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Em coletiva com jornalistas sobre o balanço do quarto trimestre, Milton Maluhy Filho afirma que o sistema terá de pagar a conta — e critica plataformas que empurraram risco ao investidor

A crise no Banco Master continua no centro das discussões entre os maiores bancos do país e invadiu, mais uma vez, as teleconferências de resultados.
O motivo não é apenas a queda do conglomerado, mas o tamanho da conta deixada para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo o CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, o fundo será recomposto. O desafio é fazer isso sem transferir o custo para a sociedade.
A fala vem em meio à ruína do conglomerado Master e à liquidação de instituições ligadas ao banco de Daniel Vorcaro — um episódio que drenou quase metade do patrimônio do FGC para indenizar investidores dos CDBs.
Com o uso intensivo do FGC, os grandes bancos serão obrigados a recapitalizar o fundo. No entanto, o custo e o modo da contribuição ainda estão em definição. A expectativa é que a conta para instituições como o Itaú chegue em torno de R$ 7 bilhões.
“Quase metade das reservas do fundo foi consumida. Nossa visão, como sistema financeiro, é que o FGC precisa ser recapitalizado — e ele será capitalizado para estar preparado diante de um novo evento de crédito”, afirmou Maluhy, em entrevista coletiva com jornalistas nesta quinta-feira (5).
A questão é que a forma de recompor esse colchão ainda está em aberto. Segundo o executivo, os detalhes da capitalização seguem em discussão dentro do próprio FGC e também no Banco Central.
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“Há um processo de debate intenso nas últimas semanas, envolvendo bancos e associações. Nosso principal objetivo é atenuar ao máximo o custo desse aporte, para que ele não gere impacto no custo de captação dos bancos, nos juros dos empréstimos ou no preço dos investimentos para o consumidor final”, disse.
Nas palavras de Maluhy, a conta existe, não desaparece — mas o esforço agora é encontrar mecanismos mais inteligentes para pagá-la, sem transferir o peso diretamente para quem toma crédito ou investe.
A crise do Master também reacendeu um debate mais profundo: como impedir que um novo caso semelhante volte a ganhar escala no mercado brasileiro.
“Não podemos permitir que um evento dessa magnitude aconteça novamente da forma como ocorreu. Há aprendizados para todos os agentes envolvidos”, afirmou.
Segundo ele, o FGC — criado nos anos 1990 para proteger investidores em casos de liquidação bancária — acabou sendo desvirtuado ao longo do tempo, especialmente com a evolução das plataformas abertas de investimentos.
Sem citar nomes diretamente, o CEO do Itaú fez críticas duras a bancos e plataformas que distribuíram títulos do Banco Master e de outras empresas que mais tarde enfrentaram dificuldades financeiras, como a Ambipar (AMBP3).
“Algumas plataformas passaram a usar o FGC como um modelo de alavancagem de negócios, viabilizando estruturas que não se sustentam no longo prazo”, afirmou. “Interesses próprios vieram à frente dos interesses do sistema.”
Segundo Maluhy, esse modelo deixou como herança uma conta de cerca de R$ 55 bilhões para o sistema financeiro. “São esses abusos que nós evitamos cometer”, afirmou. “Problemas de crédito e de gestão existem em qualquer sistema. O que vimos aqui foram também falhas operacionais e modelos de negócio questionáveis.”
Na avaliação do CEO do Itaú, o Banco Central tem capacidade técnica para rever regras e fechar brechas regulatórias, inclusive com base em experiências internacionais, a fim de mitigar o risco de episódios semelhantes no futuro, usando inclusive normas internacionais como referência.
"Nunca distribuímos um CDB do Banco Master ou do Banco Máxima por convicção, nem COEs da Ambipar”, disse o CEO do Itaú.
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