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Depois de triplicar o patrimônio dos investidores em uma década, título chega ao vencimento no próximo sábado (15); veja se vale reinvestir ou migrar para outros ativos

Se você comprou um Tesouro IPCA+ 2026 há dez anos e deixou o investimento trabalhar, provavelmente já está pensando no que fazer com a bolada que deve pingar na sua conta em breve. Viajar com a família? Trocar o carro? Colocar tudo no Tesouro Selic?
E você está certo em se animar. Pelos cálculos da Inter Invest, o título principal rendeu 255,87% até a primeira semana de agosto, enquanto a versão com juros semestrais rendeu 234,34%.
No próximo sábado (15), esse rendimento todo se converterá em R$ 12,88 bilhões caindo na conta de investidores pessoa física devido ao vencimento do Tesouro IPCA+ 2026.
Quem teve paciência para investir desde o início e conseguiu levar o título até o vencimento a despeito do sobe e desce da marcação a mercado verá o dinheiro mais do que triplicar.
Pelas estimativas do Inter, uma aplicação inicial de R$ 1.000 teria se transformado em cerca de R$ 3.175 ao fim de dez anos, já descontado o imposto de renda de 15% sobre os ganhos. É um retorno muito acima dos juros (CDI) no mesmo período.
O desempenho do CDI na última década foi de 164,2% — entre 90 e 70 pontos percentuais abaixo dos títulos do Tesouro Direto indexados à inflação.
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Essa diferença é resultado da combinação de correção inflacionária com o prêmio de juro real do Tesouro IPCA+, que faz esses títulos se destacarem em horizontes longos, segundo Rafael Winalda, analista de renda fixa do Inter.
Agora, porém, começa uma nova etapa. Onde reinvestir esse dinheiro?
Afinal, mesmo com o planejamento de viagem, carro, casa e outras possibilidades, se não for um desembolso imediato, você ainda terá que pensar no reinvestimento.
Analistas do Inter, da Empiricus e da XP Investimentos batem na mesma tecla: o juro real do Tesouro IPCA+ hoje está nas máximas históricas, pagando mais de 7,5% de prêmio acima da inflação.
Mas, se considerarmos que o Tesouro Selic rende 14% ao ano, num cenário de inflação na faixa de 5%, seu juro real é de 9%, acima das taxas atuais do Tesouro IPCA+.
Por que trocar esse retorno por 8% ou 7,5% mais inflação? À primeira vista, não parece fazer sentido.
Aqui entra a questão do horizonte de investimento.
O primeiro ponto do Tesouro Selic é que ele é um título pós-fixado, que acompanha a taxa básica de juros. Neste momento, agosto de 2026, a expectativa é de uma Selic menor no futuro.
O relatório Focus, do Banco Central, estima os juros em 12% em 2027 e 10,5% em 2028.
Isso significa que o cálculo de 9% do juro real que faz tanto sentido hoje tende a diminuir no futuro. O que diminui também a atratividade de um título pós-fixado para horizontes maiores de tempo.
A taxa Selic está em 14% ao ano hoje. Daqui a um ano projeta-se que estará menor. Daqui a cinco anos, quem sabe? Essa incerteza prejudica uma estratégia mais longa de investimento.
Para os analistas, a oportunidade neste momento é garantir por vários anos juros que raramente aparecem no mercado brasileiro.
O Tesouro Selic não permite isso. Somente o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+.
O Tesouro Prefixado é a escolha da Empiricus para travar os 14% ao ano que o Tesouro Selic não permite. Lais Costa, analista da casa, recomenda a estratégia para horizontes intermediários, de três a quatro anos.
Costa acredita que o Banco Central continuará cortando os juros no médio prazo. Se necessário, ela espera uma pausa nos cortes, mas não um aumento. Por isso, os prefixados fazem sentido.
A taxa de 14% oferecida hoje tende a cair no futuro, o que torna o juro atual um ótimo ponto de entrada.
Mas não vale colocar todo o seu dinheiro em uma só estratégia.
A analista defende uma alocação combinada com papéis IPCA+, com prazos mais longos, acima de cinco anos.
Assim como os prefixados, os títulos indexados à inflação permitem travar a taxa de juros. No entanto, no Tesouro IPCA+, a inflação é sempre corrigida, e o juro real é um prêmio (um valor a mais) — que atualmente está nas máximas históricas.
Isso significa que o poder de compra do patrimônio fica protegido e o investidor ainda recebe uma remuneração adicional. Foi exatamente o que aconteceu com a aplicação no Tesouro IPCA+ 2026 que está vencendo.
O Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2037, o mais próximo de um vencimento em dez anos, estava oferecendo 7,80% de juro real na plataforma do Tesouro Direto na última terça-feira (11).
