O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
O caso Master mais que provou que o FGC funciona como proteção para o investidor. Agora, os bancos e o Banco Central querem evitar que a garantia substitua a análise de risco

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passou pelo maior teste de sua história às vésperas de completar 30 anos. Dois dias antes da data comemorativa, o Banco Central decretou a liquidação do banco Master — e, por consequência, o maior pagamento de garantia da história do FGC: cerca de R$ 40 bilhões.
Diante do caos, a instituição teve que adiar a comemoração para este ano. Mais precisamente esta quinta-feira (13).
E Daniel, Lima, presidente do FGC, acredita que foi a melhor decisão. Pois, hoje, além de comemorar os 30 anos, o fundo também pode celebrar o sucesso que foi a operação de pagamento de todos os investimentos elegíveis relacionados ao Master.
Se você foi um dos contemplados, seja pelos CDBs do Master, will bank ou outro, pode ter reclamações. Os pagamentos demoraram, teve casos de erro no aplicativo e o trauma é grande.
Mas, do ponto de vista da indústria bancária e do sistema financeiro, não poderia ter sido melhor.
A existência do FGC e o seu compromisso com os pagamentos evitou corridas bancárias, saques em massa e uma crise de confiança generalizada que contaminasse outras instituições financeiras para além da bolha do Master.
Leia Também
Na prática, o episódio virou uma prova concreta de que a rede de proteção criada há 30 anos cumpriu exatamente a função para a qual foi desenhada: salvaguardar o pequeno investidor e evitar que problemas em um banco se transformem em uma crise sistêmica.
"Foi a prova mais contundente do amadurecimento institucional do papel que o FGC representa", disse Cassio von Gal, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) em evento de comemoração aos 30 anos do fundo.
A questão é que o FGC protegeu tão bem os investidores ao longo dos anos que muita gente passou a escolher aplicações olhando apenas para a garantia, sem se preocupar com a qualidade da instituição emissora.
Essa é a avaliação de Rubens Sardenberg, diretor de regulação prudencial, riscos e assuntos econômicos da Febraban.
"Há a impressão de que temos um moral hazard. As pessoas estão aplicando direto no FGC, e não no banco emissor do título, que tem seus riscos", disse Sardenberg.
Em outras palavras: muita gente vê um CDB pagando um retorno acima da média e conclui que o risco é irrelevante porque existe a proteção de até R$ 250 mil por CPF pelo FGC.
E foi exatamente isso que aconteceu com o Master.
Segundo Sardenberg, a liquidação do banco e seus satélites representou um desembolso equivalente a quase 40% das reservas do FGC, mas ainda assim o sistema atravessou o processo sem abalos relevantes.
"Não houve em nenhum momento qualquer risco percebido pelo sistema", afirmou o diretor da Febraban.
Para quem investe em CDBs, LCIs, LCAs e outros produtos cobertos pelo fundo, a conclusão é que quando o risco se materializou, o mecanismo funcionou. E, no futuro, funcionará de novo.
A Febraban avalia essa situação como um problema que precisa de uma resposta. Afinal, a garantia é importante, mas não substitui completamente a avaliação do investimento.
Até porque, o FGC não existe para transformar aplicações arriscadas em aplicações sem risco. O objetivo do fundo é impedir que uma falência bancária destrua as economias do pequeno poupador e provoque instabilidade no sistema financeiro, segundo as palavras do próprio presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também presente no evento.
Ainda que a preocupação da "aplicação no FGC" esteja presente, a democratização de investimentos que o fundo permitiu é vista como mais um mérito.
Tadeu Silva, presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), destacou que o FGC colocou o investidor comum em uma posição que antes era privilégio de quem tinha acesso a análises sofisticadas e grande capacidade de diversificação.
"O pequeno poupador passou a ter, em relação ao risco de crédito bancário, o mesmo grau de proteção que antes só o investidor sofisticado tinha", afirmou no evento.
Para ele, isso justifica porque o fundo é tão valorizado pelo mercado de varejo — que são os investidores pessoa física.
Antes da expansão do FGC, analisar o risco de um banco exigia conhecimento técnico, leitura de balanços e acesso a informações que estavam fora do alcance da maioria das pessoas.
Hoje, o investidor comum consegue aplicar em instituições menores sabendo que existe uma rede de proteção caso algo dê errado.
Para Silva, isso permitiu mais concorrência entre instituições financeiras, ampliou o acesso ao crédito e ajudou a incluir milhões de brasileiros no sistema financeiro.
O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre essa proteção e a responsabilidade do investidor ao fazer suas escolhas.
Do ponto de vista institucional, o Banco Central já se mobilizou para evitar que outro episódio Master aconteça.
Segundo Galípolo, o foco neste momento é evitar que outras instituições utilizem a garantia do FGC como motor de crescimento como o banco Master fez.
Durante o evento, o presidente do BC detalhou as principais medidas que já foram adotadas nos últimos meses.
A primeira foi aumentar a contribuição adicional paga por instituições que dependem excessivamente de recursos captados via investimentos que tem proteção do FGC. Na prática, quanto mais um banco depende desse tipo de captação, mais ele vai ter que contribuir com o fundo — ou seja, tem um custo regulatório.
A segunda medida foi exigir que as instituições muito dependentes dessas captações mantenham parte dos recursos aplicada em títulos públicos. O objetivo é criar uma reserva de liquidez em ativos seguros.
Mas a mudança considerada mais importante pelo próprio Galípolo é a terceira.
O Banco Central passou a olhar com mais atenção para os ativos que os bancos financiam com o dinheiro captado junto aos investidores.
Quando um banco vende um CDB com garantia do FGC, ele pega dinheiro emprestado do investidor. Esse dinheiro depois é usado para conceder crédito ou investir em ativos financeiros.
O problema acontece quando a instituição capta esses recursos, mas direciona o dinheiro para ativos muito mais arriscados ou sem liquidez.
Segundo Galípolo, as novas regras buscam reduzir esse problema. O objetivo é garantir que os ativos financiados sejam compatíveis com a atividade bancária tradicional e tenham qualidade e liquidez adequadas.
"Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores. É por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC numa sucessão de medidas para melhorar o sistema", disse.
Essas medidas já estão valendo, mas o presidente do BC afirmou que as mudanças não devem parar por aí: "a gente vai estar sempre, o tempo todo, tentando analisar de onde pode vir o próximo risco."
CARTEIRA RECOMENDADA
RENDA FIXA
RENDA FIXA
ADEUS, APP
RETORNO DO ARROZ COM FEIJÃO
TÍTULOS PÚBLICOS
RENDA FIXA
MELHOR PROTEÇÃO
REPORTAGEM ESPECIAL
CRÉDITO PRIVADO
NOVA RENDA FIXA
RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
REPORTAGEM ESPECIAL
CRÉDITO PRIVADO
REPORTAGEM ESPECIAL
FINANÇAS PESSOAIS
SIMULAÇÃO
RENDA FIXA
CARTEIRA RECOMENDADA