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ALÉM DA FOTO

O aperto de mão de 40% do PIB: o que Trump e Xi Jinping podem decidir (e como isso mexe com você)

Trump e Xi Jinping se reúnem nos próximos dias em Pequim após quase uma década. Entre tréguas comerciais e a guerra no Irã, saiba o que está em jogo para a economia global e seu bolso.

Imagem criada por inteligência artificial mostra um aperto de mãos entre dois homens de terno, com as bandeiras dos Estados Unidos e da China ao fundo
Imagem: Sora / ChatGPT

A cena parece um déjà vu diplomático, mas o roteiro ganhou tons de suspense dignos de um thriller geopolítico. Na próxima quarta-feira (13), se as tensões no Oriente Médio não forçarem um novo cancelamento, Donald Trump desembarcará em Pequim para um encontro com Xi Jinping. 

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Se acontecer como o previsto, será a primeira vez que um presidente norte-americano pisa em solo chinês em quase uma década. Ironicamente, o último a fazer o mesmo caminho foi o próprio Trump, em 2017, naquela que ficou conhecida como uma visita de estado plus, com direito a ópera e tour privado pela Cidade Proibida. 

Nove anos depois, a pompa permanece no horizonte, mas o solo sob os pés dos líderes está rachado por guerras comerciais, uma pandemia e, mais recentemente, o conflito no Irã. 

O que está em jogo em Pequim não é apenas uma foto apertando as mãos, mas o equilíbrio da economia global. 

O peso da trégua e o clube dos CEOs 

O caminho até aqui foi pavimentado em Busan, em outubro de 2025, quando ambos os países concordaram com uma trégua temporária. 

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Trump, que chegou a impor tarifas de 145% sobre produtos chineses, descobriu que Pequim tinha armas de retaliação à altura: o bloqueio das exportações de terras raras, minerais essenciais para a tecnologia militar e industrial dos EUA. 

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Para o investidor, o sinal mais claro de que o pragmatismo pode vencer a ideologia é a comitiva que acompanha o republicano. Trump não viaja sozinho; ele leva consigo o PIB (Produto Interno Bruto) corporativo norte-americano. 

Na visita a Pequim, estão confirmadas as presenças de Kelly Ortberg, da Boeing, que coloca para jogo um contrato histórico de 500 jatos 737 Max. Além dele, Jane Fraser, do Citigroup, representará o setor financeiro dos EUA. 

Executivos da Nvidia, Apple e Exxon, buscando garantias de mercado e suprimentos, também farão parte da comitiva de Trump e Pequim. 

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A China, por sua vez, quer estender a trégua e evitar que o embargo tecnológico dos EUA paralise seu crescimento, oferecendo em troca investimentos robustos e a retomada das compras agrícolas, como a meta de 25 milhões de toneladas de soja por ano. 

O fator Irã e a fragilidade de Trump 

Diferente de 2017, Trump chega a Pequim em uma posição de vulnerabilidade. Com uma desaprovação interna recorde de 62% e atolado na crise do Irã — que fechou o Estreito de Ormuz e ameaça o fluxo de petróleo —, o presidente norte-americano precisa de vitórias rápidas antes das eleições de meio de mandato em novembro. 

A China, maior compradora de petróleo iraniano, tornou-se peça-chave para resolver o conflito que os próprios EUA iniciaram. 

Washington agora se vê na posição irônica de pedir ajuda diplomática ao seu maior concorrente para pacificar Teerã e estabilizar os preços da energia. 

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O plano de Trump deu errado? Irã, tarifas e o impacto no Brasil

Taiwan: a concessão silenciosa? 

Se na economia o clima é de negociação, na geopolítica o gelo é fino. Taiwan continua sendo o "maior risco", segundo o ministro Wang Yi. 

No entanto, observadores notam uma mudança de postura em Trump. Ele tem sinalizado que vê a ilha mais como uma concorrente econômica no setor de semicondutores do que como um aliado democrático. 

O fato de um pacote de US$ 11 bilhões em armas para Taiwan ter sido retido pelo Departamento de Estado norte-americano antes da viagem sugere que Trump pode estar disposto a negociar pontos que antes eram intocáveis. 

Por que isso importa para você? 

Juntos, Trump e Xi controlam mais de 40% da atividade econômica mundial. O sucesso ou o fracasso dessas 48 horas em Pequim definirá entre outros pontos, o acesso a minerais críticos para a indústria tech; a inflação global, com a estabilidade no Estreito de Ormuz e as tarifas comerciais sobre a mesa; e a corrida pela inteligência artificial (IA). 

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Como notam analistas do Brookings Institution, o paradoxo é real: se a reunião for positiva demais, o mercado pode interpretar que Trump fez concessões excessivas para salvar sua popularidade interna. Já em Pequim, a linha entre a diplomacia e a rendição estratégica nunca foi tão tênue. 

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