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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

GLOBAL MANAGERS CONFERENCE BRASIL 2026

A ‘Nvidia chinesa’ já existe? Os setores que devem gerar lucro na China e estão de portas abertas para investidores, segundo gestor

Brendan Ahern, CIO da KraneShares, diz onde o governo chinês acerta, onde erra e onde o Ocidente subestima Pequim — “esse é um caminho que não tem mais volta”

Carolina Gama
31 de março de 2026
14:59 - atualizado às 10:01
Imagem com bandeira da China e montagem representando a economia do país
China - Imagem: Shutterstock

A obsessão do mercado por encontrar uma Nvidia chinesa pode estar cegando investidores para o que já é realidade. Embora não exista hoje uma equivalente direta da gigante de chips, a China consolidou empresas cada vez mais competitivas em setores onde a demanda global é esmagadora, como tecnologia limpa e serviços de saúde — e que valem a pena investir. 

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Quem diz isso é Brendan Ahern, CIO da KraneShares — uma gestora de ativos focada em fundos de índice negociados em bolsa (ETFs) e estratégias de investimento globais, especializada principalmente em mercados chineses e investimentos temáticos.  

“A China passou por muita reforma financeira. Antigamente, investir na China era bem mais difícil. Hoje é mais fácil entrar no mercado chinês”, afirmou ele nesta terça-feira (31) durante a Global Managers Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual Asset Management. 

Entre os setores que mais chamam atenção na China agora, Ahern cita saúde e tecnologia de consumo. 

Na área da saúde, executivo diz que o avanço é impulsionado por descobertas de fármacos para o câncer e um progresso massivo em biotecnologia. Já na tecnologia de consumo, a próxima fronteira não é apenas o software, mas a robótica integrada à inteligência artificial (IA)

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Ele citou os robôs chineses, que hoje já são usados na montagem de carros e devem chegar a 90% das residências em dez anos.  

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"Eles parecem um robô de brinquedo, mas quando se coloca IA, viram uma ferramenta potencial. Isso não um sonho, é o agora. E não há como frear esse avanço", disse Ahern. 

O frio na barriga da volatilidade 

Apesar do otimismo com os fundamentos, o investimento na China não é para amadores ou corações sensíveis. O grande desafio, segundo Ahern, é a volatilidade

“Precisamos pensar em como mitigar essa volatilidade, que influencia as posições dos investidores”, disse. 

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O CIO da KraneShares reconhece que, atualmente, o desinteresse institucional pela China nos EUA é recorde, mas no resto do mundo, a história é outra.  

“Uma pesquisa recente do JP Morgan mostrou que 41% dos gestores têm zero interesse em ações chinesas, muitos citando o risco geopolítico, enquanto 35% citam interesse baixíssimo”, afirmou.  

“No entanto, no Oriente Médio, na Oceania e na Europa, as demandas seguem sendo atendidas por empresas chinesas. Está havendo esse reequilíbrio com relação à China, mas isso se dá muito lentamente”, acrescentou.  

Para quem busca oportunidades, os setores de veículos elétricos e híbridos, painéis solares e biotecnologia apresentam tendências de alta consistentes. A chave, segundo Ahern, está em olhar para quem realmente opera no país. 

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"Executivos da Vale dizem que dá demanda consistente por aço e minério de ferro. Não vou confiar nas manchetes que dizem que a China está sempre a um passo de implodir e sim na empresa que faz negócios”, disse.  

Sem amigos, nem inimigos: o pragmatismo da China

Um dos pontos que mais gera ruído no mercado é a postura geopolítica da China e o risco de conflitos, como uma eventual invasão a Taiwan. No entanto, Ahern pontua que o motor principal do governo chinês não é a ideologia, mas a estabilidade. 

"A China se preocupa com o seu interesse, com seu próprio interesse. Eles não têm amigos ou inimigos", afirmou.  

Essa busca por equilíbrio interno explica por que o governo prioriza o aumento do consumo doméstico e o investimento em tecnologia confiável.  

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Para o CIO da KraneShares, o governo chinês reconhece erros passados, como a falta de transparência no início da pandemia de covid-19 e na crise imobiliária, que "alimentaram os medos que as pessoas têm com relação a investir na China".  

Agora, o foco se volta para a autoconfiança tecnológica, segundo o executivo, setor no qual o país deve concentrar o maior volume de capital. 

Mas se a China falha na transparência, acerta na educação. Segundo Ahern, o país agora colhe os frutos de uma aposta que o Ocidente negligenciou em suas análises. 

“Não temos arte na China, mas temos ciência, tecnologia, matemática e engenharia. Não temos artistas, temos a colheita dos frutos do investimento educacional, esse é um caminho que não tem mais volta”, afirmou. 

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É nesse pilar de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) que reside a força que permite à China exportar patentes de biotecnologia para a Suíça e tecnologia para o resto do mundo. 

“A China colhe os frutos do investimento em educação e é aqui que o Ocidente subestimou os chineses. A chave para todo o avanço que vemos na China é a educação, e isso não tem mais volta”, afirmou.  

A relação (difícil) da China com Trump 

Para o investidor que está preocupado com a relação entre EUA e China, o CIO da KraneShares traz algum alívio: os negócios podem abrir as portas para uma relação menos conflituosa entre as duas maiores economias do mundo.  

[Donald] Trump é muitas coisas, mas acima de tudo um homem de negócios. Então, se os negócios andarem, a parte geopolítica melhora significativamente”, disse.  

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Neste contexto, Ahern diz que a visita programada de Trump para a China tem um papel chave na relação entre os dois países. O presidente-norte-americano iniciaria a viagem nesta quarta-feira (31), mas a visita foi adiada por conta da guerra entre EUA e Irã.  

“Quando Trump vai à China, ele quer anunciar grandes negociações e contratos. A ida dele à China deve facilitar parcerias entre empresas chinesas e norte-americanas", afirmou o executivo, reconhecendo que muitas companhias da China foram impedidas de fazer negócios nos EUA pelo republicano. 

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