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SOB PRESSÃO

S&P Global tira grau de investimento da Raízen (RAIZ4) e alerta para risco crescente de calote em meio a dívida alta e queima de caixa

Mudança veio após a Raízen contratar assessores financeiros e legais para estudar saídas para o endividamento crescente e a falta de caixa; Fitch também cortou recomendação da companhia

Placa com o logo da Raízen (RAIZ4), subsidiária da Cosan que fez IPO em 2021
Raízen (RAIZ4) - Imagem: Divulgação/Raízen

A situação financeira da Raízen (RAIZ4) ficou ainda mais preocupante aos olhos do mercado. Duas das principais agências de classificação de risco do mundo, S&P Global e Fitch Ratings, rebaixaram a nota de crédito da empresa para nível especulativo, retirando seu grau de investimento.

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Na prática, isso significa que as duas agências veem mais risco de a companhia não conseguir pagar suas dívidas no futuro.

A perda do grau de investimento implica na saída de grandes investidores dos títulos de dívida e ações da empresa, uma vez que muitos fundos só podem investir em companhias com selo de bom pagador.

De fato, os títulos de dívida da Raízen, tanto no Brasil quanto no exterior, têm visto uma queda acentuada nos últimos dias, devido a uma grande força vendedora no mercado secundário de renda fixa.

No caso da S&P, a nota caiu de BBB- para CCC+ e ainda foi colocada em observação negativa. Traduzindo: a empresa já passou a ser vista como muito arriscada para credores e investidores, e a agência avisa que pode piorar ainda mais nos próximos meses.

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O principal motivo para isso foi o anúncio de que a Raízen contratou assessores financeiros e jurídicos para estudar alternativas de reforçar o caixa e organizar suas dívidas.

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Para o mercado, esse tipo de movimento costuma ser um sinal de que a empresa está com dificuldade para honrar seus compromissos e pode acabar tendo que renegociar dívidas com bancos e investidores.

A própria S&P diz no relatório que esse passo aumenta a chance de uma reestruturação da dívida. Em muitos casos, isso significa que quem emprestou dinheiro pode receber menos ou mais tarde, o que a agência trata como um tipo de calote.

Segundo a S&P, a administração e os acionistas chegaram a sinalizar que apresentariam planos para melhorar a situação, mas até agora nada concreto apareceu.

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Enquanto isso, a empresa segue com dívida alta e gastando mais dinheiro do que consegue gerar no dia a dia — o que os analistas chamam de “queima de caixa”.

O problema não é só a dívida

Além da dívida elevada, o desempenho da empresa também preocupa. Recentemente, a Raízen divulgou uma prévia de resultados mostrando que uma parte importante do negócio, a área de Suprimentos e Energia, teve um desempenho mais fraco.

Por causa disso, a S&P espera que a empresa gere menos lucro operacional nos próximos anos do que o previsto anteriormente e que o peso da dívida fique ainda maior em relação ao que a companhia consegue ganhar.

Em números: para o ano fiscal que termina em março de 2026, a agência de rating estima que a Raízen deve gerar algo em torno de R$ 11 bilhões de resultado operacional, enquanto a relação entre a dívida e esse resultado deve ficar entre 5 e 5,5 vezes — um nível considerado alto e desconfortável para empresas do setor.

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Para 2027, o cenário pode piorar. A expectativa é de menos vendas em parte do negócio (inclusive porque a empresa vem vendendo ativos para fazer caixa) e de preços ainda baixos do açúcar no mercado internacional.

Mesmo com esforços para cortar custos e melhorar a eficiência, a S&P calcula que o resultado operacional da Raízen fique por volta de R$ 11,5 bilhões.

VEJA TAMBÉM: Ações e dividendos para 2026 — os papéis para surfar à queda da Selic e às eleições

Juros comem o caixa

O grande problema é que uma fatia enorme do dinheiro da empresa vai embora só para pagar juros da dívida. A estimativa da S&P é que a Raízen tenha de desembolsar cerca de R$ 9,5 bilhões por ano só com isso.

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Mesmo reduzindo investimentos para algo perto do mínimo necessário para manter a operação funcionando, a empresa deve continuar gastando mais dinheiro do que entra. A projeção é de uma queima de caixa acima de R$ 6 bilhões em 2027.

Se nada mudar, a dívida pode chegar a um nível equivalente a seis vezes o que a empresa consegue gerar de resultado operacional.

O tamanho da crise da Raízen

Os números mais recentes mostram o tamanho do aperto: a dívida líquida da Raízen chegou a R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, um aumento de quase 50% em relação ao ano anterior.

Ao mesmo tempo, a empresa passou por mudanças no conselho de administração, com a saída de dois conselheiros nas últimas semanas e a indicação de novos nomes pela Shell, que é uma das acionistas controladoras.

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Fitch também acende o alerta

A Fitch Ratings já havia seguido o mesmo caminho da S&P e rebaixado a nota de crédito da Raízen. A agência cortou a classificação dos títulos de longo prazo e manteve a empresa em observação negativa, o que significa que novos rebaixamentos ainda podem acontecer.

Além disso, a Fitch chama a atenção para um ponto crítico: a Raízen tem cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas que vencem nos próximos 18 meses.

Isso quer dizer que a empresa vai precisar arrumar dinheiro para pagar ou renegociar esses valores em um período curto — justamente num momento em que os juros estão altos e o mercado está mais exigente para emprestar dinheiro.

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