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Resultados fortes não foram suficientes para acalmar investidores, que cobram mais clareza sobre retorno dos aportes em inteligência artificial (IA)

As gigantes de tecnologia começaram a mostrar seus números do primeiro trimestre de 2026 (1T26) confirmando que a corrida pela inteligência artificial (IA) está só começando — e vai custar caro. Alphabet, Meta Platforms e Microsoft divulgaram resultados robustos, mas o foco do mercado rapidamente migrou para o salto nos investimentos em IA.
A expectativa mais recente é de que o capex combinado das grandes empresas de tecnologia supere US$ 600 bilhões apenas em 2026. O número, por si só, já tem sido suficiente para elevar a pressão sobre executivos, com investidores exigindo mais previsibilidade sobre quando esses aportes começarão a gerar retorno.
A resposta, até agora, não tem convencido — e a reação do mercado foi imediata.
Por volta das 12h15 (de Brasília), as ações da Meta caíam 9,43% na Nasdaq, enquanto a Microsoft recuava 4,63%. Na contramão, a Alphabet subia 7,96%, impulsionada principalmente pelo desempenho de sua divisão de nuvem.
A Alphabet elevou sua projeção de investimentos para 2026, agora estimados entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões. O movimento vem na esteira de um avanço expressivo do Google Cloud, cuja receita saltou 63% no primeiro trimestre, alcançando US$ 20 bilhões.
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O desempenho chama atenção não apenas pelo volume, mas pela velocidade. A taxa de crescimento supera com folga a da Amazon Web Services (AWS), que avançou 28% e reportou US$ 37,6 bilhões em receita no período.
A Microsoft também reforçou o plano de expansão. A empresa projeta investimentos superiores a US$ 40 bilhões apenas no quarto trimestre, com expectativa de chegar a cerca de US$ 190 bilhões no ano.
A diretora financeira Amy Hood destacou que cerca de dois terços dos investimentos serão direcionados à infraestrutura necessária para sustentar a demanda por IA no Azure e em ferramentas como o Microsoft 365 Copilot.
Mesmo com esse esforço, a empresa prevê restrições de capacidade até 2026.
Na Meta, o movimento foi semelhante —mas a recepção, bem diferente.
A empresa elevou sua projeção de capex para um intervalo entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, citando custos mais altos de componentes e expansão de data centers.
Questionado sobre como a companhia pretende transformar esse investimento em retorno, o CEO Mark Zuckerberg adotou um tom mais genérico.
“Essa é uma pergunta muito técnica”, afirmou. “O que estamos monitorando é garantir que estamos no caminho certo para construir modelos e produtos líderes.”
A fala não trouxe o nível de detalhamento esperado pelos investidores e contribuiu para a forte queda das ações, mesmo diante de resultados expressivos.
A Meta reportou lucro líquido de US$ 26,8 bilhões no trimestre, alta relevante em relação ao ano anterior, enquanto a receita cresceu 33%, para US$ 56,3 bilhões — o ritmo mais forte desde 2021.
A Microsoft também apresentou números acima das expectativas, com lucro líquido de US$ 31,77 bilhões e receita de US$ 82,9 bilhões. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento da divisão de nuvem, cuja receita chegou a US$ 54,4 bilhões.
Ainda assim, o fluxo de caixa livre caiu 22%, para US$ 15,8 bilhões, refletindo o aumento dos investimentos. O movimento ajuda a explicar a reação negativa das ações, mesmo com o avanço operacional.
A Alphabet, por sua vez, entregou um dos balanços mais fortes entre as três. O lucro líquido quase dobrou na comparação anual, alcançando US$ 62,58 bilhões, enquanto a receita chegou a US$ 110 bilhões.
O destaque foi novamente o Google Cloud, que vem ganhando espaço na disputa por contratos de IA corporativa.
Para a Microsoft, o atual ciclo de investimentos lembra o início da expansão da computação em nuvem. A diferença, segundo Amy Hood, está na rentabilidade.
De acordo com a executiva, os produtos de IA já apresentam margens superiores às registradas pela nuvem em estágio semelhante, o que reforça a aposta da companhia na continuidade dos aportes.
O mercado, porém, parece menos disposto a esperar. A ausência de prazos claros para a monetização da IA tem sido suficiente para aumentar a volatilidade das ações, mesmo em um cenário de crescimento robusto.
*Com informações da Fortune e Estadão Conteúdo
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