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PROGRAMA EMERGENCIAL

Tarifaço dos EUA: empresas prejudicadas podem receber fôlego de R$ 210 milhões (ou mais) da ApexBrasil

O programa da agência de incentivo à exportação oferece recursos para as empresas afetadas diversificarem os mercados compradores; veja como acessar os valores

Montagem representando as tarifas dos EUA contra os produtos brasileiros
Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros - Imagem: Montagem/CanvaPro

Quase um mês depois do anúncio do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos importados brasileiros, muitas empresas exportadoras têm sofrido com os efeitos das tarifas. Porém, essas companhias podem receber uma dose de fôlego graças a um programa emergencial de R$ 210 milhões.

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A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou nesta terça-feira (11) que planeja liberar recursos próprios para as empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço imposto por Donald Trump.

Atualmente, alguns produtos são taxados em 37,5%, que são uma soma de:

  • 25% baseada na Seção 301, por supostas práticas comerciais desleais; e
  • 12,5% relacionada a investigações sobre trabalho forçado.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, explicou que a cifra de R$ 210 milhões será liberada para ao longo de 12 meses, a partir do mês atual, agosto, até julho de 2027.

Porém, na prática, o valor do socorro pode ser ainda maior para as companhias.

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"Reservamos um recurso bastante importante para isso. Se houver uma demanda maior, vamos tratar, vamos avaliar", explicou Müller.

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Os recursos podem ser usados com o quê?

O montante do programa milionário, que começa a operar já nesta semana, será destinado a 5,3 mil empresas de 35 setores diferentes.

O valor pode ser usado pelas companhias para participar de feiras internacionais e eventos, além de ajustar certificações que possibilitem acessar outros países na exportação.

De acordo com Müller, a estratégia é incentivar a conexão entre empresas brasileiras e compradores internacionais em mercados alternativos para que não haja uma dependência do comércio norte-americano.

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Como inscrever a empresa

As inscrições abrirão na quarta-feira (12) diretamente pelo site da ApexBrasil.

Segundo a agência, haverá uma parte exclusiva no site direcionada a esse benefício.

As companhias interessadas devem informar que exportam para os Estados Unidos, indicar o produto que foi afetado pelas tarifas e detalhar o tipo de apoio necessário.

Cada demanda será analisada pela ApexBrasil, bem como a definição dos recursos.

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De acordo com Müller, a ideia da agência é usar a estrutura de inteligência comercial e a rede de parceiros — incluindo 29 entidades setoriais e cerca de dois mil compradores internacionais cadastrados — para encaminhar rapidamente as demandas de cada companhia.

Quais são as oportunidades?

Além do incentivo financeiro, Müller defende que a estratégia da agência é diversificar mercados para as exportações brasileiras, com atenção especial ao avanço recente na Europa.

Entre os focos dessa diversificação estão Canadá e México, na América do Norte, Alemanha e Turquia, na Europa, além de destinos na África, como África do Sul, Nigéria e Etiópia. Na Ásia, a ApexBrasil enxerga oportunidade na Indonésia, Cingapura, Índia e China.

De acordo com o presidente da Apex, a partir do trabalho de inteligência de mercado, a agência mapeia oportunidades, indica os mercados priorizados e inclui aqueles mais afetados por mudanças tarifárias e que, por isso, tendem a abrir janelas para produtos brasileiros.

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Relembre as tarifas de Trump

As tarifas de 25% entraram em vigor no dia 22 de julho e são consequência de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que acusa o Brasil de práticas prejudiciais ao comércio norte-americano.

A investigação durou cerca de um ano e estabeleceu a nova taxa para os produtos brasileiros. Porém, um grupo extenso de itens ficou isento por serem essenciais para a economia norte-americana, como a carne bovina e o suco de laranja.

Além disso, em julho, os Estados Unidos anunciaram outra tarifa de até 12,5% para países investigados por trabalho forçado — e o Brasil está na lista.

A ajuda da ApexBrasil parece surgir em boa hora, principalmente para as companhias de menor porte.

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Em entrevista a uma reportagem especial do Seu Dinheiro, João Alfredo Lopes Nyegray, mestre e doutor em Internacionalização e Estratégia, especialista em Negócios Internacionais e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), explicou que as empresas menores têm uma maior dificuldade a se adaptar às tarifas.

Enquanto grandes empresas conseguiram montar diferentes cenários e investir em planejamento, muitas pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentaram limitações financeiras e estruturais.

Segundo Nyegray, grandes exportadoras costumam contar com assessoria jurídica nos Estados Unidos, equipes de inteligência comercial, capacidade para renegociar contratos e buscar compradores em outros mercados.

Já empresas menores frequentemente dependem de poucos clientes e nem sequer possuem um departamento dedicado ao comércio exterior.

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*Com informações de Estadão Conteúdo

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