Considerando a inflação média do Brasil desde os anos 2000, de 5,5%, o retorno bruto anual desse título seria de 13,33% ao ano durante todo o prazo do investimento.
Já o retorno líquido em dez anos, estimado na plataforma do Tesouro Direto, seria de R$ 3.291,67, considerando uma aplicação de R$ 1.000 — muito próxima da rentabilidade estimada pelo Inter para o papel 2026.
Dentro do universo de títulos indexados à inflação ainda existe a possibilidade de ir além dos títulos públicos.
Neste caso, o crédito privado incentivado — que tem isenção de imposto de renda — aparece como uma das principais alternativas recomendadas por XP e Empiricus.
Ambas as casas citam especificamente as debêntures incentivadas ou fundos de debêntures incentivadas.
A tese está centrada em dois argumentos:
O Tesouro IPCA+, do Tesouro Direto, tem cobrança de imposto de renda sobre todo o rendimento, incluindo a correção pela inflação. Com isso, parte do patrimônio se perde e a estratégia do crédito isento ganha força.
Mas, como nem tudo são flores, há uma contrapartida.
Os títulos do Tesouro Direto têm garantia de pagamento pela União, enquanto o crédito privado depende da capacidade de pagamento da empresa emissora. Mesmo as empresas com melhor rating representam um risco maior do que o governo federal.
Vale lembrar, ainda, que debêntures não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como ocorre com os CDBs, LCIs e LCAs.
E aqui, estamos falando de anos de investimentos.
Para minimizar os riscos, XP e Empiricus defendem parcelas pequenas de alocação em crédito para investidores com perfis de moderado a sofisticado.
Em outras palavras, o crédito privado aparece como um complemento da estratégia, não como substituto dos títulos públicos.
Você que segurou o Tesouro IPCA+ 2026 até o final sabe que não foi um caminho linear para triplicar seus investimentos. E no futuro, também haverá percalços.
Seja o Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA+ ou as debêntures incentivadas, esses títulos passam por marcação de preço diária. Isso significa que preço e taxa dos papéis mudam conforme as expectativas para juros, inflação e contas públicas.
Na prática, a marcação a mercado pode fazer o valor do investimento oscilar, indicando prejuízo ou valorização no preço. Mas essa marcação só se concretiza no caso de resgate antecipado do papel. Quem carrega o título até o fim do prazo tem a rentabilidade contratada na compra garantida.
A resposta depende principalmente de quando você pretende usar esse dinheiro.
1. Vai precisar dos recursos nos próximos três a quatro anos?
Então você precisa de liquidez.
Nesse caso, o Tesouro Selic continua sendo uma das opções mais seguras para estacionar parte do patrimônio. A rentabilidade segue elevada e o investidor evita oscilações que podem acontecer em títulos de prazo mais longo.
O segredo, entretanto, está em dividir a alocação. A XP sugere colocar metade do recurso no Tesouro Selic e a outra metade no Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado de vencimento mais curto, justamente para equilibrar segurança e proteção contra a alta dos preços.
2. O objetivo é continuar construindo patrimônio…
Aqui estamos falando de longo prazo, para mais de cinco anos à frente.
Na prática, trata-se de uma escolha para quem está investindo pensando na construção de patrimônio ou projetos que ainda estão a anos de distância.
A recomendação da XP é colocar um pé na estratégia do crédito isento de IR, com títulos de empresas com boa qualidade de crédito e vencimentos intermediários para conseguir melhores retornos. Vencimentos entre cinco e sete anos são os indicados.
Aqui, o Tesouro Selic ainda tem espaço (15%), com crédito isento e Tesouro IPCA+ dividindo espaço.
3. Para quem topa um pouco mais de risco
Se você aceita correr um pouco mais de risco para buscar retornos maiores, o crédito privado pode ganhar mais espaço na estratégia. Entretanto, é importante estar atento a escolha das empresas e qualidade do crédito.
Lembrando-se sempre, a recomendação não é substituir completamente os títulos públicos, mas usar o crédito privado como complemento da carteira — com alocação diversificada e limitada a 40%, segundo a XP.
Quem está pensando na aposentadoria ou guardando dinheiro para o filho que acabou de nascer, essa opção também serve.
Mas, para esses casos, o Tesouro Direto dispõe de títulos específicos, como o Tesouro RendA+ (para aposentadoria) e o Tesouro Educa+ (para o estudo dos filhos). Ambos têm opções específicas de vencimento e uma estratégia de pagamentos mensais que se alinha com os objetivos. (Saiba mais aqui)
Além disso, esses papéis também são indexados à inflação e estão pagando juros reais acima de 7% ou 8%, a depender do prazo.
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