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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

BALDE DE ÁGUA FRIA?

Desvendando a ata do Fed: como o novo sinal sobre os juros nos EUA pode mexer com a bolsa brasileira

O investidor local tem visto uma enxurrada de dinheiro gringo entrar na bolsa brasileira, mas a ata desta quarta-feira (18) mostra como essa dinâmica pode mudar — ainda que momentaneamente

Carolina Gama
18 de fevereiro de 2026
17:31 - atualizado às 17:52
Imagem mostra Jerome Powell como grande estrela do mercado financeiro
Imagem: Shutterstock, com intervenções de Andrei Morais

A ata do Federal Reserve (Fed) é um dos documentos de política monetária mais importantes para os mercados globais. Nele, o banco central norte-americano dá sinais do que pode acontecer com os juros na maior economia do mundo. Nesta quarta-feira (18), o documento trouxe pistas para todos os investidores, inclusive os brasileiros.  

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O ponto de atenção é o trecho que diz: “Ao considerar as perspectivas para a política monetária, vários participantes [do comitê] comentaram que ajustes adicionais para baixo na taxa de juros provavelmente seriam apropriados caso a inflação caísse de acordo com suas expectativas". 

Em outras palavras, a ata mostra que as autoridades do Fed estavam divididas na reunião de janeiro sobre novos cortes de juros nos EUA, sinalizando que o afrouxamento monetário por lá deveria ser pausado e só poderia ser retomado mais tarde no ano se a inflação cooperar. 

O que isso significa para o investidor brasileiro? 

O investidor brasileiro tem visto uma enxurrada de dinheiro gringo entrar na bolsa brasileira, o que tem levado o Ibovespa a renovar uma sequência de recordes.  

A entrada de recursos estrangeiros aqui tem como motor a diversificação ao mercado norte-americano — em meio às incertezas provocadas pelas políticas de Donald Trump — e atratividade da Selic em 15%. 

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No entanto, a sinalização a ata do Fed desta quarta-feira (18), pode alterar um pouco da dinâmica da bolsa brasileira. 

Leia Também

  1. Juros mais altos por mais tempo 

Quando o Fed diz que os cortes devem ser pausados por agora, confirma que os juros norte-americanos ficarão no patamar restritivo por mais tempo. O impacto é o encarecimento do custo de capital no mundo todo.  

Para o investidor estrangeiro, se o porto seguro (títulos do Tesouro dos EUA) continua pagando juros altos e sem previsão de queda imediata, o incentivo para arriscar dinheiro em países emergentes como o Brasil diminui momentaneamente.  

Isso significa que podemos ver uma estabilização ou leve saída de capital especulativo nos próximos dias. 

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  1. A dependência de dados de inflação 

O Fed condiciona a retomada dos cortes à inflação — uma das metas do banco central norte-americano é a estabilidade de preços, com a inflação em 2%. 

Isso significa que o mercado financeiro brasileiro ficará extremamente sensível aos dados de inflação dos EUA (CPI e PCE) que sairão nos próximos meses. Portanto, pode haver maior volatilidade na bolsa brasileira.  

Cada vez que sair um dado de inflação nos EUA mais baixo que o esperado, a tendência é que o Ibovespa suba. Mas se a inflação nos EUA vier acima do projetado, a bolsa brasileira tende a sofrer pressão vendedora. 

  1. Diferencial de juros e câmbio  

Se os EUA não cortam juros e o Brasil decidir cortar a Selic, o diferencial de juros entre os dois países diminui. 

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Esse descompasso pode atrair menos dólares para o Brasil, o que pressionaria o câmbio para cima.  

Um dólar mais alto é ruim para empresas brasileiras dependentes de importação ou com dívidas em moeda estrangeira, mas pode beneficiar exportadoras. 

Juros: os outros recados da ata do Fed 

Embora a decisão de manter os juros inalterado na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano tenha sido amplamente aprovada na primeira reunião do Fed de 2026, o caminho a seguir parece menos certo, de acordo com a ata. 

Isso porque os participantes da reunião discordaram sobre para onde a política monetária deveria caminhar, com autoridades debatendo se o foco deveria ser mais no combate à inflação ou no apoio ao mercado de trabalho — outro mandato perseguido pelo banco central norte-americano.  

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"Alguns participantes comentaram que provavelmente seria apropriado manter os juros inalterados por algum tempo enquanto o comitê avalia cuidadosamente os dados recebidos, e vários desses participantes julgaram que um alívio adicional da política pode não ser justificado até que haja indicações claras de que o progresso da desinflação estava firmemente de volta aos trilhos", afirmou a ata. 

Além disso, alguns até consideraram a ideia de que aumentos de juros poderiam estar em cima da mesa e queriam que a declaração pós-reunião refletisse mais de perto "uma descrição bilaterais das futuras decisões do comitê sobre taxas de juros." 

A divisão no caminho dos juros nos EUA 

O Fed reduziu os juros em 25 pontos-base em cortes consecutivos em setembro, outubro e dezembro do ano passado.  

A reunião de janeiro, que manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%, foi a primeira para um novo elenco de presidentes regionais. Pelo menos dois deles, Lorie Logan, de Dallas, e Beth Hammack, de Cleveland, disseram publicamente que acham que o Fed deveria ficar em espera por tempo indeterminado. Ambos veem a inflação como uma ameaça contínua.  

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Todos os 19 governadores e presidentes regionais participaram da reunião, mas apenas 12 votam. 

Com o Fed já dividido por linhas ideológicas, a fissura pode se aprofundar se Kevin Warsh for confirmado como o próximo presidente do banco central. Jerome Powell, atual chefe do Fed, deixa o cargo em maio. 

Warsh já se manifestou a favor de taxas mais baixas, posição também apoiada pelos atuais governadores Stephen Miran e Christopher Waller. Tanto Waller quanto Miran votaram contra a decisão de janeiro, preferindo outro corte de 25 pb.  

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