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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DO AVIÃO PARA A ESTRADA

Por que a alta do petróleo pode destravar potencial de até 30% para a Marcopolo (POMO4), segundo o Safra

Com passagens aéreas pressionadas, ônibus ganham espaço — e a fabricante entra no radar de compra dos analistas

Camille Lima
Camille Lima
21 de abril de 2026
11:19 - atualizado às 10:25
Imagem: Reprodução/site

Imagine a cena: você abre o computador para planejar a próxima viagem e leva um susto com o preço da passagem aérea. Um reflexo direto de um petróleo mais caro, que pressiona o custo das companhias aéreas. Do outro lado da tela, a tarifa do ônibus aparece mais competitiva e te faz pensar: agora que voar ficou mais caro, será que não vale a pena recalcular a rota e voltar para a estrada?

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É justamente nessa mudança de equilíbrio que o Banco Safra enxerga uma oportunidade para o transporte rodoviário ganhar terreno — e colocar a Marcopolo (POMO4) no radar dos investidores.  

Segundo os analistas, o encarecimento do barril do petróleo Brent, referência no mercado internacional, reacendeu uma dinâmica favorável às fabricantes de ônibus, o que pode dar fôlego extra para POMO4 na bolsa.  

Em meio às perspectivas otimistas para o segmento, o Safra manteve recomendação de compra para as ações da Marcopolo e elevou o preço-alvo da ação para R$ 9,10 — o que representa um potencial de alta de 30%

O duelo de preços entre avião e ônibus 

O ponto de partida da tese do Safra está no comportamento dos combustíveis. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o querosene de aviação (QAV) acumulou alta de 53%, enquanto o diesel avançou 24% 

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No caso das companhias aéreas, o combustível representa cerca de um terço das despesas operacionais. Já no transporte rodoviário, essa fatia varia entre 25% e 33%, nas contas dos analistas. 

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Na prática, isso significa que o repasse necessário para preservar margens também é diferente.

Pelas estimativas do Safra, as aéreas precisariam elevar tarifas em cerca de 17%. Já os operadores de ônibus conseguiriam equilibrar as contas com um ajuste próximo de 8%.  

É essa assimetria que começa a mudar o comportamento do consumidor — especialmente em viagens de média distância, onde o preço pesa mais na decisão, segundo o Safra. 

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Para a Marcopolo, isso significa uma sustentação na demanda por veículos rodoviários interestaduais, um segmento que ainda oferece a vantagem de ter uma renovação de frota mais previsível. 

O freio de mão das cidades para a Marcopolo (POMO4) 

Mas nem tudo é pista livre para a Marcopolo (POMO4). No transporte urbano, a dinâmica é bem diferente.

As operadoras dependem de concessões públicas e de reajustes tarifários que, frequentemente, esbarram em restrições políticas, na visão dos analistas. 

“Aumentam as incertezas sobre fluxo de caixa e rentabilidade... esse ambiente tende a adiar decisões de renovação de frota”, avalia o banco. 

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É por isso que, no curto prazo, o Safra mantém uma visão de impacto neutro para a companhia: o ganho de competitividade no rodoviário é parcialmente compensado pelo ritmo mais lento do mercado urbano. 

Vale a pena embarcar em Marcopolo (POMO4)? 

Mesmo com esse equilíbrio de forças, a recomendação do Safra para POMO4 segue construtiva. 

A confiança vem da revisão das estimativas após os resultados do quarto trimestre de 2025 e de uma análise de valuation atrativa.  

Aos preços atuais, a Marcopolo negocia a 6,9 vezes o lucro (P/L), patamar que está cerca de 2% abaixo da sua média histórica, o que reforça a visão construtiva do banco.  

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Além disso, o banco elevou a projeção de lucro líquido para 2026 em 4,7%, mesmo projetando uma receita ligeiramente menor devido a um câmbio mais fraco e menores volumes no urbano. 

Apesar do cenário relativamente favorável, a tese não é isenta de riscos, destaca o Safra. 

Os analistas destacam pontos que podem alterar o rumo da história: desaceleração da economia, inflação de insumos, juros mais altos, concorrência mais intensa e até uma nova escalada do diesel — que, neste caso, poderia inverter parte do ganho de competitividade do transporte rodoviário. 

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