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Missão Artemis 2 vai levar o homem de volta à órbita da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos, mas um em cada três brasileiros jura que ele nunca esteve lá antes.

Neste 1º de abril, abre-se a janela de lançamento da Artemis 2, missão da Nasa que levará humanos ao redor da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos. No entanto, a viagem orbital convive com um dado incômodo. Enquanto a agência espacial norte-americana prepara esse retorno histórico, um em cada três brasileiros ainda duvida que o homem tenha chegado lá.
É o que afirma uma pesquisa do Datafolha divulgada no domingo (29). De acordo com o levantamento, 33% dos brasileiros acreditam que o homem nunca chegou à Lua e nem sequer viajou ao redor dela. Em 2019, o número era de 26%, segundo estudo do mesmo instituto.
Desde então, a China explorou o lado oculto da Lua em 2019 com a Chang'e 4, e a Índia tornou-se o primeiro país a pousar no polo sul lunar em 2023, com a Chandrayaan-3.
Mesmo assim, a descrença permanece e encontra nas redes sociais um terreno fértil para se espalhar.
Segundo o psicólogo cognitivo Stephan Lewandowsky, da Universidade de Bristol, desconfiança institucional e desinformação nas redes se retroalimentam, conclusão de estudo publicado em 2013 na revista Psychological Science.
Listamos a seguir as teorias da conspiração mais curiosas e alucinadas sobre o tema.
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A mais clássica das teorias da conspiração sobre a Lua diz que tudo não passou de uma filmagem nos estúdios de Hollywood. A pista principal seria a bandeira americana, que parece tremer nas imagens. Isso, porém, é efeito causado pelo astronauta que a fincou no solo.
Sem atmosfera, ela oscila mesmo sem vento. Outro indício dos negacionistas é a ausência de estrelas nas fotos. Só que o retrato foi feito em plena luz solar lunar, com exposição curta. A mesma câmera apontada para o céu noturno aqui na Terra, com os mesmos parâmetros, também não registraria estrelas.
Além disso, o mundo atravessava a Guerra Fria. Se o pouso fosse falso, a União Soviética teria denunciado. Não denunciou. Também não o fizeram os laboratórios e cientistas independentes ao redor do mundo que receberam amostras de solo lunar coletadas nas missões Apollo.
Manter esse segredo exigiria o silêncio de mais de 400 mil pessoas envolvidas no programa. É muita gente para guardar segredo.
Uma variante radical do terraplanismo diz que a Lua não existe de verdade, mas seria uma projeção artificial no teto de uma cúpula que cobre a Terra plana.
Qualquer pessoa com um telescópio amador consegue observar crateras, mares lunares e variações de relevo na superfície, provas de que não é um holograma. China, Índia, Japão e agências europeias foram lá sem combinar entre si.
Para que a teoria funcionasse, seria necessário que todas essas nações, muitas delas rivais geopolíticas encarniçadas, estivessem coordenadas numa mesma mentira.
Vale lembrar que em 240 a.C. o matemático grego Eratóstenes já calculava a circunferência da Terra com boa precisão usando uma vara e a sombra do sol. A conspiração teria que ter começado antes disso.
Outra teoria surgiu de uma frase da própria Nasa. Após as missões Apollo registrarem tremores lunares, a agência descreveu o fenômeno dizendo que a Lua havia "soado como um sino".
Os conspiracionistas tomaram a metáfora ao pé da letra e concluíram que o interior era oco. A explicação real é mais simples: a Lua é extremamente seca.
Na Terra, a água dos oceanos e o solo amortecem os tremores. Na Lua, sem água, as ondas sísmicas se propagam por mais tempo. Nenhum sino, nenhum alienígena.
Os sismômetros instalados pelas missões Apollo registraram dados que mostram o oposto de uma casca vazia.
O interior lunar tem crosta, manto e núcleo denso, como qualquer corpo rochoso que se preze. A teoria persistiu porque "soou como um sino" é uma imagem boa demais para deixar passar.
A prova seria o eclipse perfeito: a Lua cobre o Sol com precisão que, para alguns, só pode ser intencional. O problema é que essa precisão não é tão perfeita assim.
Os diâmetros aparentes do Sol e da Lua variam ao longo do tempo, e os eclipses totais duram apenas alguns minutos exatamente porque o alinhamento nunca é exato.
A teoria exige uma engenharia extraterrestre para explicar uma coincidência que, na verdade, nem é tão coincidente.
Isso não impediu que a ideia ganhasse forma em 1970, quando dois autores soviéticos especularam que a Lua poderia ser uma criação de inteligência alienígena. David Icke e outros levaram a ideia a sério nas décadas seguintes. O que diz muito sobre o rigor metodológico envolvido.
A teoria diz que a Alemanha nazista chegou à Lua antes dos americanos e instalou uma base secreta por lá. Não há documento, fotografia, telemetria nem alguma evidência física que sustente isso. Nada.
A teoria existe porque o nazismo virou sinônimo de tecnologia secreta e megalomania, e porque misturar conspirações é mais fácil do que verificá-las.
Uma vez aceito que a Nasa e os governos mentem e são parte de uma mesma farsa, qualquer coisa cabe. Nazistas na Lua, alienígenas no subsolo… O limite não é o céu, é a criatividade.
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