Tesouro Direto: como o Tesouro RendA+ com retorno de IPCA+ 7% transforma R$ 1.000 em uma aposentadoria igual ao teto do INSS
Com taxas reais acima da média histórica, a capacidade de rendimento do título público é turbinada no longo prazo. Veja simulações de aporte e ganhos para diferentes idades

O poder do Tesouro IPCA+ pagando perto de 8% de juros acima da inflação tem dominado as conversas sobre renda fixa neste ano. Mas essa oportunidade não está restrita ao título tradicional do Tesouro Direto.
O Tesouro RendA+, papel criado para quem deseja construir uma renda complementar para a aposentadoria, também oferece hoje algumas das maiores taxas desde o seu lançamento.
Estamos falando de juros reais acima de 7% ao ano que podem ser travados por décadas. E, diferentemente do Tesouro IPCA+, que devolve todo o dinheiro de uma vez no vencimento, o Tesouro RendA+ transforma o patrimônio acumulado em uma renda mensal corrigida pela inflação durante 20 anos.
Isso faz com que o título seja especialmente interessante para quem ainda tem vários anos pela frente antes da aposentadoria. Além de proteger o poder de compra do dinheiro, as taxas atuais aumentam significativamente o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
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Para se ter uma ideia, segundo o simulador do Tesouro Direto, um investimento único de R$ 100 mil em um título que paga IPCA+ 7,7% ao ano pode alcançar R$ 324.715,94 em aproximadamente dez anos, em valores brutos.
Em um horizonte de 30 anos, o mesmo investimento chegaria a R$ 3,67 milhões.
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E tem um detalhe importante: essa conta considera apenas uma aplicação única de R$ 100 mil, sem nenhum aporte adicional ao longo do caminho.
O diferencial do Tesouro RendA+
Analistas e gestores costumam destacar os títulos indexados à inflação como investimentos adequados para objetivos de longo prazo.
A combinação entre proteção contra a inflação e uma taxa prefixada de juros tende a ficar mais poderosa conforme o prazo aumenta.
Por isso, em um momento em que vários títulos públicos pagam entre 7% e 8% acima da inflação, muitos especialistas têm defendido essas aplicações para objetivos como comprar uma casa, pagar a educação dos filhos ou complementar a aposentadoria.
No caso da aposentadoria, porém, o Tesouro Direto criou um produto específico para essa finalidade: o Tesouro RendA+.
O funcionamento do título acontece em duas etapas.
- Primeiro é a fase de acumulação. Nela, você pode fazer aportes periódicos em um título com a mesma data de conversão para aumentar gradualmente o patrimônio que será transformado em renda no futuro.
- Depois chega a fase de pagamentos. Quando chega a data de conversão, todo o valor acumulado passa a ser devolvido em parcelas mensais durante 20 anos, sempre corrigidas pela inflação.
Na prática, o título tem duas datas importantes. A primeira é a data de conversão, quando termina o período de acumulação e começa o de pagamento das parcelas mensais; e a segunda é a data de vencimento, quando os pagamentos acabam.
O mecanismo lembra o de planos de previdência oferecidos por bancos e seguradoras. A diferença é que, neste caso, o investimento é feito diretamente em um título público do governo federal.
Atualmente, a plataforma do Tesouro Direto oferece oito datas de conversão em renda: 2030, 2035, 2040, 2045, 2050, 2055, 2060 e 2065.
A ideia é simples: você escolhe o ano em que pretende começar a receber a renda mensal e faz os aportes sempre em títulos daquela mesma data.
Se o objetivo for começar a receber os pagamentos em 2040, por exemplo, você deverá concentrar suas compras no Tesouro RendA+ 2040.
Quando chegar o ano de 2040, todo o patrimônio acumulado será convertido em uma renda mensal paga de janeiro de 2040 até dezembro de 2059.
Transformando juros de 7% acima da inflação em aposentadoria
Agora que você já entendeu a fase de acumulação e a fase de pagamentos, vem a pergunta mais importante: como transformar isso em uma aposentadoria complementar?
Os juros reais acima de 7% ao ano ajudam a acelerar o crescimento do patrimônio durante a fase de acumulação. Mas o que realmente faz diferença é a combinação entre tempo e disciplina nos aportes.
- CONFIRA TAMBÉM: Como irá funcionar o Tesouro RendA+, título público do Tesouro Direto destinado a poupar para a aposentadoria
Isso porque, quanto mais tempo você tiver para investir, menor tende a ser o esforço mensal necessário para alcançar a mesma renda no futuro. Veja alguns exemplos.
