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No evento Onde Investir 2026, especialistas traçam as melhores teses para quem quer ter exposição a investimentos internacionais e ir além dos Estados Unidos
Se você busca investimentos no exterior com bons retornos, o recado é unânime: considere sempre os riscos geopolíticos — eles vieram para ficar. A notícia boa é que, mesmo com invasões, guerras e turbulência política é possível achar ativos aos quais vale se expor na gringa.
E é justamente de olho nessas oportunidades que o Seu Dinheiro reuniu três especialistas no programa Onde Investir 2026. Caio Camargo, estrategista líder do Santander; Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research; e Mario Nevares, head de investimentos internacionais da G5 Partners, contam para você onde estão as melhores opções e projetam como deve ser o ano para quem investe lá fora.
“O ano de 2026 deve ser bastante desafiador. Menos do que foi 2025, mas vale lembrar que temos a guerra da Rússia e da Ucrânia rolando, ainda temos a guerra comercial com as tarifas — eventos que levaram o ouro e a prata a fazer parte das carteiras dos investidores mais conservadores até os mais agressivos”, diz Camargo, do Santander.
Esta matéria faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre onde investir no primeiro semestre de 2026. Eis a lista completa:
Segundo Camargo, o investidor que quer investir lá fora também deve ficar de olho no cenário macroeconômico, em especial, na inflação, que determina, em boa parte, o comportamento das taxas de juros no mundo.
“A volatilidade dos mercados pode vir também não só da geopolítica, mas da questão da inflação e do emprego — duas forças antagônicas que determinam os juros nos EUA. Vale lembrar ainda que [Jerome] Powell vai deixar o Federal Reserve em maio, o que pode balançar as bolsas mundo afora”, afirma Pacheco, da Empiricus.
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Questionado sobre a recente invasão dos EUA à Venezuela, Nevares diz que, sob a ótica do investidor brasileiro, o evento não deveria definir decisões de investimento.
“Obviamente é um fator para a gente monitorar os desdobramentos, entender o quão profundo Trump pode ir na América Latina”, afirma o head da G5.
Os riscos geopolíticos e macroeconômicos estão longe de impedir investimentos no exterior, no entanto, o trio de especialistas dá outra dica importante: o mercado gringo não se resume apenas aos EUA, portanto, diversificar as regiões também é fundamental para se obter bons retornos.
“Para 2026, acredito que a gente tem a possibilidade de ter um mercado de ações internacional positivo, mas ainda assim é preciso haver uma diversificação. Além de EUA, outros mercados, tiveram uma performance fantástica no ano passado. Espanha, Alemanha e China são exemplos disso”, afirma Pacheco.
Embora os EUA não devam concentrar toda a carteira de quem quer investir no exterior, os especialistas recomendam que haja exposição ao mercado norte-americano, já que as principais empresas hoje, especialmente as ligadas à inteligência artificial (AI), estão lá.
“Você pode questionar se o valuation está elevado ou não, se pode haver um de-rating [desvalorização] de algumas ações norte-americanas, mas acredito que haja espaço para a valorização”, acrescenta o analista da Empiricus.
Os emergentes receberam um grande fluxo de recursos dos EUA em 2025, e a tendência é de que esses mercados continuem performando bem em 2026, de acordo com os especialistas.
“Tivemos um ano espetacular para as bolsas emergentes em 2025, e a tendência é de que isso continue em 2026, principalmente se os juros seguirem caindo lá fora”, diz Nevares.
Ele lembra, no entanto, que emergentes são imprevisíveis e dá uma recomendação para quem quer colocar dinheiro nesse mercado: “é necessário olhar país por país porque temos emergentes entregando performance e outros não”.
Pacheco, da Empiricus, chama atenção para o fato de muitos países na América do Sul dependerem de commodities e cita do Chile como um dos grandes beneficiados pela revolução tecnológica por conta do cobre.
Além disso, ele menciona as empresas de tecnologia chinesa, que estão investindo cada vez mais em capacidade de processamento.
“Alibaba e Baidu são empresas que estão indo bem e que devem crescer cada vez mais para surfar essa onda da IA na China. Então vamos ter empresas crescendo de um lado e do outro do globo. Por isso, o ideal é ter um pé em cada lugar”, acrescenta Pacheco.
No ano passado, o temor de que houvesse uma bolha na IA nos moldes da bolha da internet dos anos 2000 tomou conta dos mercados — valuations considerados muito elevados contribuíram com a tese.
Os especialistas do Onde Investir 2026 explicam a diferença daquela crise para o que acontece agora com as ações ligadas à inteligência artificial.
“Muita gente acredita que os valuations agora podem estar muito esticados, mas o valuation hoje é muito diferente do que era na bolha da internet. A maior empresa daquela época era a Cisco, que existe até hoje e negociava a 100x lucro, enquanto a Nvidia, quando estava muito cara, negociava a 60x lucro, voltando para 20x-30x agora”, diz Pacheco.
