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A produtora de etanol enfrenta alto endividamento, com a dívida líquida atingindo R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, e busca alternativas para sair do sufoco

A Raízen (RAIZ4) está buscando assessores financeiros e legais para desenhar estratégias e sair do mar de dívidas. A companhia, com um alto endividamento e queima de caixa, estuda alternativas para reerguer o negócio e deixar o patamar de penny stock.
O trabalho desses assessores deve "auxiliar a companhia na elaboração de um diagnóstico de opções estratégicas voltadas ao fortalecimento de sua posição de liquidez, à otimização de sua estrutura de capital e à sua interação com o mercado", disse, em fato relevante.
Por enquanto, esses projetos ainda estão em caráter preliminar, disse a empresa, reforçando que investidores serão informados dos desenvolvimentos desse plano.
A produtora de etanol enfrenta alto endividamento, com a dívida líquida atingindo R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26 — aumento expressivo de 48,8% em relação ao ano anterior.
O JP Morgan calcula que a empresa precisaria levantar cerca de R$ 18 bilhões para voltar a um nível visto como saudável (2,5 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda).
Suas controladoras não parecem dispostas a salvar o negócio. Recentemente, a Cosan (CSAN3) anunciou o resgate de alguns papéis de dívida que têm uma cláusula de “inadimplência cruzada” com a Raízen. Essa cláusula determina que se um lado tem problema em honrar os pagamentos, o outro pode ser cobrado.
Para o mercado, o movimento soou como um sinal de menor disposição da Cosan em colocar dinheiro na sua subordinada.
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A companhia também viu diversas mudanças no seu conselho de administração nas últimas semanas, com a saída de conselheiros de sua outra controladora, a Shell.
As ações da companhia estão sendo negociadas ao redor de R$ 1 desde outubro do ano passado, chamando a atenção inclusive da B3. Há alguns meses, a bolsa brasileira deu um ultimato para que ela deixasse o patamar de penny stock.
Isso porque, no mercado de ações, as penny stocks trazem uma combinação indigesta para os investidores: volatilidade exagerada, baixa liquidez e um ambiente fértil para operações especulativas.
Desde a abertura de capital, em 2021, a companhia já perdeu aproximadamente 90% do seu valor na bolsa — um contraste dramático para quem estreou no mercado com a promessa de disputar o protagonismo global no setor de etanol.
A Raízen irá divulgar os resultados depois do fechamento do mercado na sexta-feira (13), logo antes do Carnaval.
Mas os resultados não devem levar a comemorações na avenida. A XP acredita que, no curto prazo, a empresa deve continuar queimando caixa e se afundando em dívidas, mesmo após iniciativas consideradas positivas de reciclagem de portfólio.
A expectativa é de continuidade da recuperação operacional, apesar dos desafios nos negócios de açúcar e etanol, impulsionada principalmente pelo forte desempenho da unidade de Distribuição de Combustíveis no Brasil.
No consolidado, a XP projeta queda de 6% na receita líquida na comparação anual e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 3,6 bilhões, avanço de 17% frente ao mesmo período do ano anterior, refletindo melhora generalizada de margens.
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