O dólar a R$ 5,20 veio para ficar? No novo mapa do câmbio, real ganha fôlego e moedas na Ásia podem ser o novo norte
Citi faz projeções para as principais moedas globais e indica qual deve ser a cotação do dólar em relação ao real no horizonte de 12 meses

Se você sente que entender o mercado de câmbio ultimamente é como tentar ler um mapa antigo onde cada explorador aponta para um norte diferente, saiba que você não está sozinho. Até mesmo os analistas do Citi admitem que o cenário atual é um desafio de interpretação.
Mas, enquanto o mundo tenta encontrar a rota certa, uma coisa parece clara: o dólar está recalibrando sua rota, e o real pode sair ganhando no curto prazo.
Apesar das incertezas globais, o Citi revisou projeções para a moeda brasileira com um viés mais otimista. O banco agora estima que o dólar se mantenha em R$ 5,20 nos próximos três meses.
A projeção tem como base uma combinação de melhora no sentimento empresarial nos EUA e fatores sazonais que devem apoiar o dólar globalmente, mas que, no Brasil, encontram um real mais resiliente do que o previsto anteriormente — cuja projeção do banco era de R$ 5,35.
Para o horizonte de 12 meses, no entanto, a cautela volta ao radar. O Citi estima o dólar a R$ 5,40, citando a proximidade das eleições no Brasil e a atenção redobrada à política fiscal como fatores que podem gerar uma leve depreciação da nossa moeda.
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Euro e dólar canadense: os financiadores da vez
Se o dólar norte-americano está em busca de uma reaceleração, o euro (EUR) e o dólar canadense (CAD) parecem estar no lado oposto da balança.
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O Citi mantém uma postura pessimista (bearish) para o par EURUSD no primeiro semestre de 2026.
O banco projeta que o euro caia para 1,15 em três meses e chegue a 1,11 em um ano. A visão é de que o Banco Central Europeu (BCE) não deve alterar os juros tão cedo, deixando o destino da moeda europeia totalmente nas mãos da força do dólar norte-americano.
O dólar canadense também é visto como uma moeda de "financiamento". Com a economia do Canadá apresentando uma demanda doméstica mais fraca e riscos nas negociações do tratado comercial USMCA (Acordo Comercial EUA-México-Canadá), o Citi espera que o par USDCAD suba para 1,41 no curto prazo.
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Ásia: o despertar das moedas emergentes?
Enquanto o G10 (grupo das economias mais ricas) lida com suas próprias questões, o Citi aponta para um movimento interessante no Oriente.
As moedas dos países emergentes da Ásia (EM Asia FX) podem começar a apresentar uma performance superior (outperform) nos próximos meses, segundo o banco.
Esse movimento deve reduzir o apelo dessas moedas como funders (moedas usadas para financiar operações em outros ativos).
No Japão, no entanto, o iene (JPY) vive seu próprio drama. O Citi acredita que o patamar de 155 ienes por dólar norte-americano servirá como um teto de longo prazo para o par USDJPY.
A previsão é de uma correção para 145 ienes nos próximos meses, impulsionada pela alta nos yields (rendimentos) dos títulos públicos japoneses (JGBs), que devem atrair investidores de volta para a moeda local.
A bússola do dólar
O Citi destaca que, para o dólar norte-americano continuar a trajetória de alta global, dois pilares precisam ser observados:
- Independência do Federal Reserve (Fed)
- O fator porto seguro
No primeiro caso, o banco diz que a indicação de Kevin Warsh para a presidência do banco central norte-americano reforça a visão de uma instituição dependente de dados.
No segundo, o dólar parece estar recuperando o status de ativo de proteção, voltando a ter uma correlação negativa com as ações — quando as bolsas caem, o dólar sobe.
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