O "jovem" de 55 anos que pretende se aposentar aos 65
Imagine uma pessoa de 55 anos que pretende começar a receber uma renda complementar por volta dos 65 anos, idade próxima à da aposentadoria tradicional.
Se o objetivo for receber um valor equivalente ao teto atual do INSS, de R$ 8.475,55 por mês, será necessário construir um patrimônio relevante em um período relativamente curto, de dez anos.
Segundo o simulador do Tesouro Direto, o título mais adequado seria o Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2035.
Sem aporte inicial, como se essa pessoa estivesse começando a investir hoje, seria necessário aplicar aproximadamente R$ 7.918 por mês para buscar uma renda próxima de R$ 8.500 mensais durante os 20 anos de pagamento do benefício.
Estamos falando de cerca de nove anos de contribuições mensais, somando aproximadamente R$ 855 mil em aportes.
Porém, ao longo da fase de pagamentos, a renda recebida totalizaria algo próximo de R$ 2 milhões.
A diferença entre os aportes realizados e o valor distribuído no futuro é resultado do efeito dos juros compostos e da correção pela inflação do Tesouro RendA+ ao longo do período de acumulação.
O "garoto" de 35 anos que pretende se aposentar aos 65
A diferença de 20 anos faz uma enorme diferença nessa conta.
Quem tem 35 anos e pretende começar a receber uma renda equivalente ao teto do INSS aos 65 dispõe de muito mais tempo para acumular patrimônio.
Nesse caso, o simulador do Tesouro Direto sugere o Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2055.
Sem aporte inicial, o investimento necessário para perseguir a mesma renda aproximada de R$ 8.500 por mês cai para meros R$ 1.068 mensais.
Ao longo dos 30 anos de acumulação, os aportes somariam cerca de R$ 384.480, um valor muito inferior ao necessário no exemplo anterior.
A explicação está justamente no tempo adicional para os juros compostos trabalharem. Com três décadas de acumulação, os juros reais acima de 7% ao ano fazem grande parte do esforço de construção do patrimônio.
Em ambos os casos, vale lembrar que a correção pela inflação continua durante a fase de recebimento da renda mensal. Isso significa que os pagamentos tendem a preservar o poder de compra ao longo dos 20 anos do benefício.
O lado B do Tesouro RendA+
Mas nem tudo são flores quando o assunto é investir por décadas.
O Tesouro RendA+ está sujeito à chamada marcação a mercado, mecanismo que faz os preços dos títulos públicos oscilarem diariamente conforme as expectativas para os juros e para a economia.
Na prática, isso significa que tudo o que acontecer na economia do país ao longo do caminho poderá afetar o valor do título na sua carteira.
Hoje, os títulos RendA+ oferecem juros reais próximos de 7% ao ano. No futuro, essas taxas podem cair ou subir. E isso impacta não apenas o preço dos papéis já comprados, mas também as condições dos novos aportes.
Se as taxas recuarem nos próximos anos, por exemplo, será necessário investir mais para construir a mesma renda mensal futura mostrada nas simulações atuais. Se as taxas subirem, o efeito será o oposto.
Por isso, é importante lembrar que as projeções do simulador não representam uma garantia para quem pretende investir aos poucos ao longo dos anos.
A única forma de travar integralmente as taxas de 7% disponíveis hoje seria comprar, de uma só vez, a quantidade necessária de títulos para obter o teto do INSS nessas condições e carregá-los até o início da fase de pagamentos.
Mas essa conta fica bem mais salgada.
Nas condições atuais, o investidor de 55 anos precisaria aplicar aproximadamente R$ 601 mil de uma só vez para comprar 430 títulos do Tesouro RendA+ garantir uma renda próxima de R$ 8.500 mensais a partir de 2035.
Já o investidor de 35 anos precisaria desembolsar cerca de R$ 160 mil para perseguir a mesma renda futura. A diferença é que ele teria de esperar três décadas para começar a receber os pagamentos.
E é justamente essa combinação de tempo e juros compostos que faz do Tesouro RendA+ uma ferramenta poderosa para quem começa a planejar a aposentadoria com antecedência.
A dica é: independentemente do patamar de juros, sempre adquirir a mesma quantidade de títulos por mês até atingir a quantidade necessária para obter a renda desejada.
Ao simular o investimento em Tesouro RendA+ pela primeira vez, o simulador do Tesouro Direto informa quantos títulos você deve adquirir no total e quantos comprar por mês até a data de conversão. Assim você não fica à mercê das taxas de juros.
O importante é apenas ter estômago para resistir à volatilidade e à tentação de mexer nas suas economias antes da data de conversão.
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