Rede D’Or (RDOR3) tem alta de 39,2% no lucro, mas ação cai forte na bolsa; expectativas estavam altas demais?
A queridinha do mercado no segmento de saúde teve um terceiro trimestre espetacular, o melhor desde seu IPO em dezembro de 2020, o que jogou as expectativas para cima

A Rede D’Or (RDOR3), maior rede de hospitais listada em bolsa do país, teve um resultado sólido, com crescimento de dois dígitos nos lucros, Ebitda e nas receitas no último trimestre do ano passado. A empresa continuou aumentando sua base de clientes e parceiros, além de melhorar a rentabilidade do segmento de seguros.
O problema da companhia, no entanto, é a base de comparação: a queridinha do mercado no segmento de saúde teve um terceiro trimestre espetacular, o melhor desde seu IPO em dezembro de 2020, o que jogou as esperanças para cima. "Sentimos que as expectativas ficaram muito altas", diz o o BTG Pactual em relatório.
Por isso, a ação abriu o dia em queda forte, de 6,71% por volta das 10h35. Mesmo assim, parte da expectativa pelos números mais fracos já estava precificada. A ação RDOR3 está avançando abaixo do Ibovespa desde novembro.
Em seu preview dos resultados, o BTG Pactual chegou a abaixar sua expectativa para as margens, o que acabou se mostrando acertado. Para o Citi, no entanto, o resultado veio abaixo do esperado, com margens hospitalares menores do que as previsões.
- Leia também: Por que a Rede D’Or virou a favorita do BTG? Os motivos para comprar as ações RDOR3 agora
Os resultados da Rede D'Or
A rede de hospitais e seguradora teve lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no quarto trimestre de 2025, montante 39,2% maior que o resultado obtido no mesmo período de 2024 e em linha com as estimativas do mercado, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (25).
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 2,8 bilhões, o que representa uma alta de 38,7% em base anual. O valor ficou levemente acima da expectativa média do mercado, que apontava para um Ebitda de R$ 2,7 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.
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A margem Ebitda foi de 19% no 4T25, alta de 3,7 p.p. sobre o resultado sazonal. A Rede D’Or apurou ainda crescimento de 11,8% na receita líquida, para R$ 14,6 bilhões.
Na divisão hospitalar, a receita bruta foi de R$ 8,1 bilhões, alta de 15% e 4% acima das expectativas do BTG. Esse crescimento veio do maior número de pacientes atendidos, que cresceu 7%, com aumento do tíquete médio em 8%.
A ocupação dos leitos atingiu 76,9%. Mais uma vez, o destaque veio da oncologia, com alta de 26% nas receitas, que chegaram a R$ 1 bilhão.
Na SulAmérica, a receita cresceu 8% ano contra ano, mas despesas mais elevadas pressionaram o Ebitda.
Segundo a empresa, ao final de 2025, a rede operava 79 hospitais, dos quais 76 hospitais próprios e três sob gestão, somando 13.555 leitos totais, alta de 3,8% sobre um ano antes (501 leitos a mais).
A taxa de ocupação dos leitos hospitalares da Rede D’Or atingiu 76,9% no 4T25, 1,1 p.p. acima da ocupação apurada no 4T24.
Para o Citi, os resultados vieram mais fracos que o esperado. O Ebitda ajustado veio 3% abaixo do previsto pelo banco, refletindo margens hospitalares mais baixas, menor receita bruta e maior despesa operacional da SulAmérica.
Em relatório, os analistas apontam, no entanto, como ponto positivo, o sólido crescimento de dois dígitos do segmento hospitalar. "Os otimistas (Bull) provavelmente vão destacar o crescimento dos hospitais e a impressionante melhora da SULA, enquanto os pessimistas (Bear) devem apontar a menor alavancagem operacional na área de hospitais e a combinação de menor receita e maiores despesas operacionais da SULA", diz o Citi.
O que fazer com as ações agora
"Apesar das premissas de margens menores, não vemos os resultados do quarto trimestre como um risco relevante para nossas estimativas", afirmou o BTG em relatório.
O banco reiterou Rede D’Or como a principal escolha no segmento de saúde, sustentada por fortes perspectivas de crescimento e diversos catalisadores, como exposição à queda dos juros, potencial de expansão em oncologia, possibilidade de criar novas joint ventures e oportunidades de fusões e aquisições.
O preço-alvo é de R$ 57, potencial de alta de 31% no ano, segundo o BTG.
"Olhando adiante, seguimos atentos à desaceleração contínua nos preços de seguros, à possível ‘recorrência’ do custo mais elevado da SULA no 4T25, ao ritmo de expansão de leitos hospitalares ao longo de 2026 e às perspectivas de margem”, descreve o Citi, em relatório.
O Citi mantém recomendação de compra para a Rede D'Or, com preço-alvo de R$ 51, o que representa potencial de valorização de 17,2%.
Com Money Times
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