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NÚMEROS INCERTOS

Investidores no escuro? Veja por que a Oncoclínicas (ONCO3) descontinuou a divulgação das projeções de lucro e Ebitda

A decisão tem em vista fatores macroeconômicos que o setor de saúde vem enfrentando ao longo dos últimos anos, associado ao desempenho financeiro da companhia

Money Times
23 de abril de 2026
9:33 - atualizado às 9:34
Imagem: Divulgação

A Oncoclínicas (ONCO3) anunciou ao mercado a descontinuação do guidance (projeções) da companhia divulgadas em outubro, mostra fato relevante divulgado na noite de quarta-feira (22).

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À época, a empresa previa uma receita líquida de R$ 6,29 bilhões para 2026 e de R$ 6,98 bilhões para 2027, com um lucro bruto de R$ 2,10 bilhões para 2026 e de R$ 2,34 bilhões para 2027.

Ainda em outubro, a Oncoclínicas projetou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), excluindo plano de incentivo de longo prazo, de R$ 1,08 bilhões para 2026 e de R$ 1,26 bilhões para 2027 e um capex de R$ 80 milhões tanto para 2026 como para 2027.

A decisão tem em vista fatores macroeconômicos que o setor de saúde vem enfrentando ao longo dos últimos anos, associado ao desempenho financeiro da companhia nos últimos trimestres.

“A companhia segue monitorando seu desempenho operacional e financeiro e manterá seus acionistas e mercado em geral informados sobre ações adicionais bem como novos desenvolvimentos a respeito do assunto”, diz o documento.

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Os resultados recentes da Oncoclínicas

No início deste mês, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, aumentando as perdas de R$ 759 milhões que já haviam sido registradas no mesmo período de 2024.

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O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 238,8 milhões, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.

A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.

A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

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Pressão financeira na Oncoclínicas

A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

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Fôlego financeiro

Na última semana, o conselho de administração da Oncoclínicas aprovou proposta apresentada pela MAK Capital e pela Lumina Capital para dar fôlego financeiro à companhia. A proposta será financiada pela Lumina, no valor entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, a depender do valor das garantias disponíveis.

A injeção de dinheiro terá como objetivo viabilizar a aquisição de medicamentos pela companhia junto à OncoProd e preservar a geração de receitas de ambas as companhias e a continuidade de sua cadeia de fornecimento essencial.

A operação será garantida por meio de cessão fiduciária de recebíveis de contratos com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras.

Para atender às condições impostas por MAK e Lumina, o conselho aceitou a renúncia imediata de Bruno Ferrari como membro e vice-presidente do conselho, e nomeou o indicado pela MAK, Mateus Affonso Bandeira, e o CEO Carlos Gil Ferreira para ocupar as vagas abertas no conselho até a assembleia de acionistas de 30 de abril de 2026.

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