Títulos IPCA+ batem o CDI em agosto e rendem mais de 1% no mês; veja os destaques
Índices de renda fixa ligados à inflação renderam até 1,78% no mês, enquanto títulos do Tesouro IPCA+ chegaram a avançar mais de 3%

Depois de meses em que o CDI, principal referência de retorno para títulos atrelados aos juros, reinou absoluto na renda fixa, agosto mudou de direção: os ativos atrelados à inflação (IPCA+) foram os destaques da classe.
O Tesouro IPCA+ 2040 avançou 3,67%, enquanto o Tesouro IPCA+ 2050 subiu 3,43%, superando em mais de três vezes o retorno do CDI do período, que foi de 1,09%. Mesmo o Tesouro IPCA+ 2032, que teve um desempenho mais humilde, ficou acima dos juros: alta de 1,60%.
Um levantamento da B3 mostrou que os índices de renda fixa com melhor desempenho no mês passado foram justamente os ligados ao IPCA, com retornos entre 1,3% e 1,8%.
O destaque ficou com o B3 Tesouro IPCA Prazo 10 anos (TP10), índice que acompanha títulos públicos indexados à inflação (Tesouro IPCA+) com prazo de dez anos. Ele avançou 1,78% no mês.
- LEIA TAMBÉM: Renda fixa: por que investir em Tesouro IPCA+ 8% se o CDI a 14% ao ano em tese paga mais?
Os números não são diretamente comparáveis porque os índices da B3 reúnem cestas diversificadas de títulos, enquanto os papéis do Tesouro Direto podem oscilar mais individualmente.
Ainda assim, na prática, os dados mostram que os investidores expostos a Tesouro IPCA+, crédito privado e ETFs de renda fixa ligados à inflação tiveram desempenho superior ao da referência mais popular da renda fixa brasileira.
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Os investimentos que lideraram o ranking
Além do TP10, que liderou o mês, outros índices ligados à inflação também apareceram no topo da lista da B3:
- IDAP5, de contratos futuros de IPCA: +1,48%;
- IDIC, de debêntures incentivadas: +1,47%;
- TP02, de Tesouro IPCA até dois anos: +1,35%;
- TP05, de Tesouro IPCA até cinco anos: +1,31%.
Os números mostram que a valorização ocorreu em diferentes segmentos do mercado de renda fixa, tanto em títulos públicos quanto em crédito privado.
O IDAP5, por exemplo, mede o comportamento dos contratos futuros de cupom de inflação negociados na B3, funcionando como um termômetro das expectativas para os juros reais, que são as taxas acima da inflação, o "mais".
Já o IDIC acompanha uma carteira de debêntures incentivadas de maior qualidade de crédito atreladas ao IPCA, reunindo emissores do mercado privado com benefício de isenção de imposto de renda para pessoas físicas.
Os ETFs que acompanharam a alta da inflação
Uma forma simples de acessar esses mercados é por meio dos ETFs de renda fixa listados na bolsa. (Saiba mais aqui)
Entre os produtos que usam os índices como referência estão:
| ETF | Gestora | Índice referência | Retorno do índice em agosto |
|---|---|---|---|
| NB1011 | Nu Asset | TP10 | 1,78% |
| BDAP11 | BB Asset | IDAP5 | 1,48% |
| NB0211 | Nu Asset | TP02 | 1,35% |
| NB0511 | Nu Asset | TP05 | 1,31% |
| MARG11 | BTG Pactual Asset | IDEU | 1,28% |
| LFTX11 | Investo | TSLL | 1,18% |
| NCDI11 | Nu Asset | TSLC | 1,18% |
| LFIX11 | Investo | ILFB | 1,16% |
Embora os ETFs de renda fixa não entreguem exatamente o retorno dos índices devido a taxas e ajustes operacionais, eles tendem a acompanhar de perto o desempenho de seus benchmarks.
Por que os títulos IPCA+ subiram?
O principal motor dos papéis IPCA+ em agosto foi a mudança nas expectativas para os juros.
Ao longo do mês passado, a leitura mais benigna dos dados de inflação reforçou as apostas de que o Banco Central poderá continuar o ciclo de cortes na taxa Selic.
Esse movimento costuma favorecer os títulos prefixados e os indexados ao IPCA, especialmente os de vencimentos mais longos.
Isso porque o mercado começa a reprecificar os títulos de renda fixa exigindo juros menores no futuro. Logo, as taxas oferecidas caem e os preços sobem para equilibrar o retorno.
É o que se chama de marcação a mercado.
Isso não significa que esses investimentos ficaram mais rentáveis permanentemente. Boa parte da alta veio da marcação a mercado, e pode se reverter se as expectativas para juros voltarem a piorar — como estava acontecendo em meses anteriores.
Ainda assim, o desempenho de agosto reforça uma tese que vem sendo dito nos últimos meses: em momentos de queda dos juros reais, os títulos IPCA+ costumam ser os maiores vencedores da renda fixa.
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