Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

MOSAICO DE SOBREVIVÊNCIA

Apagão da vida e da morte: crise de energia para crematórios na Ásia, suspende salários e ameaça o coração da Europa

A crise de combustíveis arrombou a porta na Ásia e agora ameaça entrar pela janela da Europa; confira as medidas de emergência que estão sendo tomadas para conter a disparada do petróleo e do gás no mundo

Carolina Gama
24 de março de 2026
18:05 - atualizado às 16:17
Imagem criada por IA retrata o caos da crise de energia na Ásia e na Europa, com imagem de forno, usinas com fumaça e, ao centro, uma carteira aberta vazia
Imagem criada por IA - Imagem: ChatGPT

Imagine um cenário onde as aulas são suspensas, os salários dos servidores são cortados e até o último adeus é interrompido por falta de energia. Esse não é o roteiro de um filme distópico, mas o retrato atual de uma Ásia sufocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Enquanto o investidor brasileiro monitora o repasse da alta do petróleo nas bombas de combustível, o continente asiático lida com uma paralisia sistêmica que já encosta nos crematórios da Índia e ameaça transbordar para a Europa em abril.

O tamanho do estrangulamento é matemático: em 2025, a Ásia abocanhou 87% do petróleo bruto e 86% do gás natural liquefeito (GNL) que cruzaram o Estreito. Com a torneira fechada pelo conflito entre EUA e Irã, o continente tornou-se um mosaico de sobrevivência.

Segundo Deepali Bhargava, chefe regional de pesquisa do ING para Ásia-Pacífico, a dor não é sentida da mesma forma em todos os lugares.

Enquanto países como Tailândia, Filipinas e Coreia do Sul sentem a pressão primeiro — castigados por reservas fracas e uma dependência visceral das importações —, gigantes como Índia e China ganham fôlego ao trocar o óleo pelo carvão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Singapura e Taiwan tentam se equilibrar em suas robustas posições fiscais para evitar que o apagão social, que já atinge o setor funerário indiano, se torne a regra na região.

Leia Também

Como a Ásia está driblando a crise 

Para tentar mitigar os efeitos do fechamento de Ormuz, os países asiáticos têm adotado as mais variadas medidas de contenção, que devem ter efeitos econômicos importantes.  

A Índia, por exemplo, estabeleceu um sistema de cotas de gás natural direcionado ao setor industrial — uma restrição que paralisou linhas de montagem e afetou a capacidade produtiva de fábricas que dependem de fornos e caldeiras.  

A escassez atingiu até mesmo serviços funerários, com o registro de paralisação nas operações de diversos crematórios que utilizam gás, evidenciando a profundidade da crise de abastecimento que atinge uma das maiores economias da Ásia. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No Paquistão, a crise energética forçou o governo a adotar medidas drásticas de austeridade para equilibrar as contas públicas e garantir o fornecimento mínimo para serviços essenciais.  

As autoridades paquistanesas determinaram a suspensão das aulas em todas as escolas por um período de duas semanas, visando reduzir o consumo de eletricidade e combustível associado ao deslocamento diário. 

Além disso, foi implementado um corte temporário nos salários dos servidores públicos, uma tentativa de conter o déficit financeiro agravado pela necessidade de importar energia a preços inflacionados no mercado internacional. 

Na Tailândia, o governo central emitiu diretrizes para que uma parcela significativa dos funcionários públicos passe a atuar em regime de trabalho remoto.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A estratégia visa diminuir a demanda por transporte urbano e reduzir o consumo de energia elétrica nos prédios governamentais durante o horário comercial. 

As Filipinas instituíram uma semana de trabalho de quatro dias para setores específicos da administração pública. A medida reduz o deslocamento de milhares de trabalhadores e alivia a pressão sobre a rede de distribuição de combustíveis. 

Os países mais ameaçados da Ásia  

As medidas drásticas têm motivo: as reservas de petróleo na Ásia vão se esgotar se o conflito entre EUA e Irã se prolongar.  

