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A torneira de dividendos da Petrobras (PETR4) vai fechar? Os motivos para o Bradesco BBI cortar a recomendação das ações da petroleira

Analistas do banco apontam fundamentos frágeis para o petróleo e riscos na agenda da estatal, mas o mercado segue otimista com Ibovespa em recorde

Petrobras
Sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro - Imagem: iStock.com/Junior Pereira

Houve um tempo em que as ações da Petrobras (PETR4) eram quase obrigatórias na carteira de quem investe em ações, mas essa já não é mais um realidade. Pelo menos não para o Bradesco BBI, que alerta que a agenda de fusões e aquisições da estatal traz riscos, a relação risco-retorno já não é tão atraente quanto antes e, pior, os dividendos podem minguar.

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Nos cálculo do banco, o dividendo projetado para 2026 é de 6,5%, abaixo da média das petroleiras nos EUA (7%) e também inferior aos 8% estimados para a Vale (VALE3), outro peso-pesado da bolsa brasileira conhecida pela distribuição farta de proventos.

“Esse rendimento tornou-se excessivamente apertado, em nossa visão”, dizem os analistas. 

De olho nisso, o BBI cortou a recomendação para as ações da Petrobras, passando de "compra" para "neutra", citando ainda o espaço limitado para uma performance explosiva da estatal, já que o banco trabalha com um preço de longo prazo para o barril de petróleo Brent em torno de US$ 65.

“Continuamos vendo fundamentos fracos para apoiar os preços globais do petróleo bruto, impulsionados por um forte aumento na oferta, superando a demanda. Portanto, vemos os riscos tendenciosos para baixo no setor”, afirmam os analistas Vicente Falanga e Ricardo França.  

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No relatório, a dupla detalha que a recente alta do preço do petróleo foi impulsionada, principalmente, por um aumento do prêmio geopolítico — o que pode ser insustentável à frente. 

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Apesar disso, os papéis da companhia continuam surfando a onda da recuperação da commodity e do otimismo no mercado brasileiro. Por volta das 16h40 (de Brasília), PETR4 registrava alta de 0,97%, cotada a R$ 37,61, enquanto PETR3 subia 0,99%, a R$ 39,99.

Preço-alvo para a Petrobras

Além da recomendação mais cautelosa, o BBI elevou o preço-alvo da ação de R$ 40 para R$ 45, refletindo a forte performance da Petrobras no início do ano.

A estatal segue como um dos ativos preferidos dos investidores estrangeiros, em meio ao movimento de rotação global — saída de dólares dos EUA para mercados emergentes como o Brasil.

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O cálculo do banco inclui um desconto de 20% para compensar o custo de capital e os riscos ligados ao caráter público da empresa.

Ibovespa e petróleo em alta

A valorização das ações da Petrobras nesta terça-feira (3) acontece em sintonia com um pregão aquecido: o Ibovespa voltou a quebrar recordes e, por volta das 11h50, atingiu a máxima de 187.333,83 pontos.

Além do fluxo estrangeiro, o impulso veio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que reforçou a expectativa de corte na Selic na próxima reunião marcada para março.

O último recorde intradia havia sido registrado poucos dias antes, na quinta-feira (29), quando o índice alcançou 186.449,75 pontos na reta final da sessão.

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No cenário internacional, o petróleo tenta se recuperar após uma queda superior a 4% na véspera. A retomada ocorre em meio às negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, previstas para esta sexta-feira (6) na Turquia.

A tensão, porém, permanece elevada: O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu que “coisas ruins podem acontecer” caso não haja acordo, enquanto navios de guerra norte-americanos seguem em direção ao Oriente Médio.

O risco geopolítico associado à “política externa expansionista da administração dos EUA, especialmente as ameaças intermitentes em relação ao Irã”, tem impulsionado a volatilidade dos preços do petróleo nas últimas quatro semanas, afirmou Kelvin Wong, analista sênior de mercado da OANDA.

O petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em abril fechou com alta de 1,55%, cotado a US$ 67,33 por barril. Já o WTI, referência para o mercado norte-americano, subiu 1,72%, cotado a US$ 63,21.

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*Com informações do Money Times

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