A estreia deste banco na bolsa foi um balde de água fria, mas o futuro pode guardar alta de 80%, segundo o BTG
Após a estreia na bolsa, Agibank acumula queda superior a 30%; apesar da revisão para baixo nas projeções, analistas ainda veem potencial de alta, em meio a pressões externas e impactos no crédito consignado

A volta das ofertas públicas (IPOs) após um hiato de cinco anos ganhou tração com Agibank (AGBK) e PicPay (PICS). Ainda assim, o desempenho das ações desde a estreia tem frustrado.
Em vez de embalar, os papéis passaram a acumular perdas, repetindo um padrão já visto em outras aberturas recentes. No caso do Agibank, a desvalorização já passa de 30%, levantando a dúvida sobre se o ativo virou uma oportunidade ou se ainda há mais risco pela frente.
Em relatório, o BTG cortou o preço-alvo de US$ 17 para US$ 14 e diminuiu as projeções de lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) em 12% para 2026 e 8% para 2027. Mesmo assim, o preço ainda embute potencial de alta de 80% em relação ao ano passado, o que sustenta a recomendação de compra.
Segundo os analistas, não só o cenário mais desafiador, mas também a guerra do Irã e uma onda de vendas de ações de empresas de tecnologia americanas de alto crescimento bateram na ação. Além disso, a interrupção do crédito consignado do INSS terá impactos maiores do que o esperado.
No ano passado, o órgão suspendeu novos créditos. Somente no final de fevereiro o Agibank conseguiu retomar esses empréstimos. A linha era uma das mais rentáveis e importantes do banco.
Um pouco frustrante, mas…
Para o BTG, não é possível dourar a pílula: o cenário é um pouco frustrante. Segundo os analistas, não atingir as expectativas logo após o IPO nunca é bom, e este caso não é exceção.
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Acontece que nem tudo está perdido. Pelo contrário: é possível acreditar que a deterioração dos resultados é temporária, “e esperamos uma normalização entre o segundo semestre de 2026 e 2027”. “Marciano Testa, CEO do Agibank, conhece o segmento INSS melhor do que ninguém e entende as complexidades operacionais do negócio.”
Mas o tempo está correndo: a liquidez piora, enquanto o BTG teme que, com uma perspectiva de curto prazo ainda desafiadora, ainda menos investidores se interessem pela empresa. “Já destacamos o risco de ela se tornar uma ação órfã.”
De todas as formas, os analistas destacam que as ações continuam muito baratas e continuam a ver vantagens competitivas do Agi, tanto regulatórias quanto culturais.
Agibank tem início de ano fraco
Segundo os analistas, o quarto trimestre foi pressionado por uma forte desaceleração no crescimento do crédito após o ‘cartão vermelho’ do INSS.
Além disso, pesaram contra o banco o custo de risco maior, modelos preditivos de crédito mais conservadores e aumento de empréstimos não produtivos (NPLs) em safras iniciais de empréstimos trabalhistas privados.
No período, teve lucro líquido de R$ 214,9 milhões, alta de 9,2%. O número não animou investidores. Na sessão seguinte, o papel caiu mais de 6%.
Para o primeiro trimestre, o BTG espera números mais normalizados. Porém, o efeito negativo da suspensão do INSS parece mais acentuado do que inicialmente previsto, “afetando particularmente a limpeza”.
Já a concessão de empréstimos pessoais deverá diminuir em relação ao trimestre anterior e afetar o crescimento do crédito. Com tudo isso, o BTG diminuiu em 17% a projeção de lucro, para R$ 180 milhões, o que representaria uma queda de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 18,2%.
CEO reafirma otimismo
Marciano Testa, no entanto, reiterou que continua a considerar a tese de crescimento intacta. O mercado
total de empréstimos consignados no Brasil gira em torno de R$ 750 bilhões, o que equivale a quase dois PIBs do Uruguai.
Mais do que isso, a expectativa é de um crescimento anual de aproximadamente 7,58%, o que implica um crescimento acumulado de cerca de 36% em quatro anos, chegando a quase R$ 1 trilhão.
Desse dinheirão, o Agibank está de olho em 10% nos segmentos público, privado e do INSS, o que sugere um potencial de mais que triplicar de tamanho nesse período.
Isso significaria que o banco se tornaria três vezes maior em apenas quatro anos. E não para por aí. Todo esse crescimento deve vir acompanhado de forte rentabilidade, com o número de funcionários corporativos praticamente estável e rentabilidade (ROE) projetado entre 25% e 30%, “percentual ainda considerado conservador por Marciano”.
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