Estimativas do Asia Media Centre indicam que Vietnã, Paquistão e Indonésia mantêm reservas suficientes para cerca de 20 dias, enquanto Índia, Tailândia e Filipinas detêm reservas para cerca de dois meses. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A escassez de gás natural liquefeito também é uma ameaça.  

Singapura, Tailândia e Taiwan enfrentam o maior risco para sua capacidade de gerar eletricidade devido à sua forte dependência do GNL: 94%, 64% e 40%, respectivamente.   

Mesmo para países que acumularam grandes reservas estratégicas de petróleo bruto ou GNL, como Japão Coreia do Sul, a profunda dependência da importação ainda os expõe ao risco de estagflação devido ao impacto do aumento dos preços da energia.  

A produção de chips em Taiwan e na Coreia do Sul, por exemplo, está ameaçada devido à dependência de matérias-primas como o hélio — um terço é processado pelo Catar — e o enxofre, um subproduto do refino de petróleo e gás. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa condição já se reflete nas ações de empresas como Samsung e TSMC.  

“Se o governo da Coreia do Sul continuar a limitar os preços no varejo sem oferecer subsídios, as refinarias terão que absorver a crescente lacuna de custos, o que pode não ser uma solução viável no médio prazo”, diz Bhargava. 

O socorro de emergência 

Diante do tamanho da dependência e da crise econômica que se avizinha, o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) não esperou o pior.  

Nesta terça-feira (24), o ADB acionou um pacote de financiamento de emergência para socorrer países que enfrentam pressões fiscais severas. O objetivo é claro: estabilizar economias e garantir que o fluxo de importações essenciais, como energia e alimentos, não pare.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em caráter excepcional, o banco voltou a apoiar financeiramente até as importações de petróleo para evitar um colapso nas cadeias de abastecimento. 

Na Coreia do Sul, o ministro da Energia, Kim Sung Whan, anunciou uma manobra agressiva: a retomada de cinco reatores nucleares e a flexibilização de usinas de carvão para reduzir a dependência do GNL. 

O presidente Lee Jae Myung foi além e convocou a população para uma campanha nacional de economia.  

As medidas incluem redução do uso de carros particulares em instituições públicas, escalonamento de horários de deslocamento de veículos e controle rígido para as 50 maiores empresas consumidoras do país. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já as grandes potências da Ásia tentam amortecer o golpe no bolso do cidadão. 

Na China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma segurou o aumento planejado nos preços de derivados para aliviar a pressão interna. Vale lembrar que 45% do suprimento chinês passa pelo gargalo de Ormuz. 

No Japão, o governo anunciou a liberação de 53,46 milhões de barris das reservas nacionais, e vai injetar cerca de US$ 5 bilhões do fundo de reserva para conter a explosão nos preços da gasolina. 

Segundo a economista do ING, se as perturbações aumentarem, Singapura e Taiwan parecem estar mais bem posicionadas para sustentar preços mais altos do petróleo, apoiadas por posições fiscais relativamente fortes, dinâmicas da conta corrente mais saudáveis e maior capacidade de suporte direcionado.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A Índia também tem uma tolerância significativa, com estatais de petróleo capazes de absorver perdas até que o petróleo ultrapasse US$ 130 o barril. A Indonésia, no entanto, enfrenta uma restrição muito mais apertada assim como as Filipinas”, afirma Bhargava. 

Próxima parada da crise de energia: a Europa 

Se a Ásia já está no olho do furacão, o restante do mundo deve se preparar para a crise de energia.  

Segundo Wael Sawan, CEO da Shell, o impacto que hoje castiga o Sul da Ásia deve atingir o Nordeste da Europa em breve.  

O alerta foi dado no Ceraweek, o principal evento de energia do mundo, realizado em Houston.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo Sawan, a Europa deve começar a ver a crise de combustível bater em sua porta já no mês de abril. 

