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O EFEITO DA GRAVIDADE

O foguete do Ibovespa vai dar ré? Apesar de ser o preferido dos gestores, motor da Selic e do dólar trepidam

Pesquisa do Bank of America mostra que gestores na América Latina preferem o Brasil ao México nos próximos 6 meses. Porém, a decolagem rumo aos 210 mil pontos sofreu uma pane técnica nas expectativas.

Bolsa voando
Imagem: iStock

Sabe aquela história de que foguete não tem ré? Por enquanto, segue valendo, mas quando o assunto é o Ibovespa — que chegou a romper a máxima histórica de 191 mil pontos no mês passado — os investidores estão descobrindo que o “foguete da bolsa” brasileira desacelera na subida.  

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O mais recente levantamento do Bank of America (BofA) com os comandantes dos grandes fundos da América Latina mostra que a contagem regressiva para os 210 mil pontos ficou bem mais silenciosa. 

No mês passado 30%, gestores estavam prontos para ver o Ibovespa romper a estratosfera acima dos 210 mil pontos até o fim de 2026, agora a gravidade é mais forte do que se imaginava. 

A pesquisa do BofA mostra que apenas 15% dos chefes de grandes fundos na América Latina acreditam na potência de motor que pode levar o Ibovespa aos 210 mil ainda este ano.  

Nesta terça-feira (17), o principal índice de bolsa brasileira, que não escapou a fuga dos investidores de ativos arriscados por conta dos conflitos no Oriente Médio, fechou aos 180.409,73 pontos (+0,30%).  

Falha nos motores: lucros em queda livre 

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Para um foguete subir, ele precisa de combustível. No mercado de ações, esse combustível atende pelo nome de lucro das empresas. E é aqui que a missão começou a trepidar. 

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O levantamento do BofA mostra que, em fevereiro, 53% dos gestores esperavam que os lucros fossem revisados para cima. Agora, esse número caiu para 35%. 

Sem o empuxo dos balanços corporativos, fica difícil manter a inclinação da subida.  

Ainda assim, a maioria (76%) acredita que a nave ainda consegue se manter em órbita acima dos 190 mil pontos, patamar similar ao que era visto na pesquisa anterior do banco. 

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Por que os gestores na América Latina estão mais cautelosos? Segundo o BofA, existem alguns detritos preocupantes no radar: a Selic e o dólar.  

Segundo a pesquisa, 69% acreditam que os riscos geopolíticos vão forçar o Banco Central do Brasil a desacelerar o ciclo de queda da Selic, atualmente em 15% ao ano. Sem juros baixos, o foguete da bolsa fica bem mais pesado. 

O Copom deve anunciar a decisão sobre os juros nesta quarta-feira (18), e os últimos levantamentos mostram que todas as opções seguem sobre a mesa: manutenção, corte de 0,25 ponto percentual (pp) ou de 0,50 ponto percentual.  

Além da Selic, o dólar continua sendo o principal fator de risco para a região, agindo como um vento contrário que dificulta a decolagem, de acordo com o levantamento do BofA.  

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Para completar, as mudanças no cenário político doméstico voltaram a ser citadas como um dos grandes motores — ou freios — para o mercado brasileiro. 

Brasil vira o "Cabo Canaveral" da América Latina 

Se serve de consolo para quem está a bordo, o Brasil ainda é visto como uma base de lançamento melhor que a dos vizinhos.  

O levantamento mostrou que os gestores esperam que a bolsa brasileira tenha um desempenho superior ao do México nos próximos seis meses. 

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