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Com os juros ainda elevados, os três principais indexadores da renda fixa seguem oferecendo retornos atrativos. Veja quais títulos XP, BTG, BB-BI e Itaú BBA estão recomendando para agosto

Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desta quarta-feira (5), a taxa Selic caiu 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Enquanto o mercado discute os próximos movimentos do ciclo de juros, o investidor de renda fixa vive um cenário positivo: praticamente todos os indexadores oferecem rentabilidades atrativas.
Dos pós-fixados atrelados ao CDI, passando pelos prefixados e chegando nos indexados à inflação (IPCA+), todas as formas de remuneração continuam pagando taxas altas. Isso não significa, entretanto, que tudo vale a pena.
Nas carteiras recomendadas de agosto, analistas de bancos e corretoras ponderam sobre os diferentes cenários em que cada indexador se sai melhor. Isso porque, o cenário da economia ainda não está claro.
Neste momento, a desaceleração da inflação nos últimos meses e a atividade econômica enfraquecendo movimentam as apostas de que o Copom fará mais cortes na Selic.
Ainda assim, diante da guerra no Oriente Médio e da expectativa de um El Niño forte neste ano, as incertezas continuam no radar e seguram os juros em patamares elevados.
Diante desse cenário, XP, BTG Pactual, Itaú BBA e Banco do Brasil BI divulgaram suas carteiras recomendadas de renda fixa para agosto. Veja onde as casas enxergam as principais oportunidades em cada indexador.
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Os pós-fixados continuam sendo os favoritos das casas para a parcela mais conservadora da carteira, aquela destinada à reserva de emergência e ao dinheiro que precisa de liquidez no curto prazo.
A avaliação dos analistas é que, mesmo com a expectativa de pelo menos mais um corte residual da Selic — para 13,75% ao final do ano —, os juros devem permanecer elevados por um período considerável, garantindo um carrego atrativo para os investidores.
O título público remunera o investidor pela taxa Selic e é uma das formas mais simples de aproveitar os juros elevados sem assumir grandes oscilações de preço.
A XP destaca que o papel é especialmente indicado para reserva de emergência, gestão de caixa ou para investidores que preferem manter liquidez e proteção no curto prazo.
Uma das maiores produtoras agrícolas do país, a SLC combina escala, produtividade e receita, destaca o BTG.
A companhia tem exposição a commodities — um setor altamente volátil —, mas tem histórico sólido de gestão e fundamentos resilientes, segundo o banco.
O CRA escolhido (CRA025007PT) tem vencimento previsto para 2033 e, nesta quinta-feira (6), está oferecendo uma taxa pós-fixada de CDI + 0,85% na plataforma do BTG. A SLC tem rating AA pela S&P Global e pela Moody's Local.
A aposta do Itaú BBA está na incorporadora Pacaembu, focada nas faixas mais baixas do programa Minha Casa Minha Vida, em segmentos atendidos sobretudo pelos recursos do FGTS.
Para o banco, a baixa alavancagem, a elevada liquidez e a demanda aquecida pelos programas habitacionais fazem da empresa um bom investimento.
O CRI selecionado (25L2398303) vence em 2032 e paga 102% do CDI, segundo dado do BBA. O rating da Pacaembu Construtora é AAA pela Moody's Local.
Em sua carta, a XP afirma que os títulos prefixados são recomendados para quem acredita que os juros cairão nos próximos anos. Assim, o investidor trava hoje uma taxa alta e já conhecida até o vencimento.
Entretanto, a recomendação é não alongar essa exposição, concentrando os prefixados em vencimentos de até quatro anos.
A leitura das casas é que os prêmios desses papéis continuam elevados, especialmente nos vencimentos intermediários, permitindo capturar retornos interessantes caso a Selic siga realmente uma trajetória de queda — ainda que lenta.
A XP recomenda o Tesouro Prefixado com vencimento em janeiro de 2029. O papel está oferecendo 14,10% ao ano de taxa na plataforma do Tesouro Direto nesta quinta-feira e tem um vencimento curto, o que reduz parte da volatilidade em comparação com títulos prefixados mais longos.
