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Marcela Castilho estava grávida quando enxergou uma oportunidade no mercado de produtos para bebês, e investiu R$ 900 mil para criar a Booma

Quando Marcela Castilho engravidou da primeira filha, não estava pensando em abrir uma empresa. A preocupação era encontrar cosméticos para o bebê que combinassem segurança, naturalidade e, principalmente, aquilo que ela considerava uma boa formulação.
Nutricionista com mais de dez anos de experiência clínica e especializações em saúde intestinal e processos alérgicos, Castilho, hoje com 34 anos, já tinha o hábito de olhar os rótulos dos alimentos com lupa. Durante a gestação, passou a fazer o mesmo com os cosméticos que entrariam em contato com a filha.
Foi aí que percebeu uma oportunidade de negócio. A inquietação virou a Booma, marca de cosméticos naturais para bebês que foi lançada em novembro de 2022.
Hoje, a empresa tem 16 produtos, uma equipe de 12 pessoas, trabalha com cinco indústrias terceirizadas e faturou R$ 20 milhões em 2025. A meta é chegar em 50 milhões em 2026.
A empresa afirma trabalhar com formulações com mais de 95% de naturalidade e também destaca atributos como cruelty free, certificação eureciclo e fórmulas biodegradáveis.
A ideia da Booma começou com uma busca bastante pessoal. Durante a gravidez, Castilho passou a procurar mais cosméticos naturais para ela mesma, como maquiagem. No último trimestre, porém, começou a pensar também nos produtos que a filha usaria.
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Seria possível encontrar opções mais naturais para o bebê, sem abrir mão de uma boa formulação?
Segundo a empreendedora, não foi fácil encontrar produtos que atendessem ao que ela procurava. “Para adultos já temos marcas fortes que apostam em conceito mais natural. No entanto, no mercado infantil ainda existia uma lacuna muito grande”, diz Castilho em entrevista ao Seu Dinheiro.
Ela chegou a ir aos Estados Unidos para tentar encontrar alternativas e percebeu que, mesmo por lá, não era tão fácil achar uma marca que se destacasse nesse segmento.
Foi quando a inquietação começou a ganhar contornos de negócio. Afinal, se ela tinha aquele problema, outras mães provavelmente também poderiam estar passando pela mesma situação.
Quando Castilho chamou o marido, Vagner Araújo, para cofundar o negócio, ele aceitou com uma condição: a empresa já deveria começar grande.
Os dois colocaram R$ 900 mil de capital próprio no projeto. “A gente decidiu desde o começo levar a sério a construção do negócio e investir o suficiente para ter uma boa estrutura. Não seria uma empresa de 'fundo de quintal'”, diz a empreendedora.
Outra preocupação foi a construção da marca. Castilho não queria seguir aquela estética artesanal e rústica muitas vezes associada aos cosméticos naturais.
“Nosso foco era atender os pais que são mais descolados e valorizam o design do produto também”, diz.
Castilho não tinha formação em química ou farmácia quando decidiu entrar no mercado de cosméticos. Ainda assim, acredita que a experiência como nutricionista ajudou em uma característica que considera fundamental para comandar o negócio: gostar de estudar rótulos e investigar ingredientes.
“Eu buscava muito dentro da alimentação tudo aquilo que tivesse funcionalidade para indicar aos meus pacientes. E eu levei isso para os cosméticos”, afirma.
Foi com essa lógica que ingredientes como óleos de oliva e jojoba entraram no desenvolvimento das fórmulas da Booma, escolhidos pelas propriedades que a empreendedora buscava para os produtos.
Ao mesmo tempo, ela criou uma espécie de lista de ingredientes que não queria nas formulações, incluindo derivados de petróleo, parabenos e liberadores de formol.
“Existem muitos ativos químicos que têm juízos já bem estabelecidos pelos estudos de toxicidade, de alteração de metabolismo hormonal. Então, eu tenho uma lista enorme de coisas que eu não trabalho”, diz.
