Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
SD ENTREVISTA

Quem saiu das debêntures isentas para se refugiar no CDI cometeu um erro, diz gestor da Absolute; entenda

Para Paulo Bokel, é agora que as debêntures incentivadas estão valendo mais a pena; o importante é o investidor entender que crédito privado tem volatilidade

Paulo Bokel, head de crédito na Absolute Investimentos - Imagem: Absolute/ Divulgação

Se você saiu de fundos de crédito incentivados — aqueles que investem em debêntures de infraestrutura com isenção de imposto de renda (IR) — depois dos sustos no começo deste ano, não está sozinho.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Recuperações judiciais, reestruturações de dívida, manchetes negativas e retorno no vermelho fizeram muitos investidores pessoa física migrarem para a renda fixa conservadora: CDBs, Tesouro Selic e fundos de liquidez.

A lógica parecia simples: por que correr risco no crédito se o CDI (ou a Selic) continua pagando tão bem?

Em entrevista ao Seu Dinheiro, Paulo Bokel, head de crédito privado da Absolute Investimentos, afirma que essa conclusão faz sentido, mas é imediatista e não considera o cenário da renda fixa como um todo.

"Não dá para você falar que um produto é bom ou ruim isoladamente, diante de um cenário de estresse. O investidor tem que se perguntar quais outras opções estão na mesa, e as opções não são melhores", afirma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para Bokel, a renda fixa isenta equiparável às debêntures de infraestrutura, que são as LCIs e LCAs, hoje em dia estão escassas e remuneram bem menos que no passado recente.

Leia Também

PARA ONDE IR

Tesouro IPCA+ 2026 paga quase R$ 13 bilhões aos investidores na próxima semana; o que fazer com a bolada?

CONTORNANDO PROBLEMAS

Investidores recorrem a soluções criativas para reaver aplicações em títulos de empresas em recuperação judicial ou extrajudicial

"Um ano atrás você conseguia comprar uma LCA pagando 100%, 99% do CDI. Hoje, com sorte, você encontra uma LCA que paga 80%, 90% do CDI", diz o gestor.

Ele acredita que a pergunta certa seria se as debêntures incentivadas valem mais a pena do que as alternativas de renda fixa que hoje disputam espaço na carteira do investidor, entre isentas e tributadas.

E, na visão de Bokel, as debêntures incentivadas valem mais a pena.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Você saiu pelo motivo certo?

Foram meses de notícias ruins. Liquidação do banco Master e seus correlatos, recuperação extrajudicial de Raízen e Pão de Açúcar, queda de ratings, reavaliações de empresas e por aí vai.

Não foram poucos os episódios que aumentaram a desconfiança do investidor em relação ao crédito privado.

Mas, segundo Bokel, o problema não foram os acontecimentos em si, mas a dificuldade dos investidores de entender por que um produto de renda fixa estava marcando prejuízo.

O gestor afirma que muitos investidores viram as debêntures incentivadas e os fundos de crédito registrarem desempenhos negativos e concluíram que as empresas estavam quebrando.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"A pergunta que se instala no investidor é: 'como uma empresa pode continuar saudável enquanto o preço do título dela cai?'", diz.

A resposta é a marcação a mercado, algo que Bokel acredita que os investidores de renda fixa ainda têm dificuldade em entender.

Títulos de renda fixa têm oscilação de preço e taxa todos os dias. Quando sai uma notícia muito ruim sobre uma empresa, o preço da sua debênture cai — mas isso não significa que ela está quebrando.

É mais ou menos o que acontece com as ações na bolsa de valores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No começo do ano, como teve uma avalanche de notícias ruins, muitas debêntures caíram de preço, o que prejudicou o desempenho dos fundos incentivados também.

Na opinião do gestor da Absolute, não entender esse mecanismo foi o que fez parte dos investidores abandonarem o crédito privado pelo motivo errado: saíram por medo.

Mea culpa

Para o gestor, a própria indústria errou ao ajudar a criar expectativas irreais nos investidores sobre os fundos de crédito, incentivados ou tradicionais.

Segundo Bokel, quando os fundos estavam entregando retornos equivalentes a 120% ou 130% do CDI, poucos gestores se preocuparam em alertar os investidores de que aquele desempenho extraordinário não seria permanente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"O objetivo dos fundos incentivados é pagar CDI mais um prêmio. Mas estamos falando de algo como 107%, 108% do CDI. Se o fundo está dando 120%, em algum momento no futuro ele vai render menos que o CDI", diz ele.

O que aconteceu é que investidores e gestores se acostumaram a enxergar aqueles retornos acima da média. Quando a maré virou e as cotas começaram a oscilar, era tarde demais para tentar explicar.

