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Banco projeta queima de caixa bilionária e alerta para risco na estrutura de capital mesmo com melhora dos spreads petroquímicos

A situação da Braskem (BRKM5) pode caminhar para um nível considerado insustentável nos próximos anos, segundo o Bradesco BBI. O cenário levou o banco a rebaixar a recomendação da ação de neutra para venda, além de cortar o preço-alvo pela metade, de R$ 8 para R$ 4, o que implica em uma queda de mais de 55% em relação ao último fechamento.
Na visão dos analistas, mesmo com spreads petroquímicos mais favoráveis — ou seja, a diferença entre o preço de venda dos produtos e o custo das matérias-primas, como a nafta —, a alavancagem da Braskem pode voltar a superar 10 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2027.
Esse nível indica forte pressão financeira e levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da estrutura de capital. O banco também revisou novamente para baixo as estimativas de resultados e projeta que a companhia seguirá queimando caixa: cerca de US$ 1 bilhão até o fim de 2026 e mais US$ 600 milhões até o fim de 2027.
O BBI diz que a Braskem deve ter algum alívio com a aprovação recente do projeto Presiq, as tarifas antidumping de PE (polietileno) contra produtos dos Estados Unidos e o aperto temporário da oferta global de químicos em função do conflito no Irã.
No entanto, os fundamentos operacionais do negócio e a estrutura de capital seguem bastante pressionados.
Na visão da casa, mesmo em um cenário no qual a guerra sustente spreads elevados até o final de 2026, a análise de sensibilidade indica que a alavancagem poderia voltar a superar 10 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2027, caracterizando uma situação insustentável.
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Parte desse quadro já apareceu nos números mais recentes. A Braskem reportou resultados muito fracos no quarto trimestre de 2025, impactada pela demanda enfraquecida no mercado químico brasileiro e pelo aperto adicional dos spreads estruturais.
Além disso, o ambiente global segue desafiador para o setor petroquímico, com margens comprimidas e menor demanda em mercados estratégicos.
No campo societário, a companhia também está no radar. Na segunda-feira (20), a Novonor (ex-Odebrecht) e a NSP Investimentos assinaram contrato para vender o controle da petroquímica ao fundo Shine I FIP, assessorado pela IG4. A possível troca de controle levanta novas incertezas.
Para o BBI, a expectativa de que a IG4 assuma o comando pode resultar em decisões difíceis e potencialmente desfavoráveis aos acionistas nos níveis atuais de preço, incluindo a possibilidade de reestruturações de capital, inclusive por vias extrajudiciais ou judiciais.
Com informações Money Times
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