O “plano de resgate” do BRB: banco tenta limpar o balanço com venda de até R$ 15 bilhões em ativos do Master
Banco aposta em fundo com a Quadra Capital para estancar crise de liquidez enquanto negocia reforço bilionário de capital

Pressionado por uma carteira bilionária herdada de operações com o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) deu um passo concreto na tentativa de reorganizar o balanço e conter uma crise de liquidez no curto prazo.
Na noite da última segunda-feira (20), o BRB anunciou a assinatura de um memorando de entendimento (MOU) com a gestora Quadra Capital para viabilizar a venda de até R$ 15 bilhões em ativos.
A operação prevê a criação de um fundo de investimento para absorver parte dessa carteira e reforçar a liquidez da instituição.
BRB tenta “destravar” o balanço
De acordo com fato relevante divulgado pelo banco estatal, o valor de referência da operação, aprovada pelo conselho de administração, é de R$ 15 bilhões.
Do total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem entrar no caixa imediatamente.
O restante virá na forma de cotas subordinadas do fundo que será criado para gerir e monetizar esses ativos ao longo do tempo.
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Na prática, o BRB troca exposição direta — e ilíquida — por uma estrutura que permite transformar esses ativos em caixa de forma mais organizada, ainda que gradual.
Segundo o banco, o objetivo é “fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio”.
A operação também é tratada como uma etapa relevante no processo de readequação da companhia, com “expectativa de efeitos positivos sobre liquidez, gestão de ativos e racionalização patrimonial”.
A conta do Master: de R$ 21,9 bilhões ao desconto
O BRB carrega uma carteira de R$ 21,9 bilhões em ativos provenientes de operações com o Banco Master — um volume significativo para o porte da instituição.
Antes mesmo do anúncio atual, o banco já negociava a venda de cerca de R$ 1,9 bilhão, deixando um estoque próximo de R$ 20 bilhões ainda em aberto.
Foi sobre esse bloco que surgiu a proposta da Quadra Capital: adquirir a carteira por R$ 15 bilhões.
Ou seja, há um desconto relevante embutido na transação — reflexo tanto da qualidade e liquidez desses ativos quanto da urgência do banco em reorganizar seu balanço.
Mais liquidez no curto prazo
A estrutura via fundo tenta equilibrar duas necessidades: gerar caixa no curto prazo e preservar valor no longo prazo.
O pagamento inicial injeta liquidez imediata, aliviando a pressão mais urgente. Já as cotas subordinadas mantêm o BRB exposto a uma eventual valorização da carteira, caso a monetização desses ativos ocorra em condições mais favoráveis no futuro.
Ainda assim, a operação não resolve tudo. Para fechar o quebra-cabeça, o banco deve precisar de um reforço adicional de capital.
O governo do Distrito Federal estuda buscar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a outras instituições financeiras — públicas e privadas — para cobrir o rombo deixado pelas operações com o Master.
Segundo o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, o banco e o governo estão avaliando agora quais garantias serão oferecidas, como imóveis públicos e ações em empresas públicas.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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