Warren Patterson, chefe de estratégias de commodities do ING, alerta que o mercado europeu já está precificando uma interrupção de oferta mais longa por causa do conflito no Oriente Médio.  

Segundo a Qatar Energy, os ataques do Irã ao Catar na semana passada impactaram 17% da capacidade de exportação de GNL do local, o que equivale a 3% do comércio global de GNL.  

“Pode levar de três a cinco anos para colocar essa capacidade em funcionamento novamente. Quando você considera essa interrupção, junto com os atrasos na reação da nova capacidade de exportação do Catar, não é surpresa a disparada de preços”, afirma Patterson.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os preços do gás na Europa dispararam 25%, após terem subido anteriormente 30%, atingindo na semana passada o nível mais alto desde o início do conflito entre EUA e Irã. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
TOUROS E URSOS

Impeachment de Trump não seria o ‘ fim do mundo’ — muito pelo contrário. Por que a queda poderia destravar rali nas bolsas?

30 de abril de 2026 - 9:46

Em participação no podcast Touros e Ursos, Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, comentou que o republicano vem enfrentando os menores níveis de popularidade do mandato

"VOCÊS VÃO TER QUE ME ENGOLIR”

A despedida no melhor estilo Zagallo: Powell promete continuar como a pedra no sapato de Trump no Fed

29 de abril de 2026 - 16:54

Embora tenha afirmado que será um governador low-profile, a permanência no conselho até 2028 pode ser uma barreira para possíveis interferências políticas no banco central norte-americano

SEM CONSENSO

Adeus com rebeldia: Powell se despede do comando do Fed com marca histórica em nova decisão sobre juros nos EUA

29 de abril de 2026 - 15:24

A taxa seguiu inalterada como esperado pelo mercado, mas a maior rebelião interna do Fed desde 1992 marca o que deve ser a última reunião de Powell como presidente do banco central norte-americano

O MAIOR ASTROLÁBIO CONHECIDO

Supercomputador de 400 anos vai a leilão e pode alcançar R$ 18 milhões — 7 vezes mais que um Apple-1

28 de abril de 2026 - 9:57

Astrolábio era parte de coleção real de marajás, título dado à realeza indiana, mas instrumento foi vendido e agora vai a leilão na Europa

A GEOPOLÍTICA DA IA

O ‘não’ de US$ 2 bilhões: China ergue muralha contra Mark Zuckerberg e evita o ‘roubo’ da próxima DeepSeek

27 de abril de 2026 - 18:03

A Meta queria a Manus, a startup de IA que atingiu US$ 100 milhões em receita em apenas oito meses e se tornou o novo pivô da guerra tecnológica entre EUA e Pequim

TRIÂNGULO AMOROSO

O amor está no ar (e nos dividendos): os três crushes dos investidores americanos no Brasil — e em quem eles dão o fora

27 de abril de 2026 - 14:28

O Brasil é a preferência disparada entre os investidores nos EUA quando o assunto é América Latina, mas um queridinho por aqui não está mais no coração dos norte-americanos

DIPLOMACIA VERSÃO HOME OFFICE

Trump descarta viagem para negociações com Irã e diz que guerra acabará “em breve”

26 de abril de 2026 - 17:49

Em entrevista à Fox News, presidente dos EUA diz que prefere negociar à distância, vê fim próximo da guerra no Oriente Médio e reclama de aliados

ATAQUE EM WASHINGTON

Tiroteio em jantar com Trump provoca pânico na Casa Branca; veja o que se sabe até agora

26 de abril de 2026 - 11:29

Presidente e primeira-dama foram evacuados após invasor armado abrir fogo; autoridades apontam possível ação de “lobo solitário”

SEM TRÉGUA

EUA não renovarão isenções para a compra de petróleo russo e iraniano, mas negociações seguem firme no Paquistão

25 de abril de 2026 - 15:18

Os Estados Unidos liberaram a isenção de sanções para as vendas de petróleo e derivados russos em março

