posição entre os vendedores, com 4,7% das vendas. Segundo o estudo, isso evidencia uma dependência de produtos vindos de outras regiões.
Se você imagina que o e-commerce é dominado por eletrônicos, não está totalmente errado. Os smartphones continuam no topo do ranking de produtos vendidos pela internet. Em 2025, eles movimentaram R$ 10,36 bilhões, o equivalente a 3,5% do faturamento total.
Os livros ficaram em segundo lugar, com R$ 9,58 bilhões em vendas e participação de 3,2%. Na sequência aparecem os complementos alimentares, com R$ 6,66 bilhões; refrigeradores, com R$ 6,38 bilhões; e televisores, com R$ 6,19 bilhões.
O estudo aponta que a ascensão de produtos de menor valor unitário, como os livros, indica também uma maior frequência de compras no ambiente digital. Não é só aquela compra grande e planejada de um eletrônico. O e-commerce também está incorporando produtos que podem entrar com mais frequência na rotina do consumidor.
O crescimento do comércio eletrônico traz oportunidades, mas também coloca algumas mudanças importantes no radar das empresas. Uma delas é a Reforma Tributária aprovada em 2025, que altera a lógica de distribuição da arrecadação sobre o consumo.
O novo modelo muda a cobrança do imposto do local de origem para o local de destino. Em vez de a arrecadação ficar concentrada no estado onde está a empresa que vende o produto, passa a ser considerado o estado onde está o consumidor.
E isso é especialmente relevante para o comércio eletrônico, justamente porque uma empresa pode vender para consumidores espalhados por todo o país.
Pelo levantamento da FecomercioSP, estados como São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Minas Gerais são considerados "vendedores líquidos": vendem mais para fora do que compram de outros estados. Por isso, tendem a perder receita tributária com a mudança.
Do outro lado estão os chamados consumidores líquidos, como Pernambuco e Paraná, que devem ser beneficiados pelo novo fluxo de arrecadação. A mudança então pode redesenhar a distribuição dos recursos entre os estados à medida que o comércio eletrônico continua crescendo.
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