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A GEOPOLÍTICA DA IA

O ‘não’ de US$ 2 bilhões: China ergue muralha contra Mark Zuckerberg e evita o ‘roubo’ da próxima DeepSeek

A Meta queria a Manus, a startup de IA que atingiu US$ 100 milhões em receita em apenas oito meses e se tornou o novo pivô da guerra tecnológica entre EUA e Pequim

Imagem criada por inteligência artificial com a muralha da China. De um lado, agentes de IA, do outro Mark Zuckerberg.
Imagem criada por IA - Imagem: ChatGPT

Mark Zuckerberg acaba de descobrir que, na geopolítica da inteligência artificial (IA), nem todo o dinheiro do mundo é capaz de saltar certas barreiras. A Meta acaba de ter seu plano de desembolsar US$ 2 bilhões para adquirir a startup de Manus barrado pela China.

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O anúncio veio da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o braço de planejamento estatal da China, que solicitou o cancelamento do negócio nesta segunda-feira (27). 

A justificativa oficial se baseou no cumprimento de leis e regulamentos internos. Na prática, Pequim decidiu erguer uma muralha digital para impedir que uma de suas promessas tecnológicas mude definitivamente de mãos — e de país. 

O movimento da China é um golpe no chamado Singapore-washing, tática usada por fundadores chineses que mudam a sede de suas empresas para Singapura na tentativa de escapar do radar regulatório tanto de Pequim quanto de Washington. 

Para a Meta, que planejava integrar as tecnologias da Manus ao seu assistente de IA, o "não" chinês representa um balde de água fria nas ambições de automação global. 

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Mas afinal, quem é a Manus? 

Se você ainda não tinha ouvido o nome, guarde-o, pois os reguladores chineses certamente o fizeram. 

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A Manus é uma startup de inteligência artificial que nasceu na China, mas buscou refúgio corporativo em Singapura. Ela ganhou as manchetes ao ser apelidada de "a próxima DeepSeek". 

A empresa é especializada no desenvolvimento de agentes de IA de uso geral, capazes de executar tarefas complexas que vão desde análise de dados e codificação até pesquisas de mercado profundas. 

O sucesso não é apenas teórico. A startup atingiu US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR) em apenas oito meses após o lançamento de seu primeiro produto, em março do ano passado. 

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Antes do interesse da Meta, a Manus já havia atraído US$ 75 milhões em uma rodada liderada pela gigante de venture capital norte-americana Benchmark. 

Manus no fogo cruzado entre EUA e China

O imbróglio da Manus é o exemplo do fogo cruzado tecnológico atual. Enquanto os EUA proíbem investidores norte-americanos de apoiarem diretamente empresas chinesas de IA, Pequim intensifica os esforços para evitar que seus talentos e tecnologias fujam para o exterior. 

A Meta afirma que a transação cumpre integralmente as leis aplicáveis e esperava uma resolução apropriada. 

No entanto, com o Ministério do Comércio da China investigando controles de exportação e tecnologia, parece que, por enquanto, o algoritmo de Zuckerberg encontrou um obstáculo que não pode ser resolvido com uma atualização de software. 

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