Essa definição acabou funcionando também como uma regra para a empresa. Castilho procurou uma indústria com a qual já tinha relação profissional e chegou com um briefing técnico bastante detalhado sobre o que poderia — e o que não poderia — entrar nas fórmulas.
A fórmula, porém, não era a única preocupação da Booma. Outro ponto que guiou o desenvolvimento foi a experiência de quem usaria os produtos no dia a dia.
Castilho testou os produtos pensando na rotina de uma mãe. No caso do shampoo, por exemplo, a preocupação não era apenas limpar.
“O shampoo tem que espumar, mas não pode ser muito, porque, se for muito, vai ser difícil tirar no banho. Mas, ao mesmo tempo, ele não pode deixar o bebê escorregando, porque, se escorregar, a gente não quer que o bebê caia”, explica.
A mesma lógica foi aplicada às pomadas para assaduras. Em vez de criar um produto que formasse uma camada branca difícil de retirar, a proposta era desenvolver uma textura que deslizasse e fosse absorvida pela pele.
“A experiência que a mãe tem usando ela é muito distinta. Ela é uma pomada que desliza, ela não faz uma crosta, a pele absorve, então, na hora de limpar, é muito fácil”, afirma.
Foi justamente pelas pomadas que a Booma começou. O lançamento teve apenas dois produtos, depois de aproximadamente um ano de desenvolvimento, pesquisa e testes.
As pomadas são usadas com frequência nos primeiros anos de vida e foram pensadas como uma espécie de porta de entrada para a marca. Durante mais de um ano, elas ficaram sozinhas no portfólio. A ideia era fazer com que o consumidor experimentasse aqueles produtos e, a partir daí, conhecesse os demais lançamentos.
O primeiro lote teve cerca de 5 mil unidades. Hoje, a produção mensal chega a 30 mil produtos.
A fase de desenvolvimento também foi longa. A Booma atua em uma categoria regulada e precisa passar por testes de estabilidade, testes clínicos e pelas etapas de aprovação da Anvisa.
Para produtos que buscam atributos como “hipoalergênico” ou “dermatologicamente testado”, os testes clínicos são realizados com seres humanos e acompanhados por profissionais médicos.
Segundo Castilho, alguns desses testes levam de 60 a 90 dias, enquanto a análise da Anvisa acrescenta meses ao processo.
Em cerca de três anos, a Booma saiu de dois produtos para 15 ou 16 SKUs, dependendo do momento considerado. Hoje, a linha inclui itens como shampoos, condicionadores e protetores solares.
Desde o lançamento, a Booma apostou em marketing de influência. Castilho já tinha construído uma comunidade como microinfluenciadora antes de criar a empresa, além da autoridade profissional conquistada como nutricionista.
Essa audiência pré-existente ajudou a apresentar a marca, mas a estratégia não ficou restrita ao perfil da fundadora. A empresa passou a trabalhar com um número maior de microinfluenciadoras e também investe em tráfego pago.
Outro movimento foi aproximar a marca do público médico. A composição dos produtos chamou a atenção de pediatras e, posteriormente, a empresa passou a disponibilizar materiais técnicos sobre os ativos e suas funcionalidades para esses profissionais.
A empresa nasceu no e-commerce, com entrega para todo o Brasil. Agora, a próxima etapa do crescimento está justamente onde a compra pode acontecer de maneira mais imediata: o varejo físico.
A Booma já está há cerca de um ano na Drogaria Iguatemi e pretende ampliar a presença no canal farmacêutico, começando por grandes redes no estado de São Paulo.
“Cosméticos para bebês muitas vezes entram na rotina por necessidade, e não necessariamente porque o consumidor estava planejando uma compra com antecedência”, diz a empreendedora.
Com isso, a estratégia é estar presente no momento em que os pais mais precisam e podem ir até a farmácia comprar o produto e já levar para casa.
A expansão também inclui pontos próprios e o início do processo de internacionalização a partir de 2027, especialmente para Estados Unidos e Europa, mercados nos quais Castilho vê mais espaço para produtos naturais.
A meta é chegar a um faturamento de R$ 200 milhões em 2028.
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