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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SOB A LUPA DOS ANALISTAS

A conta chegou para os bancos digitais? Safra liga alerta para “teste de fogo” de Nubank e Inter no 1T26

Safra vê 2026 como teste para o setor bancário brasileiro e diz que lucro sozinho já não explica as histórias de investimento; veja as apostas dos analistas

Camille Lima
Camille Lima
20 de abril de 2026
19:19 - atualizado às 16:20
Nubank e banco Inter
Imagem: Reprodução/Montagem Leticia Pinheiro

O início do ano costuma ser um teste silencioso — e decisivo — para os bancos brasileiros. É quando a conta chega: depois do fim de ano, entram impostos, despesas acumuladas e um consumidor mais pressionado. O resultado costuma aparecer na mesma linha do balanço: a inadimplência

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Em 2026, o roteiro se repete. Mas, desta vez, o mercado está olhando com mais atenção para quem cresceu de forma acelerada nos últimos anos: os bancos digitais.  

Em relatório, o Safra coloca Nubank (ROXO34) Banco Inter (INBR32) sob uma lente mais exigente — e deixa claro que, agora, o lucro isolado já não basta para sustentar a tese. 

A dúvida que passa a guiar a temporada de resultados é: o crescimento segue saudável ou já começa a cobrar seu preço? 

"O início de 2026 pode marcar um teste importante para o setor. Se a piora dos indicadores ficar restrita à sazonalidade, a tese de crescimento tende a permanecer de pé. Se houver sinais de deterioração mais estrutural, o mercado deve revisar expectativas para os bancos digitais”, avalia o banco. 

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O verdadeiro teste dos bancos digitais na largada de 2026 

O primeiro trimestre quase sempre traz uma pressão adicional sobre a qualidade do crédito. É um movimento conhecido, quase automático, ligado ao aperto no orçamento das famílias após o fim de ano. 

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Mas, desta vez, o Safra vê algo além do padrão sazonal. Segundo os analistas, há sinais de uma deterioração mais disseminada nos atrasos dentro do sistema financeiro — o que muda o peso da análise. Não se trata apenas de saber se a inadimplência subiu, mas por que ela subiu. 

“A próxima rodada de resultados deve ajudar a diferenciar o que é efeito sazonal do que pode indicar uma deterioração mais estrutural”, avaliam os analistas. 

Nubank não para de crescer (e de gastar)  

Se o Nubank fosse um corredor, ele ainda estaria ganhando velocidade enquanto parte do mercado começa a ajustar o passo. 

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O banco digital divulga seus números em 14 de maio, e o Safra projeta um lucro líquido de US$ 926 milhões no primeiro trimestre — alta de 66% em relação ao mesmo período do ano passado. 

O motor permanece o mesmo: crescimento da carteira de crédito, estimado em 6,3% no trimestre, combinado a ganhos no custo de captação. A margem financeira também deve avançar, levando o lucro bruto a cerca de US$ 2,04 bilhões, nas contas do Safra. 

Até aqui, nada fora do esperado para uma das histórias de crescimento mais consistentes do setor. Mas há duas variáveis que começam a ganhar protagonismo.

A primeira é a inadimplência. O Safra projeta alta de 18 pontos-base nos atrasos acima de 90 dias, para 6,8%, com leve aumento também no custo de risco. Por ora, o movimento é visto como parte do comportamento sazonal. 

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A segunda, e talvez mais relevante, é o custo de sustentar esse crescimento. O Safra projeta uma alta de mais de 70% nas despesas operacionais na comparação anual, reflexo de três frentes principais: 

  • Expansão internacional; 
  • Retorno mais intenso ao escritório; 
  • Investimentos contínuos em tecnologia. 

Na prática, o Nubank entra em uma nova fase de avaliação. O crescimento segue forte — mas o mercado quer entender se ele vem acompanhado de eficiência. 

“Embora a companhia já tenha antecipado essas pressões, o movimento deve pesar sobre os indicadores de eficiência ao longo de 2026”, diz o Safra. “Na prática, isso significa que o mercado deve avaliar não apenas o crescimento da operação, mas também a capacidade do banco de preservar rentabilidade em meio ao aumento de custos.” 

Esse é o ponto de inflexão. Se antes a principal pergunta era “o Nubank consegue crescer?”, agora ela muda de forma: ele consegue crescer mantendo eficiência? 

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Inter: a prova da "seletividade"  

Enquanto o Nubank segue no ataque, o Banco Inter (INBR32) parece estar jogando de forma mais defensiva. Com o balanço marcado para o dia 7 de maio, a expectativa é de um lucro líquido de R$ 394 milhões, com um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,4%

Para os analistas, o crescimento da carteira deve continuar relevante, mas já mostrar desaceleração — especialmente nas linhas mais sensíveis ao risco. 

A carteira total deve avançar 33% em 12 meses, abaixo dos 36% registrados no fim de 2025. No cartão de crédito, o ritmo também perde fôlego, com alta esperada de 23%, ante 29% no trimestre anterior. 

“A desaceleração reflete tanto a sazonalidade quanto uma postura mais seletiva na tomada de risco”, aponta o Safra. 

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A estratégia do Inter é clara: crescer, mas com mais cautela. A dúvida dos analistas é se isso será suficiente. 

O Inter já vinha apresentando níveis de inadimplência acima dos pares no fim de 2025 — o que eleva a pressão sobre os números agora, destacam os analistas. 

A expectativa é de aumento no custo de risco, reflexo de atrasos iniciais maiores na carteira de cartões e da maturação do crédito consignado privado. 

Por outro lado, há um contraponto importante: eficiência. Segundo o Safra, as despesas totais devem cair na comparação trimestral, com melhora na taxa de eficiência — sinal de uma operação mais ajustada. 

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“O resultado, portanto, deve funcionar como termômetro para entender se a estratégia atual de crédito segue adequada para o cenário ou se será necessário um ajuste adicional na concessão ao longo dos próximos meses”, diz o Safra. 

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