Entre os títulos bancários, a XP selecionou o CDB do PicPay com vencimento também em 2029 e remuneração próxima de 14,8% ao ano.
A recomendação se apoia no fortalecimento da instituição após o IPO realizado neste ano, no ganho de escala obtido com a integração da carteira do Banco Original e em indicadores de capital considerados confortáveis.
Outro diferencial é que CDBs têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil por CPF, por instituição emissora, considerando o principal e os juros. O rating do PicPay é AA- pela Moody's Local.
O CRI (23K0018801) da Multiplan entrou na lista de selecionados de agosto do Itaú BBA, com uma taxa de 13,88% ao ano, para vencimento em janeiro de 2031. A empresa é uma das maiores operadoras de shopping centers do país e tem rating AAA pela Fitch Ratings.
Em sua carteira, o banco de investimentos destaca a forte geração de caixa da companhia, a elevada qualidade dos ativos do portfólio e a baixa alavancagem financeira.
Além disso, os empreendimentos são voltados para consumidores de maior renda, um público que historicamente apresenta maior resiliência em períodos de desaceleração econômica, como o atual.
Os títulos indexados à inflação continuam sendo os queridinhos dos analistas para horizontes mais longos. Eles continuam oferecendo juros reais elevados, permitindo ao investidor proteger o patrimônio da inflação e ainda obter um rendimento alto.
Segundo as casas, as melhores oportunidades estão nos vencimentos intermediários, onde a relação entre risco e retornoé apontada como mais equilibrada pelos relatórios. A recomendação da XP são vencimentos próximos a seis anos.
A XP recomenda o título público para quem busca proteção contra a inflação sem abrir mão de uma taxa real elevada. Nesta quinta, o Tesouro IPCA+ está oferecendo 8,16% ao ano de juro real na plataforma do Tesouro Direto, um patamar considerado historicamente elevado.
A casa destaca que o preço do título oscila menos do que um prefixado de mesmo prazo, mas lembra que o valor do título flutua conforme mudam as expectativas para as taxas de juros de hoje até o vencimento — a chamada marcação a mercado.
No entanto, essa oscilação só se concretiza (seja valorização ou desvalorização) em caso de resgate antes do vencimento. Se o título for levado até o prazo final, a correção da inflação e a taxa real contratada são pagas integralmente.
A Equatorial Goiás aparece entre as principais apostas do BTG para o segmento de infraestrutura e debêntures incentivadas — que têm isenção de IR para pessoas físicas.
A recomendação se apoia na garantia da holding Equatorial Energia, uma das maiores empresas privadas do setor elétrico brasileiro. O banco destaca ainda o perfil previsível de geração de caixa típico das concessões de energia elétrica.
A debênture incentivada CGOSA2 da Equatorial vence em 2038 e era negociada com a taxa IPCA + 8,04% na plataforma do BTG nesta quinta. A subsidiária Equatorial Goiás tem rating AAA pela S&P Global.
A Eldorado é a escolha do BTG para investidores dispostos a buscar um prêmio de crédito maior dentro do universo de papéis indexados à inflação.
O papel CRA0250080X está pagando IPCA + 8,79%, conforme os dados da plataforma do BTG, com vencimento em 2035.
No relatório, os analistas destacam que a empresa é uma das maiores produtoras de celulose do país e que conta com suporte financeiro da J&F, holding controladora da JBS.
Segundo o banco, a companhia mantém forte geração de caixa, ativos florestais que podem ser convertidos em liquidez e uma posição competitiva em custos de produção, fatores que ajudam a sustentar a tese de investimento mesmo em um setor sujeito à volatilidade dos preços da celulose.
O BTG também recomenda o CRA com vencimento em 2040 (CRA0250080Y), negociado com taxa de IPCA + 8,81% nesta quinta. O rating da Eldorado é AA+ pela Fitch Ratings.
Em sua recomendação de alocação, a XP indica exposição aos três indexadores. Os percentuais, entretanto, mudam conforme o perfil de investidor.
