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TOUROS E URSOS #269

O plano de Trump deu errado? Benjamin Mandel, ex-Fed, fala o que pensa sobre a guerra no Irã, as tarifas e o impacto no Brasil

O agora chefe de análise da Jubarte Capital participou do episódio mais recente do podcast Touros e Ursos e também conta o que pode acontecer no encontro entre Lula e Trump em Washington, além dar dicas de investimentos em tempos de guerra

Imagem criada por IA mostra a cabeça de Donald Trump saindo de uma trincheira, com uma bandeira branca na mão. Do lado esquerdo, a pergunta: Perdeu a guerra?
Donald Trump, presidente dos EUA - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Donald Trump vem empilhando guerras desde o início do segundo mantado. Primeiro veio o tarifaço global, depois os ataques diretos a Jerome Powell e ao Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e, agora, com um conflito no Oriente Médio que já dura muito mais que as três semanas previstas inicialmente.  

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O saldo também é digno dos escombros das batalhas em campo: um choque de oferta clássico — crescimento para baixo e inflação para cima — que recai diretamente no bolso não só dos norte-americanos como dos consumidores e investidores mundo afora. 

Para Benjamin Mandel, chefe de análise da Jubarte Capital, o choque atual é transitório. O ex-Fed e Ph.D. em Economia participou do mais recente episódio do podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro, que você pode conferir na íntegra aqui, e compartilhou o que pensa sobre o governo norte-americano, sobre Trump, o futuro da maior economia do mundo — e como o Brasil se posiciona em relação a tudo isso.  

“Acho que este caso é mais parecido com a guerra comercial. É um choque bem mais concentrado em energia e alimentos, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz”, diz Mandel.  

“Por outro lado, a demanda nos EUA está rodando perto da taxa potencial (2%), mas mista: forte em tecnologia e IA [inteligência artificial], e desacelerando no consumidor. Vejo um choque mais localizado e concentrado do que algo duradouro; um choque transitório parecido com o de 2025, o que me deixa mais bullish [otimista]”, acrescenta. 

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Mandel lembra ainda que, apesar de transitório, o choque de oferta provocado pelas políticas de Trump podem custar um preço alto para o republicano nas eleições de meio de mandato deste ano.  

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“O prolongamento dessa crise pode cobrar um preço alto nas eleições legislativas [midterms] de novembro. O consenso aponta que os republicanos devem sofrer desgaste perante o eleitorado, com grandes chances de perderem a maioria na Câmara e enfrentarem uma disputa acirrada pelo Senado”, afirma.  

O Brasil no meio de Lula e Trump 

O cenário econômico global e brasileiro vive dias de incerteza sob o impacto das estratégias de Trump e da guerra no Oriente Médio. Para o investidor brasileiro, o momento é de cautela mista. 

Segundo Mandel, o País enfrenta dificuldades para ignorar choques inflacionários devido à inércia do sistema, o que pode tornar o ciclo de queda dos juros mais curto e menos profundo do que o esperado. 

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“Por outro lado, a política monetária restritiva já surte efeito na atividade econômica, e o real valorizado ajuda a suavizar o repasse desses choques externos para a inflação por aqui”, afirma.  

No campo diplomático, o ex-Fed diz que a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump é marcada por uma química pessoal que contrasta com embates em fóruns globais, como na Organização Mundual do Comércio (OMC), onde, segundo ele, o Brasil tem dificultado agendas de interesse norte-americano. 

“Lula não perde oportunidade de complicar a vida de Trump, mas no ‘um a um’, eles têm uma química boa”, afirma. “Trump não está em posição de poder total para comprar mais brigas, e o Brasil tem recursos que podem ajudar os EUA”, acrescenta. 

Trump e Lula devem se reunir nesta quinta-feira (6), em Washington. O momento é crucial para o petista, depois da derrota histórica no Congresso, que barrou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).  

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Juros nos EUA: Trump vai influenciar o novo chefe do Fed? 

Em meio à pressão política, o Federal Reserve se prepara para uma mudança de comando com a entrada de Kevin Warsh no lugar de Jerome Powell, cujo mandato como presidente do banco central norte-americano termina em 15 de maio.  

Para Mandel, Warsh não deve ceder aos desejos da Casa Branca por juros mais baixos se os dados econômicos não indicaram que o caminho para o afrouxamento monetário está livre.  

“Existe uma cultura muito forte de independência no Fed. O prédio em Washington tem mais de 500 doutores em economia; é uma máquina de objetividade e análise. É muito difícil para Kevin Warsh entrar e fazer reformas significativas no dia um”, afirma.  

Por isso, Mandel, que já esteve no Fed, se diz tranquilo com a sucessão.  

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“Ele [Warsh] acredita que a inovação e a IA podem puxar o crescimento [dos EUA] para cima e a inflação para baixo, como nos anos 90, e usará isso como raciocínio para baixar juros ao longo do tempo”, acrescenta.  

E os investimentos? 

Com todo esse pano de fundo costurado por Trump, a bolsa brasileira tem visto uma enxurrada de dinheiro gringo entrando. A estratégia da Jubarte Capital, no entanto, é dividida.  

“Estamos divididos: 50% de risco no Brasil e 50% lá fora. No global, estamos levemente ‘risk on’ [apetite por risco], pois não enxergamos recessão extrema”, diz Mandel. 

Por essa razão, ele diz que a preferência é por ações, especificamente o S&P 500, e mercados como a Coreia do Sul, beneficiados por IA. 

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“Temos menos conforto com renda fixa nos EUA, usando Treasurys mais como seguro. Gostamos de ouro para proteção contra estresse inflacionário”, afirma.  

No Brasil, é hora de correr risco em prefixados (duration) conforme o ciclo de cortes avança mas, segundo ele mesmo diz, “ainda não adicionamos ações”.  

Os vencedores e perdedores (da guerra de Trump) 

O último bloco do programa é o que dá nome ao podcast. Nele, os convidados elegem os touros e os ursos da semana.  

Jorge Messias aparece entre os ursos ao lado de Kora Saúde, que pediu recuperação extrajudicial nos últimos dias, após acumular uma dívida de R$ 1,3 bilhão.  

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Entre os touros, o bitcoin (BTC), que foi a maior alta do mês de abril, de 7,5% em reais, embora ainda acumule perdas no ano.  

Mas outros ativos ainda foram eleitos por Mandel e os outros participantes do podcast com touros e ursos da semana. Se quiser conferir a lista completa, é só dar o play! 

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