Movida (MOVI3) muda o foco: lucro líquido sobe 64,5% e rentabilidade bate recorde no 4T25; é hora de comprar as ações?
Lucro líquido chegou a R$ 102,3 milhões no período, em meio a estratégia mais focada em rentabilidade e menos dependente de crescimento de frota; veja os destaques do resultado

Depois de um ciclo em que crescer a frota era prioridade, a Movida (MOVI3) começa a mostrar sinais mais claros de mudança de rota — e os números mais recentes ajudam a explicar o porquê. O quarto trimestre trouxe um lucro líquido de R$ 102,3 milhões, avanço de 64,5% em relação ao mesmo período de 2024.
No acumulado do ano, o lucro chegou a R$ 318,4 milhões, um crescimento de 37,5% em relação a 2024.
Embora parte do desempenho tenha sido favorecida por efeitos tributários, com uma menor alíquota de imposto no trimestre, o retorno sobre o patrimônio investido (ROIC) de 16,6% — recorde da companhia — sugere uma operação mais eficiente e menos dependente de expansão acelerada.
“O ROIC resume a melhora da lucratividade e a disciplina de capital. Foi o maior da história da companhia”, afirmou o CEO, Gustavo Moscatelli, em entrevista à Broadcast.
A cifra implica em um ROIC spread — diferença entre o retorno sobre o capital investido e o custo da dívida — de 5,8 pontos percentuais (p.p), contra 4,1 p.p. no trimestre anterior, um patamar saudável, na leitura dos analistas do BTG Pactual.
Apesar disso, as ações da Movida operam no vermelho nesta sessão. Por volta das 10h55, os papéis MOVI3 caiam 2,43%, cotados a R$ 12,85. Mesmo com a performance negativa hoje, o saldo ainda é positivo para a empresa no acumulado do ano, com valorização de cerca de 33% na B3 desde janeiro.
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A engrenagem por trás do lucro da Movida (MOVI3)
A evolução dos indicadores tem origem em uma combinação de volume e preço. Segundo Moscatelli, o trimestre foi marcado por um aumento relevante no número de diárias, acompanhado de uma elevação nas tarifas.
No quarto trimestre, a Movida registrou crescimento de cerca de 13% no volume de diárias e aumento de 7% na tarifa média no segmento de locação (RAC). O resultado foi ganho de participação de mercado e alguma diluição de custos.
Os efeitos aparecem nas margens. O Ebitda, que mede a capacidade de geração de caixa operacional de um negócio, chegou a R$ 1,49 bilhão no quarto trimestre, crescimento de 19,8% na comparação anual.
Enquanto isso, o Ebit (lucro antes de juros) avançou 24,2% no período, para R$ 850,7 milhões.
Crescimento de receita com mudança de mix
A receita líquida total atingiu R$ 3,6 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 12,6% na base anual.
A operação de locação segue como principal motor do faturamento, com receita de R$ 2,096 bilhões, crescimento de 17%. Já a receita com venda de ativos somou R$ 1,56 bilhão, alta de 7,2%.
No acumulado de 2025, a receita líquida somou R$ 14,6 bilhões, alta de 8,8%, enquanto o Ebitda atingiu R$ 5,6 bilhões, crescimento de 21%. O Ebit chegou a R$ 3,2 bilhões, também em nível recorde.
Freio na expansão, foco no balanço
A Movida encerrou o trimestre com alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, de 2,6 vezes, o menor nível dos últimos cinco anos. No início de 2025, esse indicador estava em 3,1 vezes.
A queda reflete a decisão de reduzir o ritmo de expansão para priorizar geração de caixa e desalavancagem.
“A gente não pretende crescer a frota neste momento e está alocando a geração de caixa adicional para reduzir o endividamento”, disse o CEO da Movida.
Perspectivas e visão do mercado
Na avaliação do BTG Pactual, os resultados da Movida no quarto trimestre foram sólidos, embora em linha com o esperado.
Junto ao balanço, a Movida também divulgou seu guidance (projeção) de curto prazo.
Para o primeiro trimestre de 2026, a companhia espera um lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões — acima dos R$ 78 milhões registrados no mesmo período do ano anterior e também maior que o consenso de mercado, que prevê algo próximo de R$ 70 milhões.
Segundo os analistas do BTG, mesmo considerando fatores como sazonalidade e juros elevados, o guidance indica continuidade na melhora operacional.
“Esse desempenho de bottom line reforça a visão de melhoria contínua de margens e ganhos de eficiência, à medida que a companhia mantém sua agenda mais ampla de crescimento sustentável”, avaliam.
O Santander foi na mesma linha, destacando a força dos resultados de 2025. Para os analistas, o balanço da Movida se fortaleceu sequencialmente.
Além disso, na visão do banco, o guidance para o primeiro trimestre de 2026 também sinaliza um perído "inspirador".
O que fazer com as ações MOVI3 agora?
Mesmo após a valorização das ações nos últimos meses, o mercado continua otimista com os papéis da Movida. De cinco recomendações para MOVI3 compiladas pela Broadcast, quatro são de compra e apenas uma é neutra.
O BTG é um dos bancos que manteve recomendação de compra para os papéis devido ao sólido momento operacional da empresa.
Ainda assim, o banco espera que o desempenho dos papéis continue condicionado ao ambiente macroeconômico, especialmente à trajetória das taxas de juros no país.
O preço-alvo continuou em R$ 12 para os próximos 12 meses, o que implica uma desvalorização potencial de quase 9% em relação ao último fechamento.
O Santander também seguiu com recomendação outperform, equivalente à compra, para MOVI3. Já o preço-alvo é de R$ 16,00 para o final de 2026, o que representaria uma valorização de até 21,5% para os papéis na bolsa.
Segundo os analistas, os principais riscos da Movida são uma eventual desaceleração na atividade econômica do país; uma rápida deterioração dos preços de seminovos; o aumento da concorrência; o relacionamento com montadoras; uma eventual piora das condições de crédito; e uma potencial reforma tributária no Brasil.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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