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SINAIS DE VIRADA?

Gol melhora, mas ainda não decola: prejuízo cai 72% e chega a R$ 1,4 bilhão no 4T25; veja os destaques do balanço

Com Ebitda positivo e alavancagem em queda, aérea tenta deixar para trás fase mais aguda da crise; confira os números do trimestre

gol goll4 companhia aérea avião
Imagem: Facebook/GOL Linhas Aéreas

A turbulência ainda não ficou para trás, mas, aos poucos, a Gol começa a dar sinais de que conseguiu estabilizar a aeronave. A companhia aérea encerrou o quarto trimestre de 2025 (4T25) com um prejuízo líquido de cerca de R$ 1,39 bilhão

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O número ainda pesa, mas representa uma redução expressiva de 72,7% em relação às perdas de R$ 5,11 bilhões no mesmo período de 2024.  

Em paralelo, o Ebitda (indicador usado para mensurar o potencial de geração de caixa operacional de um negócio) voltou ao campo positivo, alcançando R$ 1,6 bilhão — uma reversão significativa frente ao resultado negativo de R$ 443 milhões de um ano antes.  

No critério recorrente, o Ebitda cresceu 17,1%, para R$ 2,096 bilhões. Já a margem Ebitda recorrente ficou em 34,4%, alta anual de 1,9 ponto porcentual (p.p). 

O faturamento da Gol também deu sinais de melhora no fim de 2025. A receita líquida avançou 10,5% no quarto trimestre em comparação com o mesmo período de 2024, para R$ 6,1 bilhões. 

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Por outro lado, indicadores importantes de rentabilidade por unidade ainda mostram pressão: 

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  • receita por assento ofertado por quilômetro (RASK) caiu 4,5%, para R$ 0,46; e 
  • receita de passageiros por assentos-quilômetro oferecidos (PRASK) recuou 3,3%, para R$ 0,42. 

Vale lembrar que a Gol se despediu oficialmente da bolsa brasileira na última sexta-feira (27), encerrando um ciclo conturbado para a aérea e dando início a uma nova fase sob uma estrutura societária simplificada. 

Como anda a dívida da Gol (GOLL54)? 

Se há um ponto em que a melhora da Gol fica mais evidente, é no balanço de endividamento

alavancagem — medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda recorrente — fechou o trimestre em 3,2 vezes, praticamente estável em relação ao 3T25, mas quase a metade do nível registrado um ano antes, de 6,1 vezes. 

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Segundo a aérea, a redução reflete “uma importante reestruturação concluída ao longo do ano e da disciplina financeira e operacional da companhia”.  

A empresa atribui a melhora a uma combinação de fatores: renegociações no processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), nova estrutura de capital, ajustes contábeis e um desempenho operacional mais consistente. 

Mesmo assim, o tamanho absoluto da dívida ainda chama atenção, como você pode conferir a seguir: 

  • Endividamento líquido: R$ 20,42 bilhões (- 31,9% a/a); e 
  • Dívida bruta total: R$ 26,3 bilhões (- 24,4% a/a). 

Custos sob controle, até certo ponto 

Do lado das despesas, o cenário ainda exige cautela. Os custos e despesas operacionais subiram 13,1% na comparação anual, totalizando R$ 4,84 bilhões no trimestre.

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Segundo a Gol, parte dessa alta está ligada a fatores não recorrentes e estratégicos, como: 

  • Devolução de aeronaves; 
  • Custos de manutenção; 
  • Programa de recuperação da frota; e 
  • Expansão operacional. 

Ainda assim, há um ponto positivo: o custo por assento-quilômetro ofertado (CASK) caiu 2,3% na base anual, indicando ganho de escala e diluição de custos no período. 

Leia também: Voar vai ficar (ainda) mais caro: alta do petróleo afeta passagens aéreas, diz presidente da Gol (GOLL54) 

O retrato de 2025: menos prejuízo, mais geração de caixa 

No consolidado do ano, a fotografia é ainda mais clara. A Gol encerrou 2025 com prejuízo líquido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, uma evolução de 78,5% em relação às perdas de 2024.  

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Já o Ebitda saltou de R$ 1,6 bilhão no anterior para R$ 4,8 bilhões em 2025. No critério recorrente, o indicador registrou avanço de 30,5%, somando R$ 6,4 bilhões, 10% acima das projeções financeiras para 2025.  

A margem Ebitda recorrente chegou a 29%, crescimento anual de 3,3 pontos porcentuais. 

Por sua vez, a receita líquida total subiu 15,5% em 2025 em relação ao ano anterior, para R$ 22,1 bilhões.

O fim de um ciclo: Chapter 11, reestruturação e saída da bolsa 

Os números do 4T25 vêm acompanhados de uma transformação estrutural na Gol. A saída da aérea da bolsa brasileira na semana passada marcou o capítulo final de um processo turbulento que começou com o pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, via Chapter 11. 

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A operação faz parte de uma reorganização societária após a saída da RJ nos EUA, oficializada em junho do ano passado, e vem na esteira de uma série de movimentos estratégicos — incluindo uma tentativa de fusão com a outra empresa aérea Azul

Como parte da reorganização, a companhia promoveu a incorporação da Gol Investment Brasil (GIB) pela Gol Linhas Aéreas S.A. (GLA), simplificando a estrutura societária e concentrando operações em uma empresa de capital fechado. 

No fim de fevereiro, a Gol anunciou a conclusão da liquidação financeira da oferta pública de ações (OPA), com a GIB passando a deter cerca de 99,95% das ações preferenciais da empresa. 

Para os minoritários que optaram por não vender suas ações no leilão, houve uma janela para os investidores se desfazerem dos papéis até a última quarta-feira (25) pelo mesmo preço da OPA, corrigido pela Selic. 

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*Com informações do Estadão Conteúdo e do Money Times. 

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