PANTEÃO DAS BIG TECHS

O Olimpo tem dono: Nvidia rompe os US$ 5 trilhões em valor de mercado e desafia a chegada do Armagedom

24 de abril de 2026 - 18:52

A fabricante de chips não esteve sozinha; nesta sexta-feira (24), as ações da Intel dispararam 24%

IMÃ DE DINHEIRO

Brasil tem lenha para queimar, mas o investidor deve ficar de olho em outros quatro emergentes para lucrar

24 de abril de 2026 - 18:35

UBS WM revisou o alvo para o índice MSCI Emerging Markets para 1.680 pontos até dezembro de 2026, representando um potencial de dois dígitos, ancorado em uma previsão de crescimento de lucros de 33% para as empresas desses países

ABRINDO O JOGO

André Esteves, do BTG Pactual, alerta: “Árvores não crescem até o céu”— e diz onde o investidor deveria colocar o dinheiro agora

23 de abril de 2026 - 18:50

Executivo revela por que ativos latinos são o novo refúgio global contra a incerteza da IA e a geopolítica, e ainda dá uma dica para aproveitar as oportunidades de investimento

ALÉM DAS CORDILHEIRAS

Próxima parada, Chile. Presidente José Antonio Kast revela os planos do país vizinho na busca pelo capital estrangeiro

23 de abril de 2026 - 18:29

O líder chileno participou do Latam Focus 2026, evento organizado pelo BTG Pactual, que reuniu a nata do mundo político e empresarial em Santiago, e mandou um recado para os investidores

OPORTUNIDADE NO EXTERIOR

Portas abertas para a Europa: como é morar no país que busca brasileiros para trabalhar lá?

23 de abril de 2026 - 15:07

Finlândia, o país “mais feliz do mundo”, abre oportunidade para profissionais brasileiros que querem ganhar em euro.

APERTOU OS CINTOS

A gigante da aviação na Europa que evitou o voo de galinha com um corte 20 mil viagens para economizar com combustível

21 de abril de 2026 - 16:27

A companhia aérea vai passar a tesoura em rotas de curta distância programadas até outubro, uma tentativa de economizar combustível diante da ameaça de escassez e da volatilidade dos preços causada pelo conflito no Oriente Médio

CARRASCO OU SALVADOR

O homem de US$ 100 milhões que pode mexer com sua carteira: Kevin Warsh incendeia Washington ao falar o que pensa sobre juros e inflação

21 de abril de 2026 - 15:22

Indicado de Trump para comandar o Federal Reserve passou por audiência de confirmação nesta terça-feira (21) no Senado norte-americano, e o Seu Dinheiro listou tudo o que você precisa saber sobre o depoimento

GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Trump diz que Estados Unidos não serão “chantageados” pelo fechamento do Estreito de Ormuz e reafirma “boas conversas” com Irã

18 de abril de 2026 - 13:02

Após o Irã reverter a abertura da passagem marítima, presidente norte-americano minimiza a medida como tática de pressão

GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Irã fecha Estreito de Ormuz novamente e interrompe escoamento de petróleo

18 de abril de 2026 - 9:38

Teerã alega “pirataria” dos EUA para encerrar breve abertura da via estratégica; Donald Trump afirma que cerco naval só terminará com conclusão total de acordo.

GOAT

Quem é melhor (como cartola): Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo?

16 de abril de 2026 - 19:02

Mais cedo ou mais tarde, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo vão se aposentador dos gramados, mas não vão abandonar o futebol. Ambos se preparam para virar dirigentes.

O PIX VAI CANTAR

Como Javier Milei colocou o FMI para ‘dançar tango’ e garantiu mais US$ 1 bilhão para os cofres da Argentina

15 de abril de 2026 - 17:55

Com orçamento aprovado e foco no superávit, governo argentino recebe sinal verde do Fundo; entenda como a economia vizinha está mudando (para melhor)

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia