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Em dia de forte aversão ao risco, o manual de sobrevivência do mercado mudou. Entenda por que os metais chegaram a cair 10% nesta quinta-feira (19), arrastando as ações das mineradoras

Se você abriu o manual de investimentos nesta quinta-feira (19) esperando encontrar o ouro e a prata brilhando como o refúgio de sempre em tempos de guerra e caos nas bolsas, pode fechar o livro.
Os tradicionais portos seguros do mercado chegaram a registrar queda de 10% hoje, arrastando as ações de mineradoras mundo afora.
Em vez de buscar abrigo nas commodities metálicas, o mercado preferiu a segurança blindada do dólar e, de quebra, aproveitou para liquidar posições e ir às compras em ativos que foram massacrados recentemente.
O resultado foi uma queda de 6% do ouro, que lutava para se manter acima de US$ 4.600 por onça-troy, e de 10% da prata, que passou a ser cotada na casa de US$ 68 por onça no mercado à vista.
O ETF ProShares Ultra Silver chegou a cair 20% antes da abertura desta quinta-feira (19), enquanto o iShares Silver Trust recuou quase 10%, assim como o Physical Silver Shares.
As maiores perdas entre as ações individuais de mineração incluíram Teck Resources, que chegou a recuar 8,9%, enquanto First Majestic Silver e Coeur Mining caíam10% e 9,9%, respectivamente.
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Os BDRs da Aura Minerals (AURA33) também sentiam o baque na B3, com queda de 8% perto do 13h.
Embora o risco geopolítico no Oriente Médio tenda a sustentar os preços do ouro e da prata, várias forças estão jogando contra os metais preciosos neste momento.
O petróleo é um deles. O preço do barril acima de US$ 100 elevou as expectativas de inflação em várias partes do mundo, gerando preocupações de que o Federal Reserve (Fed) e outros bancos centrais possam manter os juros mais altos por mais tempo.
Como resultado, os yields (rendimentos) de títulos de longo prazo subiram, tornando ativos como ouro e outros metais menos atraentes.
Outra força que joga contra os metais preciosos hoje é o dólar, que vem se fortalecendo no último mês, aumentando a pressão sobre os ativos denominados na moeda norte-americana, como o ouro.
Desde o início da guerra entre Irã e EUA, em 28 de fevereiro, o metal acumula queda de cerca de 13%.
O terceiro elemento das forças que derrubam o ouro nesta quinta-feira (19) é explicado por Paul Surguy, diretor-gerente e chefe de gestão e proposta de investimentos do Kingswood Group.
"Os mercados globais têm registrado vendas generalizadas enquanto investidores buscam os ativos mais rápidos para vender. Talvez agora estejamos assistindo à próxima etapa dessa fase, em que os ativos considerados refúgio são vendidos para financiar compras daqueles que podem ter exagerado diante da situação atual", disse.
Iain Barnes, CIO da empresa britânica de gestão de patrimônio Netwealth, completa, afirmando que o aumento da volatilidade no preço do ouro reflete a inclusão mais ampla do metal precioso como um ativo financeiro popular em diferentes portfólios de investimento.
"Investidores financeiros, e não fundamentais, são os compradores marginais de ouro e vemos que eles reduzem o risco em todos os setores", disse.
O ouro sobe cerca de 4% no acumulado ano após um histórico valorização de 65% em 2025, impulsionado por compras de bancos centrais, entradas de ETFs e forte demanda da Ásia.
A prata, um ativo mais especulativo, caiu ainda mais desde a venda de final de janeiro, sofrendo o maior golpe em um único dia desde os anos 1980.
Christopher Lewis, analista da FX Empire, diz que há apoio para o ouro se manter no nível de US$ 4.600 por onça, mas o investidor deve ficar atento a outros movimento do mercado.
“Como investidor, eu ficaria atento a esse nível e também observaria o yield dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA, quando ele se aproxima de 4,3%, porque se ultrapassar esse ponto, provavelmente vai realmente destruir o ouro”, afirmou.
“Abrir mão do patamar de US$ 4.600 do ouro para mim seria um sinal horrível e, no fim das contas, acho que o investidor precisa ficar de olho se isso acontece ou não. Mas, se o yield cair do nível de 4,3%, isso pode ser bom para o metal", acrescenta.
Perto de 11h, o yield dos títulos de dez anos do Tesouro norte-americano renovavam mínimas do dia, apagando ganhos e caindo a 4,26%.
*Com informações da CNBC
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