Agora, os bilhões de reais que saíram dos fundos e das debêntures fizeram os preços dos papéis caírem e as taxas melhorarem. O resultado para quem ficou investido foi que os títulos passaram a oferecer retornos maiores do que antes.

Pode parecer contraintuitivo o investimento ser mais atrativo quando vale menos. Mas, na prática, é quando os títulos remuneram melhor o investidor. Afinal, com o preço mais baixo, o potencial de retorno do ativo é maior.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na euforia — que durou até o começo desse ano —, a demanda por debêntures era tanta que as taxas não estavam pagando adequadamente o risco de crédito. Mas essa relação melhorou.

Quem compra agora encontra uma remuneração melhor do que a disponível no período em que os fundos estavam lotados.

Bokel diz que muitos investidores olharam apenas para a perda momentânea e ignoraram o aumento do retorno esperado dali para frente.

A ressaca conservadora

A oportunidade está aí, mas o gestor não vê intenção dos investidores em aproveitar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com a proximidade das eleições e as discussões sobre a trajetória fiscal brasileira, a sensação da indústria é de compasso de espera.

Segundo ele, grande parte dos investidores prefere permanecer na renda fixa conservadora enquanto aguarda uma definição do cenário político e econômico.

"O cara está confortável no CDI. Ele pensa: 'pô, tem uma eleição daqui a dois meses. Decido o que vou fazer depois'. A sensação que a gente tem é que o pessoal não resgata e também não aplica", diz Bokel.

Mas, enquanto os investidores esperam a próxima onda para se movimentar, o gestor se preocupa com o impacto que isso pode gerar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Seu maior receio hoje não é uma onda generalizada de novos problemas corporativos, mas uma onda de resgate mais intensa por causa da marcação a mercado dos papéis.

Embora haja um marasmo na alocação das debêntures e dos fundos de crédito neste momento, o período eleitoral deve ser intenso na volatilidade de preços.

Do lado corporativo, Bokel afirma que as grandes empresas fizeram o dever de casa e alongaram suas dívidas nos últimos anos. Entre os nomes com grau de investimento (high grade), o gestor não vê motivos para preocupação com renegociação de dívida ou algo do tipo.

Sua preocupação é que o medo do investidor gere mais volatilidade do que os próprios balanços das empresas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Afinal, vale a pena investir em debêntures incentivadas agora?

Para Bokel, a resposta é sim — mas isso está longe de ser um convite para aumentar indiscriminadamente a exposição ao crédito privado.

"Não acho que faz sentido o investidor aumentar a posição. Não é a hora de ter uma posição muito maior do que o teu perfil comportaria", afirma.

Agora, se você é um investidor altamente concentrado em CDI, o gestor acredita que vale considerar uma pequena alocação em debêntures incentivadas, especialmente em estratégias ligadas à inflação (IPCA+).

"Estamos no melhor momento dos isentos dos últimos anos. Estamos falando de 2,30 pontos percentuais de benefício fiscal em relação a um CDB, um título tributado. Para quem não tem posição, é uma ótima alocação", diz.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O gestor não faz distinção entre a debênture em si e os fundos incentivados. Ele acredita que os dois produtos são bons, desde que o investidor não concentre a carteira. No sentido de diversificação, portanto, os fundos apresentam vantagem.

Aqui, é importante lembrar que crédito privado não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A garantia depende das condições financeiras do próprio emissor, por isso Bokel fala das debêntures high grade, consideradas mais seguras do ponto de vista financeiro.

No final, o gestor faz uma última ponderação: "vale a pena, mas apenas se você entendeu que a volatilidade faz parte do produto".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
gráficos e números para indicar crescimento de renda, com mão no centro segurando dinheiro 5 de agosto de 2026 - 19:30
Logo do Tesouro Direto e celular 31 de julho de 2026 - 14:01
nota de 100 reais desmontada no formato de quebra-cabeças 29 de julho de 2026 - 19:32
tesouro direto renda fixa 29 de julho de 2026 - 11:01
Tela de um celular com os dizeres CDB e uma seta indicando crescimento. 27 de julho de 2026 - 13:03
22 de julho de 2026 - 18:41

CRÉDITO PRIVADO

São Martinho e Jalles Machado valem a pena na renda fixa?

22 de julho de 2026 - 18:41
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3). 15 de julho de 2026 - 15:20
elétrica saneamento eletrobras elet3 sabesp sbsp3 oferta de ações 13 de julho de 2026 - 17:47
Tesouro IPCA+ imbatível no longo prazo 11 de julho de 2026 - 11:59
Em um fundo que traz o Palácio do Planalto e a bandeira do Brasil, um homem de camisa clara aparece no centro com a pergunta: Onde está o risco? Do lado esquerdo da imagem, um selo do IPCA+8 8 de julho de 2026 - 17:32
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar