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FOGO, ÁGUA E NEGÓCIOS

Trump e Xi em Pequim: um resumo do que você precisa saber sobre o 1º dia da cúpula que parou o mundo

Os presidentes dos EUA e da China iniciaram nesta quinta-feira (14) a cúpula em Pequim com foco em cooperação econômica e estabilidade; confira os principais pedidos de cada país, do agro ao petróleo, e o duro aviso chinês sobre Taiwan

Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O mundo parou para assistir ao que muitos chamam de cúpula mais importante da década, e o primeiro dia do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim entregou exatamente o que os mercados adoram: estabilidade coreografada e promessas de abertura.  

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Em um clima de paz armada e gestos de cortesia que contrastam com as batalhas comerciais e geopolíticas que envolvem EUA e China, os dois líderes tentam agora construir uma estabilidade estratégica.  

O objetivo é claro: evitar a famosa Armadilha de Tucídides, como citou Xi Jinping, quando uma potência em ascensão e uma dominante acabam inevitavelmente em guerra. Por enquanto, o tom é de competição comedida para evitar que a relação saia do controle. 

“China e EUA conseguem superar a armadilha de Tucídides e criar um novo modelo de relações entre grandes potências? Podemos enfrentar juntos os desafios globais e oferecer mais estabilidade ao mundo?”, questionou Xi durante o encontro. 

A lista de pedidos de Trump 

Do lado norte-americano, a lista de pedidos de Trump foi direta ao ponto e focada na base eleitoral e na segurança interna.  

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O republicano pressionou Xi para que a China aumente drasticamente a compra de produtos agrícolas norte-americanos, um aceno vital para o cinturão rural dos EUA.  

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Além disso, Trump reiterou a necessidade de Pequim fechar o cerco contra o fluxo de fentanil e abrir as portas do seu mercado doméstico para as empresas norte-americanas de tecnologia e serviços. 

A comitiva de peso, que incluiu nomes como Elon Musk, Jensen Huang e Tim Cook, serviu como o cartão de visitas de Washington, reforçando que o setor corporativo dos EUA quer lucrar com a China, desde que as regras do jogo sejam mais claras. 

O que a China colocou na mesa 

 A China, por sua vez, jogou o jogo da diplomacia com avisos nítidos sob uma luva de seda.  

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Xi Jinping foi enfático ao declarar que a porta para investimentos estrangeiros "se abrirá ainda mais", sinalizando que o país precisa e quer manter o capital externo fluindo para sustentar sua economia.  

Contudo, o grande pedido — ou melhor, a linha vermelha — foi Taiwan.  

Xi classificou a questão como o ponto mais sensível da relação, alertando que qualquer passo em falso na independência da ilha seria como fogo e água, colocando todo o progresso em risco.  

Pequim também sinalizou que deseja comprar mais petróleo dos EUA, uma jogada estratégica para reduzir a dependência das rotas instáveis do Oriente Médio. 

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Também teve consenso entre Xi e Trump

No campo da energia e geopolítica, um raro consenso surgiu sobre o Estreito de Ormuz.  

Ambos concordaram que a via deve permanecer aberta e livre de pedágios ou militarização, garantindo que o fluxo global de energia não seja interrompido por conflitos regionais.  

Houve até espaço para um aceno tecnológico: os dois países pretendem colaborar em protocolos de segurança para inteligência artificial (IA), visando impedir que atores não estatais usem modelos avançados para fins maliciosos. 

Tapete vermelho para o capital 

Em um momento de forte simbolismo, Xi Jinping fez questão de falar diretamente aos titãs do capitalismo norte-americano que acompanharam Trump, como Musk, Huang  e Cook.  

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O presidente chinês garantiu aos executivos que as empresas dos EUA foram fundamentais para o processo de reforma e abertura da China e que ambos os lados colheram frutos dessa parceria.  

Xi reforçou que as perspectivas para os negócios estrangeiros serão ainda mais amplas, reiterando que a política de abertura do país é um caminho sem volta.  

Por parte dos CEOs, o sentimento foi de otimismo: eles destacaram a importância estratégica do mercado chinês e o desejo de aprofundar as operações locais em colaboração com Pequim. 

Entre o pragmatismo de Trump e a visão de longo prazo de Xi, o primeiro dia termina com a sensação de que, embora os problemas estruturais continuem lá, ninguém quer que o barril de pólvora exploda agora. 

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