“Eu não compraria essa tese de que, por subir muito por alguns anos seguidos, há uma bolha no segmento como um todo. A ação pode sofrer uma realização [de lucros], é claro, mas não acho que estamos em um momento de bolha e sim ações específicas que podem estar em um terreno bolhoso”, acrescenta o analista da Empiricus.
Os especialistas, no entanto, avisam: não é porque não há uma bolha em IA neste momento, que vale a pena comprar qualquer ação do segmento — é preciso analisar ação por ação para saber qual é a melhor opção de investimento.
Para isso, eles recomendam, entre outros pontos, olhar os fundamentos das companhias, capacidade de investimento e o nível de endividamento para fazer uma boa escolha.
“Podemos ver uma queda desse mercado, e acho que isso vai acontecer, mas não significa estouro da bolha. O mercado passa por altos e baixos, está sempre sujeito à volatilidade”, disse Nevares, da G5.
Camargo, do Santander, complementa: “é importante olhar além do valuation e não só apenas se o papel está caro ou barato. É fundamental saber o contexto macroeconômico e fazer uma avaliação macro e micro setorial também. Investir em uma ação é muito mais do que só um número”.
O dólar passou por uma desvalorização ao redor de 10% em 2025 quando comparado a uma cesta de moedas fortes, pressionado, principalmente pela guerra de tarifas de Donald Trump, além de juros menores e déficits fiscais mais elevados nos EUA.
Os especialistas do Onde Investir são unânimes ao dizer que o investidor que quer comprar dólar deve se distanciar da questão do preço e pensar em alocação.
“Eu acho que o viés do dólar versus o real em um horizonte de dez anos é muito mais para cima do que para baixo. Então pouco importa se o dólar está R$ 5,30 ou R$ 5,40. O quanto você tem de exposição ao exterior é para onde se deve olhar”, diz Camargo.
“A gente recomenda de 20% a 30%. Se o investidor tiver apenas 2%, por exemplo, compre dólar independentemente do preço que, com o tempo, esse retorno virá”, acrescenta o estrategista do Santander.
E se você é daqueles que se questiona se vale a pena ter dólar na carteira, quem dá a dica é Nevares. “A pergunta que o investidor deve fazer é ‘qual moeda eu quero ter na minha carteira daqui a 30 ou 50 anos’ ou ‘qual país vai ter um crescimento robusto, um ambiente institucional importante e inovação’”.
Segundo o head da G5, ao analisar todo esse contexto, o dólar conseguirá manter seu papel relevante no portfólio offshore dos clientes, ainda que valha a pena alguma diversificação cambial.
“Para o investidor pessoa física, o melhor é começar pelo básico: EUA e dólar. Mas para quem quer outras teses no câmbio, vale a pena olhar para a China, para a Índia, para Canadá e Austrália”, afirma Camargo, do Santander.
Pacheco, da Empiricus, ainda lembra da facilidade de abrir contas no exterior para investir.
“Hoje em dia a facilidade que se tem de acessar o mercado lá fora mostra que já passou da hora de o investidor ter 10%, 20%, 30% de exposição ao exterior. Se olharmos os clientes de alta renda, vamos ver que a maior parte dos recursos deles não está no Brasil, está fora”, diz.
“Não existe o dólar perfeito e sim o dólar feito. O investidor precisa parar com essa obsessão de tentar adivinhar preço ou se concentrar só nisso, porque assim ele perde grandes oportunidades de investimento lá fora. É perder tempo do que você rentabilizaria lá fora”, acrescenta.
Segundo Camargo, do Santander, não há uma resposta fechada para essa pergunta.
“O ano de 2026 vai ser o ano da diversificação. Eu gosto bastante da renda variável. Mas depende muito do perfil do investidor. O melhor é fazer um bom mix, sem perder a pimentinha da IA e da tecnologia”, afirma.
Pacheco, da Empiricus, defende a exposição para além dos EUA. “Eu acho, por exemplo, que a TSMC é uma empresa formidável, mas muita gente olha para o risco geopolítico de China invadir Taiwan. Mas eu acredito que, se isso acontece, a gente vai ter problemas muito maiores no mercado do que lidar com a TSMC”, diz.
Ele ainda cita como uma de suas teses favoritas a Novo Nordisk, que fabrica o Ozempic. “A ação acabou sofrendo muito nos últimos anos, mas, recentemente, a pílula do emagrecimento fabricada pelo Novo Nordisk foi aprovada, e a empresa vai ter um ano de vantagem nessa comercialização. Há um espaço para a valorização”.
Nevares, da G5, cita o combo bolsa, renda fixa e investimentos alternativos no exterior. “Dificilmente o investidor vai achar a bala de prata dos investimentos, então, para o um gestor de patrimônio, acho que vale a pena colocar suas fichas em vários lugares”, diz.
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