O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Especialistas divergem sobre o melhor prazo para investir, mas concordam em um ponto: olhar apenas a taxa pode levar o investidor a tomar a decisão errada

O Tesouro IPCA+ que paga 8% de juro real é o investimento em renda fixa mais badalado do momento. Gestores e analistas destacam a oportunidade rara de se travar uma taxa acima da inflação dessa magnitude por vários anos.
Porém, o juro real de 8% está concentrado no título público de vencimento em 2032, o significa apenas seis anos de taxa elevada.
Mas, e o Tesouro IPCA+ 2040 e seus 7,5% de juro real? Ou mesmo o Tesouro IPCA+ 2050 com taxa de 7,3%? Esses títulos também não valem a pena? Ou não faz sentido ficar tanto tempo num investimento para receber um retorno real menor?
A série histórica mostra que as taxas acima de 7,5% de juro real ao ano no Tesouro IPCA+ são raras. Logo, não é só o título 2032 que está oferecendo valores acima da média, mas os mais longos também.
Isso significa que os investidores que estão concentrados nos vencimentos mais curtos estão deixando de lado a oportunidade de travar taxas melhores por mais tempo.
André Leite, CIO da TAG Investimentos, tem como referência a meta atuarial que fundos de previdência usam para determinar a taxa de retorno necessária para cobrir o custo de vida dos aposentados no futuro.
Leia Também
"A maior parte dos planos de previdência tem hoje uma meta atuarial ao redor de IPCA+ 5% ou 6%. Esse é um nível de juro real que resolve a vida de quem quer se aposentar. Ou seja, uma taxa de IPCA+ 7%, ou próximo de 8%, está mais do que bom", diz o diretor de investimentos da gestora.
Se o investidor olha para o Tesouro IPCA+ 2032 e escolhe esse título porque a taxa de 8% é a maior e deixa de lado o Tesouro IPCA+ 2040 porque a taxa de 7,5% é menor, essa não é uma boa escolha, segundo os especialistas consultados pelo Seu Dinheiro.
Embora a taxa do título mais longo seja menor, seu prazo maior permite um efeito mais longo de atuação dos juros. Já quem optou pelo vencimento curto está mais sujeito ao risco de reinvestimento: quando, ao receber o dinheiro de volta, o mercado já não oferece retornos similares ao da antiga aplicação em papéis de risco equivalente.
Imagine o investidor que comprou o título pagando IPCA+ 8,2% ao ano. Se, no vencimento, os papéis de mesmo indexador e prazo estiverem oferecendo apenas IPCA+ 5%, ele não conseguirá manter a alta rentabilidade anterior para os próximos anos.
Já quem aplicou no Tesouro IPCA+ 2040, com taxa de 7,5%, vai preservar um rendimento com taxas maiores por mais tempo.
Para Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, a melhor forma de diminuir o risco de reinvestimento é optando pelos prazos mais longos, desde que isso não entre em confronto com o objetivo do investimento.
"Se estamos falando de uma poupança para um filho que acabou de nascer, ou para a aposentadoria no futuro, a melhor opção é alongar esse prazo por 15, 20 anos. Assim você garante uma taxa melhor e a correção pela inflação", diz o gestor.
Aliás, para esses objetivos o Tesouro Direto dispõe de títulos específicos, como o Tesouro RendA+ (para aposentadoria) e o Tesouro Educa+ (para o estudo dos filhos), que também são indexados à inflação e estão pagando juros reais acima de 7% ou 8%, a depender do prazo.
A grande questão é, enquanto para os investidores o juro real de 8% é uma ótima oportunidade, para a economia é um grande risco.
E, do ponto de vista econômico, uma taxa menor para um investimento de prazo mais longo “não faz sentido”. Afinal, quanto maior o prazo de um ativo, maior o risco. Logo, maior deveria ser a remuneração.
As taxas dos Tesouro IPCA+ estão invertidas porque o mercado exige hoje um prêmio muito elevado para emprestar dinheiro ao governo e tem dificuldade para precificar horizontes muito mais longos.
