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Pesquisa com 1.300 donos de pequenos negócios mostra que abrir uma conta PJ não basta e só 31% conseguem manter uma separação completa

Separar as contas da empresa das despesas pessoais é um dos primeiros conselhos para quem abre um negócio. Porém, esse ainda é um desafio para a maioria dos pequenos empreendedores brasileiros.
Uma pesquisa da Cora, instituição financeira voltada para pequenas e médias empresas (PMEs), mostra que 69% dos empreendedores ainda misturam, em algum nível, o dinheiro da empresa com o da vida pessoal. O levantamento ouviu 1.300 donos de negócios de todo o país.
O dado chama atenção porque grande parte dessa mistura acontece mesmo entre quem já deu um passo importante: abrir uma conta bancária separada para o negócio. Segundo a pesquisa, 45% dos entrevistados afirmam manter contas diferentes para pessoa física e jurídica, mas admitem transferir recursos entre elas ocasionalmente.
Outros 24% utilizam uma única conta para todas as movimentações financeiras, enquanto apenas 31% dizem manter uma separação completa entre as finanças da empresa e as pessoais.
Para Igor Senra, CEO e cofundador da Cora, os números mostram que abrir uma conta PJ, sozinho, não resolve o problema. Segundo ele, isso “reduz a visibilidade sobre a saúde financeira do negócio e dificulta decisões como definir investimentos, formar reservas ou entender se a empresa realmente está dando lucro”.
Apesar de ser uma prática desaconselhada por especialistas em gestão financeira, a pesquisa mostra que ela parece estar naturalizada entre os pequenos negócios.
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Apenas 18% dos empreendedores apontam a mistura entre recursos pessoais e empresariais como uma das principais preocupações financeiras do dia a dia.
Segundo Senra, é comum que, nos primeiros anos de uma empresa, o empreendedor acabe recorrendo ao próprio dinheiro para manter a operação. O problema, afirma, é quando esse comportamento deixa de ser temporário e passa a fazer parte da rotina do negócio.
"Sem uma separação clara, fica mais difícil entender a real situação financeira da empresa e tomar decisões com base no desempenho do negócio, e não nas finanças pessoais do empreendedor."
A pesquisa também revela que a proximidade entre as finanças pessoais e empresariais aparece nos momentos de dificuldade.
Nos últimos 12 meses, 34% dos empreendedores disseram ter usado dinheiro próprio frequentemente ou sempre para cobrir despesas da empresa. Em contrapartida, apenas 24% afirmaram nunca ter recorrido aos recursos pessoais para manter o negócio funcionando.
Quando surgem imprevistos financeiros, a prática continua sendo comum. Um em cada quatro entrevistados (25%) afirma recorrer ao próprio dinheiro ou buscar apoio financeiro de familiares e sócios para enfrentar despesas inesperadas.
Na avaliação de Senra, embora essa alternativa possa resolver um problema imediato, ela também dificulta enxergar a real capacidade financeira da empresa.
"Quando o patrimônio pessoal passa a funcionar como uma extensão do caixa da empresa, o empreendedor ganha uma solução imediata, mas perde clareza sobre a real capacidade do negócio de se sustentar."
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