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DE PATINHO FEIO A PROTAGONISTA

Após apanhar na bolsa, distribuidoras de energia podem dar a volta por cima. XP diz o que você deve colocar na carteira

Depois da compressão de retornos e desempenho abaixo do mercado, setor pode se beneficiar de agenda regulatória e queda da Selic

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Setor pode se beneficiar de agenda regulatória e queda da Selic, diz XP - Imagem: Montagem/Canva Pro

Depois de um 2025 marcado por desempenho abaixo da média do mercado, as distribuidoras de energia podem estar prestes a recuperar protagonismo na bolsa. A avaliação é da XP Investimentos, que vê um cenário mais favorável para o setor em 2026 — e já indica quais ações devem liderar esse movimento.

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A mudança de visão ocorre após anos marcados por compressão nos retornos sobre capital investido (Roic), um dos principais indicadores de rentabilidade das empresas reguladas.

Segundo os analistas da XP, esse ciclo negativo foi puxado por uma combinação de piora na eficiência operacional, com aumento de despesas (opex), e revisões para baixo no custo médio ponderado de capital (Wacc) regulatório, elemento-chave na definição das tarifas.

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Agora, porém, a leitura é que boa parte dessas pressões já foi absorvida pelos preços das ações. Em outras palavras, o mercado teria antecipado o pior cenário, abrindo espaço para uma reprecificação mais positiva à medida que os fundamentos começam a melhorar.

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As favoritas da XP (e quem ficou para trás)

Nesse novo contexto, a XP elevou o tom para algumas companhias do setor. Energisa (ENGI11) e Equatorial Energia (EQTL3) aparecem como as principais apostas para 2026, classificadas como “must own” — ou seja, nomes considerados essenciais para quem busca exposição ao segmento.

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As duas empresas compartilham características que ganham relevância no cenário projetado: portfólios diversificados, histórico de execução e, principalmente, alta sensibilidade ao ciclo de juros, com fluxos de caixa de longa duração.

Outras mudanças também chamam atenção. A Light (LIGT3) e a Copel (CPLE3) foram elevadas para compra, refletindo expectativas de melhora operacional e possíveis ganhos regulatórios.

Já a Cemig (CMIG4) teve recomendação neutra reiterada, enquanto a CPFL Energia (CPFE3) foi rebaixada para venda, indicando menor espaço para valorização no curto prazo.

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Um setor que ficou para trás, mas pode alcançar

O histórico recente ajuda a explicar o ceticismo do mercado. Em 2025, Energisa e Equatorial registraram altas de cerca de 54% e 50%, respectivamente — números positivos, mas aquém de outros nomes do setor elétrico e de infraestrutura.

Empresas como Eneva (ENEV3) e Sabesp (SBSP3), por exemplo, entregaram valorizações bem mais robustas, que variaram de 64% a mais de 100%, impulsionadas por narrativas mais claras de crescimento e reestruturação.

Para a XP, esse descompasso reforça a tese de que as distribuidoras ficaram para trás e, justamente por isso, podem oferecer uma assimetria interessante daqui para frente.

Regulação no centro da virada

O principal gatilho para essa mudança de narrativa está na agenda regulatória. A expectativa é que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avance em discussões que podem destravar valor para o setor.

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Entre os pontos mais relevantes está a revisão de mecanismos que impactam diretamente a remuneração das distribuidoras. Um deles é o chamado “fator x”, componente utilizado para ajustar tarifas com base em ganhos de eficiência.

A abertura de consulta pública sobre o tema deve trazer mais transparência sobre o reconhecimento anual dos investimentos e ajudar a calibrar as expectativas de retorno.

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Além disso, a agência deve discutir a criação de novos incentivos regulatórios e possíveis ajustes nas regras de inadimplência, temas que ganharam peso diante do aumento da complexidade operacional em algumas regiões.

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No caso da Light, em particular, a XP vê como catalisador uma possível atualização da metodologia de perdas.

A expectativa é a criação de áreas classificadas como “severas restrições operacionais”, o que poderia permitir um tratamento regulatório mais aderente à realidade de concessões com maior nível de risco.

Juros menores podem destravar o setor

Outro pilar central da tese é o cenário macroeconômico. As distribuidoras são tradicionalmente sensíveis ao comportamento da taxa de juros, já que operam com alto nível de alavancagem e fluxos de caixa de longo prazo.

Nesse contexto, a expectativa de queda da Selic ganha protagonismo. A XP mantém uma visão construtiva para os juros, especialmente com a aproximação do segundo semestre de um ano eleitoral — período em que, historicamente, há maior pressão por estímulos à atividade.

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Se esse cenário se confirmar, empresas como Energisa e Equatorial tendem a se beneficiar de forma mais intensa, justamente por combinarem duration longa e estrutura de capital mais alavancada.

De coadjuvantes a protagonistas?

A leitura final da XP é que o setor reúne, neste momento, um conjunto de fatores raramente alinhados: valuations mais descontados, menor risco de revisões negativas e potencial de surpresa positiva vindo da regulação e do ambiente macro.

Para o investidor, isso significa uma possível mudança de papel das distribuidoras dentro da carteira.

Depois de anos como coadjuvantes — e, em alguns casos, fontes de frustração — essas empresas podem voltar ao centro do palco em 2026, impulsionadas por uma combinação de fundamentos mais sólidos e um cenário externo mais favorável.

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