Putin afirma que a guerra na Ucrânia está perto do fim e surpreende ao revelar o negociador que pode destravar a paz no Leste Europeu
O presidente russo não apenas sinalizou o fim do conflito, mas também começou a desenhar como seria a página seguinte, com novos acordos de segurança para a Europa

Enquanto os holofotes do mercado e da geopolítica global se voltam para a escalada de tensão entre EUA, Israel e Irã, um outro front — que já drenou US$ 3 trilhões da economia da Rússia — pode estar prestes a mudar de fase.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a guerra na Ucrânia está "chegando ao fim".
A declaração, feita a jornalistas após o desfile do Dia da Vitória no sábado (9), contrasta com o tom de promessa de vitória absoluta que ele havia adotado horas antes, mas reforça uma possível abertura para o diálogo em um momento de exaustão econômica e militar.
O conflito, considerado o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, já ultrapassou a marca de quatro anos de duração — tempo superior ao que as forças soviéticas lutaram na Grande Guerra Patriótica (1941-45).
Apesar de a Rússia controlar quase um quinto do território ucraniano, os avanços desaceleraram significativamente este ano. No entanto, um novo componente entrou na equação: a mediação de Donald Trump.
O republicano anunciou uma trégua de três dias (de sábado a segunda-feira), aceita por Moscou e Kiev. O acordo inclui a troca de 1.000 prisioneiros.
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Além disso, Trump classificou o ritmo de perdas humanas (cerca de 25 mil soldados jovens por mês) como "loucura" e manifestou o desejo de uma extensão da trégua.
O interlocutor preferido de Putin
Putin não apenas sinalizou o fim do conflito, mas também começou a desenhar como seria a página seguinte: ele se mostrou disposto a negociar novos acordos de segurança para a Europa, mas com uma condição clara sobre quem gostaria de ver do outro lado da mesa.
Seu parceiro de negociação preferido? O ex-chanceler alemão Gerhard Schröder.
A escolha não é por acaso. Putin mantém uma postura crítica ferrenha aos atuais líderes do Ocidente, a quem acusa de terem quebrado a promessa de não expandir a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o leste após 1989.
Embora fale em desfecho, o Kremlin mantém a cautela. As negociações mediadas por Trump estão oficialmente em pausa e Putin reforçou que a luta continua até que os objetivos do que chama de operação militar especial sejam atingidos.
Uma reunião direta com Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia, porém, ainda é uma realidade distante: Putin descartou qualquer encontro antes que um acordo de paz duradouro seja formalmente selado.
Putin responde na mesma moeda
Menos de 24h depois de ter mencionado a proximidade do fim da guerra, a Rússia acusou a Ucrânia de violar o cessar-fogo de três dias mediado pelos EUA. Por sua vez, as autoridades ucranianas disseram que uma pessoa foi morta e outras ficaram feridas por ataques russos nas últimas 24 horas.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, o exército russo "respondeu na mesma moeda" às violações do cessar-fogo.
De acordo com autoridades ucranianas, a Rússia lançou ataques ao país, embora não tenham chegado a acusar Moscou de violar a trégua de três dias mediada pelos EUA.
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