Na plataforma do Tesouro Direto é possível ver que os prazos de 2040, 2045, 2050 e 2060 estão com juros bastante próximos uns dos outros, na faixa de 7,3% a 7,6%.
Além das incertezas sobre a trajetória da dívida pública — que é a maior preocupação dos agentes financeiros neste momento, sobretudo em relação ao longo prazo —, os títulos indexados à inflação sofrem influência de fatores técnicos, como a competição com papéis isentos de imposto de renda, sobrealocação dos fundos em Tesouro IPCA+ e baixa demanda por vencimentos longos.
Para que a precificação "normalize", o grande tema das contas públicas e do endividamento da União tem que ser endereçado a partir de 2027 pelo governo que ganhar as próximas eleições presidenciais.
De um lado, há agentes financeiros que não acreditam que o governo fará reformas e entregará uma boa solução para diminuir o nível da dívida pública. Este é o cenário-base da Nord, segundo a sócia-fundadora Marília Fontes.
Para ela, a dívida se resolverá por meio de uma repressão financeira que aumentará a inflação e diminuirá o juro real forçadamente.
Neste caso, o Tesouro IPCA+ protege o poder de compra do patrimônio investido, já que não se sabe o nível que a inflação pode alcançar.
Já no cenário mais benigno, de o governo fazer reformas e o mercado "comprar" a solução para a dívida, juros e inflação cairiam naturalmente. Com isso, o juro real do Tesouro IPCA+ também cairia, e o investidor que comprar hoje garantirá a taxa mais alta até o vencimento ou poderá lucrar com a valorização do título.
Mas, a verdade é que a competição do Tesouro IPCA+ não é entre seus prazos, mas com outro título público: o Tesouro Selic. André Leite, da TAG, brinca que o apego do brasileiro pelo rendimento atrelado ao CDI e aos juros é quase uma seita. E, como toda seita, é extremamente perigoso, pois leva o investidor a usar o instrumento errado para cada objetivo.
"O CDI [ou Tesouro Selic, neste caso] tem seu papel no portfólio, mas ele não resolve tudo. Não responde por todas as situações, nem por todos os problemas", afirma o diretor de investimentos.
Mas o apego do brasileiro ao CDI não é infundado. Se considerarmos o juro real, um Tesouro Selic que rende 14% ao ano, num cenário de inflação na faixa de 5%, está pagando um juro real de 9%, acima das taxas atuais do Tesouro IPCA+.
Por que trocar esse retorno por 8% ou 7,5% mais inflação? À primeira vista, não parece fazer sentido.
André Leite defende que o Tesouro Selic é o investimento ideal para a reserva de emergência e objetivos de curto prazo, justamente porque não sofre oscilações relevantes de preço no dia a dia e acompanha os juros definidos pelo Banco Central.
Já o Tesouro IPCA+ cumpre uma função diferente: preservar o poder de compra do patrimônio ao longo dos anos.
"Quando você pensa em comprar um imóvel, pagar a faculdade de um filho ou construir uma aposentadoria, você precisa ter o poder de compra do seu dinheiro corrigido. O CDI não faz isso, quem faz isso é o IPCA+", afirma.
O problema do Tesouro Selic para objetivos muito longos é que o investidor não sabe qual será o nível dos juros daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futuro, pode não ser suficiente para gerar a renda de que você necessita. Já no Tesouro IPCA+, o retorno real é conhecido desde a aplicação.
Marília Fontes defende que o investidor mantenha exposição aos dois indexadores, não escolher entre um e outro. Como não é possível saber qual cenário prevalecerá, a diversificação entre Tesouro Selic e Tesouro IPCA+ garante a proteção para uma futura elevação dos juros e da inflação.
Se o risco de reinvestimento favorece os vencimentos mais longos, basta comprar o título mais longo disponível, certo? Não necessariamente.
Lima, da Inter Asset, afirma que é importante entender que prazo maior também significa risco maior.
Os preços dos títulos indexados à inflação, principalmente os de vencimentos longos, oscilam bastante com a marcação de preço e taxa que resulta das expectativas do mercado para juros e inflação. Trata-se da marcação a mercado.