Para um investidor conservador, a casa recomenda a seguinte divisão de portfólio:
Essa distribuição contempla 90% da carteira. Os 10% restantes estão divididos igualmente em fundos multimercados, fundos listados, renda fixa global e ações globais.
"É importante notar que, para a definição da alocação, são levados em consideração fatores não apenas atuais, mas também expectativas para os próximos anos, tendo como base um horizonte de cerca de cinco anos", diz o relatório.
No mais, os analistas afirmam que, mais importante do que escolher entre CDI, prefixado ou IPCA+, é priorizar emissores de qualidade e evitar concentrações excessivas em um único papel ou empresa.
| Título | Retorno | Vencimento | Rating local |
|---|---|---|---|
| CRI Rede D'Or (23L1737622) | IPCA + 7,98% | 15/12/2033 | AAA |
| CRI JHSF (24J2539865) | IPCA + 8,61% | 16/10/2034 | |
| CRI Multiplan | 13,88% | 15/01/2031 | AAA |
| CRI Brasil Terrenos (25H0243071) | 14,90% | 16/08/2032 | AA+ |
| CRI Iguatemi (24F1126524) | 95% do CDI | 15/06/2032 | AAA |
| CRI Construtora Pacaembu (25L2398303) | 102% do CDI | 28/12/2032 | AAA |
| Ativo/Emissor | Retorno | Vencimento | Rating local/ Perspectiva |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2029 | Selic + 0,01% | 01/03/2029 | |
| CDB PicPay | 14,78% | 03/08/2029 | AA-/ Estável |
| CDB Banco C6 Consignado | 14,70% | 21/07/2030 | AA-/ Estável |
| DEB Coelba (CEEBD1) | 13,88% | 15/11/2032 | AAA/ Estável |
| Tesouro Prefixado | 14,13% | 01/01/2029 | - |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,17% | 15/08/2032 | |
| Tesouro IPCA+ 2035 (com juros semestrais) | IPCA + 7,45% | 15/05/2035 | |
| DEB Raposo Castelo (CERT11)* | IPCA + 8,07% | 15/03/2029 | AAA/ Estável |
| DEB Águas do Rio 4 (RIS414)* | IPCA + 11,24% | 15/09/2034 | A/ Negativo |
| DEB Energisa (ENGIB9) | IPCA + 7,87% | 15/09/2033 | AA+/ Estável |
| DEB CPFL (PALFB6)* | IPCA + 7,60% | 15/02/2035 | AAA/ Estável |
| CPR-F Suzano (26D00013405) | IPCA + 7,51% | 17/03/2036 | AAA/ Estável |
| Título | Indexador | Vencimento | Rating Local |
|---|---|---|---|
| DEB Autopista Litoral Sul (PLSB1A) | IPCA + 9,83% | 15/10/2031 | AAA |
| CRA Eldorado (CRA0250080X) | IPCA + 8,79% | 17/09/2035 | AA+ |
| CRA Eldorado (CRA0250080Y) | IPCA + 8,81% | 17/09/2040 | AA+ |
| DEB Equatorial Goiás (CGOSA2)* | IPCA + 8,04% | 15/01/2038 | AAA |
| DEB MetrôRio (MGPRA0) | IPCA + 8,64% | 15/03/2042 | AAA |
| DEB Rialma (RALM11) | IPCA + 8,89% | 15/12/2046 | AAA |
| CRA 3tentos (CRA025008N8) | 104% do CDI | 15/10/2030 | AA |
| CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) | CDI + 0,85% | 22/09/2033 | AA |
| Título | Vencimento | Rating local |
|---|---|---|
| DEB Celpe (CEPEB7) | 15/08/2040 | AAA |
| DEB Equatorial Goiás (CGOSB0) | 15/08/2037 | AA+ |
| DEB Engie (EGIEA6) | 15/02/2038 | AAA |
| DEB MRS (MRSAC2) | 15/09/2039 | AAA |
| DEB Vibra (VBBRA0) | 15/03/2036 | AAA |
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