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O JEITO DE JEROME

Powell se arrependeu e usa palco de Harvard para dar pista sobre os juros da maior economia do mundo

Participando de evento na universidade nesta segunda-feira (30), ele avalia falou sobre o futuro da política monetária com a guerra e a inflação batendo na porta do banco central norte-americano

Jerome Powell, presidente do Fed, com efeito
Montagem com Jerome Powell, presidente do Fed - Imagem: Federal Reserve / Montagem Brenda Silva

“Regrets, I´ve had a few” (Arrependimentos, tenho alguns). Poderia ser Frank Sinatra, mas é Jerome Powell. Sem perceber a referência, foi assim que o presidente do Federal Reserve (Fed) respondeu à pergunta sobre arrependimentos à frente do banco central norte-americano.  

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Em evento na Universidade de Harvard, Powell decidiu encarar o público nesta segunda-feira (30) como quem está prestes a descer do palco. Ele deixa o cargo em maio deste ano e deve ser substituído por Kevin Warsh, indicado de Donald Trump que ainda precisa ser validado pelo Senado dos EUA

Fiel ao estilo de quem sabe que o efeito de juros altos na economia e nos mercados, Powell evitou dar conselhos diretos ao seu sucessor.  

“Uma das coisas que você aprende na vida é não dar conselhos se não pedem", disse ele, mas, ainda assim, deixou diretrizes claras para quem sentar a cadeira: foco total no mandato. 

“É muito importante se atear ao que foi definido, resistir à tentação de não olhar para outras áreas. O Fed tem ferramentas muito poderosas, e é muito tentador usar algumas delas alegando que faz parte do mandato”, afirmou.  

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A declaração acontece depois que Powell sofreu bastante pressão de Trump por juros menores. Atualmente, as taxas por lá estão na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, e não há sinais de cortes no curto prazo. 

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Vale lembrar que o mandato do Fed é duplo: inflação em 2% no longo prazo e pleno emprego — este último não ter um percentual definido. Ambos são determinados pelo Congresso norte-americano e servem de guia para a política monetária nos EUA e para os juros.  

Nem só de poesia vive o Fed: o choque da realidade e do petróleo 

Apesar do tom nostálgico e da referência musical quase sem querer, o mundo real não dá tréguas para Powell na reta final de seu mandato no Fed.  

Entre um conselho e outro, o fantasma da inflação e os tambores de guerra no Oriente Médio forçaram Powell a voltar ao tecnicismo habitual durante a visita à Harvard.  

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O diagnóstico para o momento atual é de cautela máxima. Powell admitiu que a escalada das tensões envolvendo EUA, Israel e Irã coloca pressão direta nos preços de energia e adiciona uma névoa de incerteza sobre o cenário inflacionário. 

Powell destacou que o choque atual é de oferta, onde a política monetária tem "efeito limitado" no curto prazo. A estratégia, por enquanto, é "olhar através" dos choques de energia, que costumam ser transitórios. 

Segundo ele, mexer nos juros agora poderia ter um efeito defasado e inadequado. O entendimento do presidente do Fed é de que o banco central norte-americano está em um "bom lugar para esperar e ver" a evolução dos dados. 

Sobre a meta de inflação de 2%, ele admitiu o que os indicadores escancaram: a economia dos EUA ainda não consolidou a inflação no alvo. 

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“Temos nos aproximado de 2%, mas nunca realmente chegamos lá e permanecemos nesse nível”, afirmou. 

Ele também reconheceu que, além da geopolítica, as tarifas comerciais estão pesando no bolso do cidadão norte-americano, com um impacto estimado entre 0,5 e 1 ponto percentual na inflação. 

O índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) — a medida preferida do Fed para a inflação — subiu 0,3% em janeiro ante dezembro e 2,8% na comparação anual.  

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The final curtain: o último ato 

Antes de deixar o palco em Harvard, Powell guardou os últimos compassos para quem está apenas começando a ensaiar seus primeiros passos na carreira — a plateia estava repleta de estudantes nesta segunda-feira (30).  

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Se "My Way" é uma ode a uma trajetória concluída, o presidente do Fed fez questão de lembrar que o cenário para os novos talentos exige, acima de tudo, resiliência. 

Powell não dourou a pílula: admitiu que o ambiente atual é mais árduo para quem ingressa agora no mercado de trabalho. 

"Não há como negar que é um momento desafiador", afirmou, citando a desaceleração na criação de vagas nos EUA e as mudanças estruturais que redesenham a economia. 

Em fevereiro, a economia dos Estados Unidos cortou 92 mil vagas em fevereiro, em termos líquidos, segundo o payroll, principal relatório de emprego dos EUA, acima das projeções. A taxa de desemprego, por sua vez, subiu de 4,3% em janeiro para 4,4%.  

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Fiel ao espírito de reinvenção que marca a história norte-americana, Powell encerrou sua participação em Harvard com um voto de confiança no longo prazo.  

Segundo ele, a economia dos EUA segue "incrivelmente dinâmica e produtiva" quando comparada a outros gigantes globais. Ele apontou a inteligência artificial (IA) como a grande aliada dessa nova orquestra.  

Embora reconheça que a transição possa gerar "dificuldades temporárias" e ajustes dolorosos nas empresas, o veredito de Powell é claro: a tecnologia elevará o padrão de vida e a eficiência de quem souber se adaptar. 

"Sou muito otimista em relação ao médio e longo prazo", disse ele, antes de se despedir da plateia.  

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