Vale (VALE3) teve resultado sólido no 4T25, segundo analistas. Por que o mercado pune a mineradora e as ações caem mais de 1%?
Os papéis da mineradora acumulam ganho de 22% em 2026; saiba se ainda há espaço para mais ou se VALE3 chegou ao topo da valorização para o ano

É consenso entre os analistas: a Vale (VALE3) teve um desempenho sólido e viveu um momento operacional forte no quarto trimestre de 2025, mas as ações da mineradora caem mais de 1% nesta sexta-feira (13). Por que o mercado pune a companhia?
A verdade é que o desempenho das ações da Vale nada tem a ver com o resultado financeiro apresentado na noite anterior, mesmo com o prejuízo bilionário da empresa. Pesa sobre o papel o desempenho do minério de ferro no mercado externo. A commodity recuou 2,36% em Dalian e 2,74% em Cingapura.
Por volta de 11h20, as ações da Vale recuavam 1,54%, cotadas a R$ 87,75. No ano, a mineradora acumula alta de 22%. No mesmo horário, o Ibovespa caía 1,45%, aos 185.094,98 pontos.
Os resultados da Vale no 4T25
Apesar de ter divulgado um prejuízo contábil no quarto trimestre de 2025, a Vale entregou, na visão de analistas, um conjunto de números operacionais e de geração de caixa que agradou, especialmente pelo desempenho da divisão de metais básicos e pela redução da alavancagem.
O prejuízo atribuível aos acionistas de US$ 3,8 bilhões foi impactado principalmente por um impairment de níquel no Canadá e pela baixa de ativos fiscais. Fora isso, a leitura predominante entre bancos e corretoras é que o trimestre reforça a consistência operacional da mineradora.
"Com esses efeitos, a linha final marcou um prejuízo de US$ 3,8 bilhões. Desconsiderando os itens não recorrentes, o lucro líquido teria atingido US$ 1,4 bilhão, alta de 68% frente ao 4T24", diz Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.
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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) justado proforma somou US$ 4,8 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 24% na comparação anual e avanço de 10% frente ao terceiro trimestre, ficando levemente acima das estimativas do mercado. A receita líquida atingiu US$ 11,1 bilhões, crescimento de 9% ano a ano.
Para a XP Investimentos, liderada por Lucas Laghi, o resultado confirma um ciclo operacional mais robusto.
“Os números do 4T25 reforçam um momento operacional bastante sólido da Vale. Houve continuidade dos ganhos de eficiência no minério de ferro, custos dentro do guidance e uma contribuição muito mais relevante da divisão de metais básicos, com melhora expressiva tanto em cobre quanto em níquel”.
No minério de ferro, o Ebitda da divisão somou US$ 4,0 bilhões, praticamente estável na comparação anual, com custos C1 (da mina ao porto) em US$ 21,3 por tonelada, dentro da faixa projetada para o ano.
"Em relação aos custos, o trimestre foi impactado por um real mais fraco, resultando em custos C1 mais altos (embora esperados). A geração de fluxo de caixa livre foi robusta, atingindo US$ 1,7 bilhão, e a dívida líquida expandida diminuiu para US$ 15,6 bilhões", disse Daniel Sasson, o analista de siderurgia e mineração do Itaú BBA.
Já no BTG Pactual, a avaliação foi ainda mais enfática. Para a equipe liderada por Leonardo Correa, o trimestre era um dos mais aguardados da temporada.
“Mesmo com expectativas elevadas, a Vale conseguiu entregar um conjunto sólido de resultados. O Ebitda veio acima das nossas estimativas, impulsionado principalmente pela reprecificação da Vale Base Metals. A companhia reduziu a alavancagem, gerou fluxo de caixa robusto e reforçou a narrativa de que o cobre passa a ganhar peso estrutural dentro da história da empresa”, afirma a equipe do banco.
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Braço de metais básicos da Vale é destaque
O BTG chama atenção para o desempenho da divisão de metais básicos, cujo Ebitda atingiu US$ 1,4 bilhão no trimestre, avanço expressivo na comparação anual e bem acima das estimativas da casa.
“O desempenho do cobre foi particularmente forte, com volumes maiores, preços mais elevados e receitas robustas de subprodutos, especialmente ouro. O níquel também mostrou melhora operacional, ainda que com preços pressionados. Mesmo com o impairment no Canadá, vemos a divisão ganhando relevância estratégica e sustentando a reprecificação recente das ações”, diz o relatório.
No cobre, o Ebitda da divisão chegou a US$ 1,06 bilhão, com preços realizados 20% maiores na comparação anual. No níquel, apesar da queda do preço médio frente a 2024, houve avanço de volumes e melhora de custos.
No campo financeiro, a redução da dívida também foi bem recebida. A dívida líquida expandida recuou para US$ 15,6 bilhões, queda de cerca de US$ 1 bilhão na comparação trimestral. O fluxo de caixa livre ficou em US$ 1,7 bilhão no trimestre, ajudado por capital de giro mais favorável.
Segundo o BTG, a combinação de geração de caixa e menor alavancagem fortalece o posicionamento estratégico da companhia.
“Com alavancagem ao redor de 1 vez Ebitda e fluxo de caixa consistente, a Vale está bem posicionada para avançar em sua agenda de crescimento em cobre. Mesmo após a forte alta recente das ações, seguimos vendo múltiplos atrativos e exposição relevante à reprecificação do cobre.”
Comprar ou não a ação da Vale?
A ação da Vale acumula ganho de 22% no acumulado de 2026 — a mineradora é um dos alvos do forte ingresso de dinheiro gringo na bolsa brasileira desde o final do ano passado. Ainda assim, analistas enxergam espaço para mais, embora essa visão não seja um consenso.
Hungria diz que por apenas 5,2x valor da firma/Ebitda, a Vale segue como recomendação de compra na série Vacas Leiteiras da Empiricus.
"Ao longo dos últimos trimestres a Vale tem conseguido entregar evolução consistente de resultados, ajudados por melhora operacional, ajustes na estratégia comercial e alta nos preços de metais, que mais do que justificam o re-rating que estamos observando nos papéis", afirma.
O BTG Pactual também manteve a recomendação de compra para os American Depositary Receipts (ADRs) da Vale, com preço-alvo de US$ 15. Na mesma linha, o Itaú BBA indica a compra das ações VALE3, com preço-alvo é de R$ 100 e de US$ 19 para VALE.
O Citi é outro banco que tem recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo de US$ 14 para os ADRs da companhia. Os analistas Alexander Hacking, Gabriel Barra, Pedro Ferreira De Mello e Stefan Weskott mantiveram uma visão positiva para Vale após os resultados e mencionam um potencial de dividendos extraordinários em 2026.
Essa visão considera que os múltiplos da mineradora ainda estão mais descontados do que os de seus pares e que o ritmo de crescimento dos lucros deve persistir, impulsionado pela resiliência dos preços do minério de ferro e pelo aumento da produção proveniente das minas próprias.
A XP, no entanto, foge desse consenso, reiterando a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 71 por ação. Considerando os preços à vista do minério de ferro, cobre, níquel e ouro, a corretora calcula que a Vale é negociada a um múltiplo EV/Ebitda de 5,1 vezes projetado para 2026, com preços implícitos do minério de ferro 12% acima do valor à vista.
*Com informações do Money Times
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