Se os agentes financeiros esperam aumento de juros, a tendência é que as taxas do Tesouro IPCA+ subam e os preços caiam. Na marcação da tela, isso sugere um prejuízo no investimento.
O contrário também é verdadeiro. A expectativa de queda consistente nos juros pode acarretar queda nas taxas do papel e valorização de preço. Neste caso, pode resultar em lucro com a marcação. Além de alinhar os objetivos ao prazo, também é importante estar confortável com essas oscilações.
Mas o lucro ou prejuízo com essa volatilidade só é realizado caso o investidor venda o título antes do vencimento. Caso fique com ele até o fim do prazo, será paga a taxa contratada no ato da compra.
O gestor usa uma regra de bolso para ilustrar esse risco.
Basicamente, aplicar 100% do patrimônio em um título com prazo de um ano oferece o mesmo risco de perda potencial (em caso de oscilação nas taxas) que investir apenas 10% do patrimônio em um título de dez anos.
Em ambos os casos, o impacto financeiro se a taxa de juros subir 1% é a mesmo. A ideia é que o investidor ajuste simultaneamente prazo e tamanho da posição nas aplicações em Tesouro IPCA+.
Lima afirma que títulos mais longos não precisam necessariamente ocupar uma parcela tão grande da carteira. "Quanto maior o vencimento, menor precisa ser a posição para produzir a mesma exposição ao risco", resume o gestor.
Mais uma vez, a resposta passa menos pela taxa exibida na tela e mais pela finalidade do dinheiro investido.
Na indústria de fundos, a marcação a mercado é importante para a rentabilidade dos ativos. Todos os dias os preços das cotas e o retorno do fundo são atualizados. Para a pessoa física, é um mecanismo mais complexo.
A lógica parece simples: se as expectativas para juros forem de queda futura, os títulos negociados no mercado se valorizam.
Mas a prática não é tão lógica. A queda do juro real não é rápida como a dos juros nominais. Ela também depende das expectativas para inflação.
Para os especialistas, a marcação a mercado não deveria ser o ponto de partida para a decisão de investimento da pessoa física. Ela deve ser considerada somente em uma situação excepcional de resgate antes do vencimento, caso não haja escolha.
Para Leite, da TAG, o potencial ganho de capital faz mais sentido como um benefício adicional do investimento, e não como sua razão principal.
Em outras palavras, a pessoa física deveria investir em títulos públicos já pensando em carregá-los até o vencimento e casando a data dos seus objetivos financeiros aos prazos dos papéis.
Da mesma forma que uma melhora das expectativas para juros pode elevar o preço dos títulos, outros cenários podem provocar desvalorização antes do vencimento. O investidor que depende do resgate antecipado fica exposto a essas oscilações e pode até amargar prejuízo, em caso de venda.
Neste momento, embora os especialistas considerem que é mais provável o juro real cair do que subir, no curto e médio prazos, o risco fiscal assombra as projeções e não há qualquer clareza sobre o futuro.
A única certeza é que o Tesouro IPCA+ protege contra o risco de inflação e está pagando um juro real histórico.
Seja 8% ou 7%, mais importante do que travar a maior taxa disponível é travá-la pelo tempo necessário para o objetivo do investimento. No futuro, quando o título vencer, esse retorno estará garantido.
MELHOR PROTEÇÃO
REPORTAGEM ESPECIAL
CRÉDITO PRIVADO
NOVA RENDA FIXA
RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
REPORTAGEM ESPECIAL
CRÉDITO PRIVADO
REPORTAGEM ESPECIAL
FINANÇAS PESSOAIS
SIMULAÇÃO
RENDA FIXA
CARTEIRA RECOMENDADA
TOUROS E URSOS #278
PONTO DE INFLEXÃO
RUÍNA DE UNS, CUPONS DE OUTROS
ONDE INVESTIR NO 2º SEMESTRE
ESTRATÉGIA DE ALOCAÇÃO
CRÉDITO PRIVADO
AINDA PODE SURPREENDER