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A crise de combustíveis arrombou a porta na Ásia e agora ameaça entrar pela janela da Europa; confira as medidas de emergência que estão sendo tomadas para conter a disparada do petróleo e do gás no mundo
Imagine um cenário onde as aulas são suspensas, os salários dos servidores são cortados e até o último adeus é interrompido por falta de energia. Esse não é o roteiro de um filme distópico, mas o retrato atual de uma Ásia sufocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
Enquanto o investidor brasileiro monitora o repasse da alta do petróleo nas bombas de combustível, o continente asiático lida com uma paralisia sistêmica que já encosta nos crematórios da Índia e ameaça transbordar para a Europa em abril.
O tamanho do estrangulamento é matemático: em 2025, a Ásia abocanhou 87% do petróleo bruto e 86% do gás natural liquefeito (GNL) que cruzaram o Estreito. Com a torneira fechada pelo conflito entre EUA e Irã, o continente tornou-se um mosaico de sobrevivência.
Segundo Deepali Bhargava, chefe regional de pesquisa do ING para Ásia-Pacífico, a dor não é sentida da mesma forma em todos os lugares.
Enquanto países como Tailândia, Filipinas e Coreia do Sul sentem a pressão primeiro — castigados por reservas fracas e uma dependência visceral das importações —, gigantes como Índia e China ganham fôlego ao trocar o óleo pelo carvão.
Já Singapura e Taiwan tentam se equilibrar em suas robustas posições fiscais para evitar que o apagão social, que já atinge o setor funerário indiano, se torne a regra na região.
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Para tentar mitigar os efeitos do fechamento de Ormuz, os países asiáticos têm adotado as mais variadas medidas de contenção, que devem ter efeitos econômicos importantes.
A Índia, por exemplo, estabeleceu um sistema de cotas de gás natural direcionado ao setor industrial — uma restrição que paralisou linhas de montagem e afetou a capacidade produtiva de fábricas que dependem de fornos e caldeiras.
A escassez atingiu até mesmo serviços funerários, com o registro de paralisação nas operações de diversos crematórios que utilizam gás, evidenciando a profundidade da crise de abastecimento que atinge uma das maiores economias da Ásia.
No Paquistão, a crise energética forçou o governo a adotar medidas drásticas de austeridade para equilibrar as contas públicas e garantir o fornecimento mínimo para serviços essenciais.
As autoridades paquistanesas determinaram a suspensão das aulas em todas as escolas por um período de duas semanas, visando reduzir o consumo de eletricidade e combustível associado ao deslocamento diário.
Além disso, foi implementado um corte temporário nos salários dos servidores públicos, uma tentativa de conter o déficit financeiro agravado pela necessidade de importar energia a preços inflacionados no mercado internacional.
Na Tailândia, o governo central emitiu diretrizes para que uma parcela significativa dos funcionários públicos passe a atuar em regime de trabalho remoto.
A estratégia visa diminuir a demanda por transporte urbano e reduzir o consumo de energia elétrica nos prédios governamentais durante o horário comercial.
As Filipinas instituíram uma semana de trabalho de quatro dias para setores específicos da administração pública. A medida reduz o deslocamento de milhares de trabalhadores e alivia a pressão sobre a rede de distribuição de combustíveis.
As medidas drásticas têm motivo: as reservas de petróleo na Ásia vão se esgotar se o conflito entre EUA e Irã se prolongar.
Estimativas do Asia Media Centre indicam que Vietnã, Paquistão e Indonésia mantêm reservas suficientes para cerca de 20 dias, enquanto Índia, Tailândia e Filipinas detêm reservas para cerca de dois meses.
A escassez de gás natural liquefeito também é uma ameaça.
Singapura, Tailândia e Taiwan enfrentam o maior risco para sua capacidade de gerar eletricidade devido à sua forte dependência do GNL: 94%, 64% e 40%, respectivamente.
