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CARTEIRA RECOMENDADA

Corte na taxa Selic e guerra no Oriente Médio: como investir em Tesouro Direto e outros títulos de renda fixa em março?

Incerteza global mexeu nas taxas dos títulos públicos e interrompeu os ajustes na precificação dos títulos de renda fixa pela perspectiva de corte nos juros

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Selic - Imagem: Rmcarvalho/iStock - Montagem: Giovanna Figueredo

Março já começou turbulento para os ativos de renda fixa. Enquanto fevereiro foi marcado por baixa oscilação de preços, este mês chegou com a tensão geopolítica na máxima e um sentimento de aversão a risco forte nos mercados globais. O motivo: a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.

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Neste ponto você pode questionar: o que a guerra no Oriente Médio tem a ver com o Tesouro Direto e os títulos de renda fixa aqui no Brasil?

A resposta é o sentimento de incerteza. O mercado de renda fixa é norteado pelo câmbio, juros, inflação e preço de títulos soberanos de outros países — principalmente os Treasurys norte-americanos.

Como ninguém sabe quanto tempo o conflito irá durar, se vai escalar ou afetar outros países, a incerteza aumenta. E esse nível de preocupação global faz os agentes financeiros ajustarem suas expectativas para cenários de futuro mais conservadores: juros mais altos, inflação maior e taxa de câmbio pior.

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Na prática, todo esse vai-e-vem faz preço nas taxas dos títulos do Tesouro Direto.

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Na segunda-feira (9), o Tesouro Prefixado 2032 oferecia 13,94% de juros ao ano — maior nível desde outubro de 2025. Uma semana atrás, a taxa era de 13,23%.

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Esse estresse também foi observado nos títulos atrelados à inflação. O Tesouro IPCA + 2032 viu sua taxa subir para 7,8% ao ano, acima dos 7,5% que se mantiveram quase estáveis ao longo de fevereiro.

A volatilidade na compra e venda dos títulos públicos foi tão alta que a plataforma do Tesouro Direto interrompeu sua negociação ao longo da segunda-feira. Na terça, as taxas já tinham arrefecido um pouco, diante de uma fala de Donald Trump afirmando que a guerra tem data para acabar.

O Tesouro Direto e a guerra

A escalada da guerra no Oriente Médio gera preocupações de toda natureza, visto o risco de um conflito generalizado. Colocando uma lupa especificamente nos temores do mercado financeiro, o mais latente é em relação ao abastecimento mundial do petróleo.

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O preço da commodity disparou de US$ 60 o barril do Brent em fevereiro para US$ 90 em março. E a cotação do petróleo está diretamente ligada ao mercado de combustíveis: a gasolina para o carro, o diesel para o caminhão e até a querosene para o avião e navio.

Muitos países conseguiram controlar a inflação pós-pandemia apenas recentemente — Estados Unidos e Brasil inclusos. O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) cortou seus juros somente no final do ano passado. O Banco Central do Brasil deve fazer um primeiro ajuste na Selic agora, em março.

A disparada nas taxas dos títulos do Tesouro Direto é justamente por esse risco de mudança na trajetória da inflação e dos juros que se desenhava até aqui.

O Itaú BBA, porém, reforça em sua carteira recomendada de março que a estratégia de investimento deve ser focar no futuro, não no susto de cada dia.

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“Mesmo com variações ao longo das últimas semanas, as taxas [do Tesouro Direto] não nos fazem mudar, por ora, a estratégia de alocação”, diz o relatório.

Com isso, a recomendação de Tesouro Direto do Itaú BBA permanece: Tesouro Selic para o curto prazo e liquidez diária, e Tesouro IPCA+ para o médio e longo prazo, devido às taxas reais acima de 7% ao ano.

Tesouro Selic para todos os momentos

Para horizontes de até dois anos, o banco aponta o Tesouro Selic como a melhor alternativa defensiva: “oferece previsibilidade, liquidez e ainda se beneficia de um cenário em que a Selic terminal tende a permanecer alta nos próximos trimestres.”

Com os juros em 15% ao ano e projeção de redução gradual para 12,13% ao ano até dezembro, a estimativa de retorno acumulado em 2026 fica acima de 13,5%, o que “reforça o valor de manter uma parcela do portfólio em caixa remunerado”, diz o relatório do banco.

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Nada de prefixados

A escolha do BBA para prazos médios são os títulos atrelados à inflação. O banco retirou a recomendação para o Tesouro Prefixado no início deste ano. Não porque as taxas não sejam atraentes, mas porque representam um risco maior diante do ambiente incerto.

Prefixados incorporam duas projeções: inflação + juros reais. Ao comprar um título, o investidor fixa a previsão para esses indicadores. Se no vencimento a inflação ou os juros são maiores do que o projetado no momento da compra do título, a rentabilidade com o investimento fica aquém do esperado.

Para o BBA, não vale a pena correr esse risco. Títulos indexados à inflação têm somente uma variável projetável, já que a inflação é sempre corrigida.

Tesouro IPCA+ no médio e no longo prazo

Com quase todas as taxas dos títulos Tesouro IPCA+ acima de 7% ao ano, o BBA vê um prêmio significativo em carregar esses investimentos no médio e longo prazo.

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Em relatório, o banco afirma que o juro real médio do Brasil no futuro deve ficar entre 5,5% e 6%. Isso significa que os títulos do Tesouro Direto indexados à inflação estão pagando entre 1% e 1,5% de prêmio neste momento — com a possibilidade de manter esse retorno por prazos estendidos.

“As taxas hoje disponíveis no mercado — em especial em títulos indexados ao IPCA — continuam oferecendo retornos reais bastante elevados. Em diversos casos, essas taxas implicam retornos esperados substancialmente acima do CDI quando avaliados em horizontes médios e longos, justificando nossa preferência por títulos IPCA+ a partir de cinco anos”, diz o relatório.

Crédito privado: setores resilientes e ativos isentos de IR

O impacto da guerra no crédito privado de empresas é muito baixo — para não dizer nulo, acreditam os bancos. A revisão de preço desses títulos é mais atrelada às condições financeiras das empresas emissoras da dívida.

Mesmo as petroleiras brasileiras estão pouco expostas ao risco de abastecimento mundial. A volatilidade na cotação do petróleo é mais significativa, mas não necessariamente para o mal: o petróleo mais caro pode fazer o caixa ficar mais cheio.

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A Brava Energia e a Prio estão entre as recomendações de debêntures do BTG e do BBA, respectivamente.

No entanto, os destaques de março são Águas do Rio e Construtora Pacaembu, figurando simultaneamente nas carteiras do Itaú BBA e do BTG Pactual.

A recomendação é para as debêntures incentivadas da Águas do Rio, com vencimentos em janeiro de 2034 (RISP14/RIS412) e setembro de 2042 (RIS424). O Itaú BBA ressalta a previsibilidade de receita da empresa devido ao caráter essencial do setor de saneamento. Já o BTG Pactual evidenciou o prêmio atrativo dos ativos e a resiliência da receita vinda de bairros nobres e grandes clientes industriais.

Com relação à Construtora Pacaembu, o ativo escolhido é o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) com vencimento em dezembro de 2032 (25L2398303). As instituições destacam o foco da empresa no programa Minha Casa Minha Vida, que garante ciclos de construção rápidos (média de 18 meses) e alta previsibilidade de receita pelo modelo de financiamento junto à Caixa.

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Ambos os títulos são isentos de imposto de renda (IR), o que reforça a atratividade do investimento. Entretanto, eles não possuem garantia externa, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A garantia depende das condições financeiras do próprio emissor.

E, assim como os títulos do Tesouro Direto, os ativos de crédito privado também passam por marcação a mercado, com variação de preço e taxa diariamente. Saiba mais aqui.

Veja a carteira de renda fixa de cada instituição para março de 2026: 

Itaú BBA 

Título Retorno Vencimento Rating local 
Tesouro Selic 2031 Selic + 0,099% 01/03/2031 – 
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 7,60% 15/08/2032 – 
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,13% 15/08/2040 – 
Debênture Isa Energia (TRPLB4) IPCA + 6,3% 15/10/2038 AAA 
CRA Minerva (CRA0220073P) IPCA + 7,7% 16/07/2029 AAA 
Debênture Águas do Rio 4 (RIS424) IPCA + 7,4% 15/09/2042 AA+ 
Debênture Prio (PEJA12) 11,8%  15/02/2029 AAA 
CRI Brasil Terrenos (25H0243071) 13,6% 16/08/2032 AA+ 
CRA Neomille (CRA025008C1) 13,9% 15/12/2032 AA 
CRI Iguatemi (24F1126524) 96% do CDI 15/06/2032 AAA 
CRA Minerva (CRA025005V5) 98% do CDI 15/07/2030 AAA 
CRI Construtora Pacaembu (25L2398303) 102% do CDI 28/12/2032 AAA 
Retorno indicado pelo Itaú em relatório.  
Fonte: Itaú BBA.  

BTG Pactual 

Título Retorno Vencimento Rating local 
Debênture Águas do Rio (RISP14) ND 15/01/2034 AA+ 
Debênture Águas do Rio (RIS412) ND 15/01/2034 AA+ 
Debênture Enauta (ENAT33) ND 15/06/2034 AA- 
Debênture Intervias (IVIAA0) ND 15/05/2038 AAA 
Debênture MetrôRio (MGPRA0) IPCA + 7,74% 15/03/2042 AAA 
Debênture Rialma Energia (RALM11) IPCA + 7,69% 15/12/2048 AAA 
Debênture Vero (VERO15) 14,72% a.a. 15/07/2032 A+ 
CRA Eldorado (CRA0250080X) IPCA + 8,23% 17/09/2035 AA+ 
CRA 3tentos (CRA025008N8) 102,75% do CDI 15/10/2030 AA 
CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) CDI + 0,60% 22/09/2033 AA 
CRA Eldorado (CRA025007KK) 13,95% a.a. 15/09/2032 AA+ 
CRI Pacaembu (25L2398303) 101,00% do CDI 28/12/2032 AAA 
Fonte: BTG Pactual. Data de referência: 10/03/2026.  

XP Investimentos 

Título  Retorno  Vencimento  Rating local  
Tesouro Selic 2028  Selic + 0,01%  01/03/2028  –  
Tesouro IPCA+ 2028 IPCA + 7,2%  15/08/2032  –  
Tesouro IPCA+ 2035  IPCA + 6,7% 15/05/2035 –  
Tesouro Prefixado 2031  12,6% a.a.  01/01/2031  –  
CDB Banco Original 13,4% a.a. 3 anos BBB+ 
CDB Banco C6 (Juros mensais) 14,0% a.a. 6 anos A+ 
CRI Lavvi (25J3017471)*  96,5% do CDI  15/10/2032  AA 
CRA Minerva (CRA0220073P) IPCA + 7,6% 16/07/2029 AAA 
CRA Jalles Machado (CRA025009Q3)  12,6% a.a. 15/10/2035 AA+ 
CPR‑F Klabin (25H04002165)  IPCA + 6,5% 15/09/2035  AAA  
Debênture Isa Energia (TRPLA7)  IPCA + 6,0%  15/10/2036  AAA  
Retorno indicado pela XP em relatório.  
* Título para investidor qualificado.  
Fonte: XP Research. 

BB Investimentos 

Título Vencimento Rating local 
Debênture Coelba (CEEBB7) 15/11/2033 AAA 
Debênture Celpe (CEPEB7) 15/08/2040 AAA 
Debênture Equatorial (EQMAA2) 15/09/2036 AAA 
Debênture Klabin (KLBNA5) 15/08/2039 AAA 
Debênture Sabesp (SBSPF3) 15/01/2040 AAA 
Fonte: BB Investimentos.

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