Mesmo para países que acumularam grandes reservas estratégicas de petróleo bruto ou GNL, como Japão e Coreia do Sul, a profunda dependência da importação ainda os expõe ao risco de estagflação devido ao impacto do aumento dos preços da energia.
A produção de chips em Taiwan e na Coreia do Sul, por exemplo, está ameaçada devido à dependência de matérias-primas como o hélio — um terço é processado pelo Catar — e o enxofre, um subproduto do refino de petróleo e gás.
Essa condição já se reflete nas ações de empresas como Samsung e TSMC.
“Se o governo da Coreia do Sul continuar a limitar os preços no varejo sem oferecer subsídios, as refinarias terão que absorver a crescente lacuna de custos, o que pode não ser uma solução viável no médio prazo”, diz Bhargava.
Diante do tamanho da dependência e da crise econômica que se avizinha, o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) não esperou o pior.
Nesta terça-feira (24), o ADB acionou um pacote de financiamento de emergência para socorrer países que enfrentam pressões fiscais severas. O objetivo é claro: estabilizar economias e garantir que o fluxo de importações essenciais, como energia e alimentos, não pare.
Em caráter excepcional, o banco voltou a apoiar financeiramente até as importações de petróleo para evitar um colapso nas cadeias de abastecimento.
Na Coreia do Sul, o ministro da Energia, Kim Sung Whan, anunciou uma manobra agressiva: a retomada de cinco reatores nucleares e a flexibilização de usinas de carvão para reduzir a dependência do GNL.
O presidente Lee Jae Myung foi além e convocou a população para uma campanha nacional de economia.
As medidas incluem redução do uso de carros particulares em instituições públicas, escalonamento de horários de deslocamento de veículos e controle rígido para as 50 maiores empresas consumidoras do país.
Já as grandes potências da Ásia tentam amortecer o golpe no bolso do cidadão.
Na China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma segurou o aumento planejado nos preços de derivados para aliviar a pressão interna. Vale lembrar que 45% do suprimento chinês passa pelo gargalo de Ormuz.
No Japão, o governo anunciou a liberação de 53,46 milhões de barris das reservas nacionais, e vai injetar cerca de US$ 5 bilhões do fundo de reserva para conter a explosão nos preços da gasolina.
Segundo a economista do ING, se as perturbações aumentarem, Singapura e Taiwan parecem estar mais bem posicionadas para sustentar preços mais altos do petróleo, apoiadas por posições fiscais relativamente fortes, dinâmicas da conta corrente mais saudáveis e maior capacidade de suporte direcionado.
“A Índia também tem uma tolerância significativa, com estatais de petróleo capazes de absorver perdas até que o petróleo ultrapasse US$ 130 o barril. A Indonésia, no entanto, enfrenta uma restrição muito mais apertada assim como as Filipinas”, afirma Bhargava.
Se a Ásia já está no olho do furacão, o restante do mundo deve se preparar para a crise de energia.
Segundo Wael Sawan, CEO da Shell, o impacto que hoje castiga o Sul da Ásia deve atingir o Nordeste da Europa em breve.
O alerta foi dado no Ceraweek, o principal evento de energia do mundo, realizado em Houston.
Segundo Sawan, a Europa deve começar a ver a crise de combustível bater em sua porta já no mês de abril.
Warren Patterson, chefe de estratégias de commodities do ING, alerta que o mercado europeu já está precificando uma interrupção de oferta mais longa por causa do conflito no Oriente Médio.
Segundo a Qatar Energy, os ataques do Irã ao Catar na semana passada impactaram 17% da capacidade de exportação de GNL do local, o que equivale a 3% do comércio global de GNL.
“Pode levar de três a cinco anos para colocar essa capacidade em funcionamento novamente. Quando você considera essa interrupção, junto com os atrasos na reação da nova capacidade de exportação do Catar, não é surpresa a disparada de preços”, afirma Patterson.
Os preços do gás na Europa dispararam 25%, após terem subido anteriormente 30%, atingindo na semana passada o nível mais alto desde o início do conflito entre EUA e Irã.
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