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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

VEM A VIRADA?

Esqueça o ROE de 20%: “Sabíamos que seria impossível”, diz diretor do Banco do Brasil (BBAS3) — ele também afastou o sonho de dividendos extraordinários

Administração fala em “low teens” para o ROE e prioriza ajuste da carteira antes de aumentar remuneração ao acionista

Camille Lima
Camille Lima
12 de fevereiro de 2026
13:51 - atualizado às 13:52
Geovanne Tobias, diretor financeiro (CFO) do Banco do Brasil (BBAS3).
Geovanne Tobias, diretor financeiro (CFO) do Banco do Brasil (BBAS3). - Imagem: Nilton Fukuda

Após trimestres marcados por pressão na rentabilidade e ruídos na carteira de crédito, o desempenho do quarto trimestre de 2025 reacendeu uma expectativa entre os investidores do Banco do Brasil (BBAS3): se o lucro surpreendeu e o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) retomou os dois dígitos, os dividendos extraordinários podem voltar ao radar? A administração, porém, fez questão de afastar esse sonho e voltar à realidade. 

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“É prematuro falar em dividendos extraordinários”, afirmou o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Marco Geovanne Tobias, em coletiva com jornalistas. 

Antes de pensar em distribuir excedentes, o banco quer reconstruir a base. Segundo Tobias, a prioridade do BB neste momento é garantir a sustentabilidade dos resultados.  

A política de dividendos foi renovada com payout de 30% — um patamar mais conservador, depois de um período em que a instituição precisou pisar no freio diante da piora na qualidade da carteira, especialmente no agronegócio. 

"Estamos olhando com cautela a recuperação do setor agro e os impactos da perda esperada”, disse. 

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ROE de dois dígitos veio para ficar no Banco do Brasil? 

Questionado se o ROE de dois dígitos veio para ficar, Tobias foi direto: “Ele nunca deixou de vir. Entregamos ROE de dois dígitos há muito tempo.”  

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Vale lembrar que, nos últimos trimestres, o indicador havia escorregado para a casa de 8%, o pior patamar em uma década, reacendendo dúvidas sobre a capacidade estrutural do banco de gerar retorno. 

Agora, o alvo é outro. Segundo o executivo, o BB trabalha para manter a rentabilidade na faixa de 11% a 13% — os chamados low teens — e avançar gradualmente. 

“Sabíamos que seria impossível entregar um ROE acima de 20% no momento”, disse o executivo. “Então miramos o que chamaríamos de ‘low teens’. Fizemos as análises e tomamos iniciativas para equilibrar a inadimplência no agro”, afirmou. 

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Para 2026, a ambição sobe um degrau: alcançar o mid teens, algo próximo de 15%. 

“Temos sido cautelosamente otimistas. A situação não se resolveu por mágica, há muito trabalho", disse o diretor. “Isso dependerá da velocidade de recuperação dos agricultores que alongaram dívidas, da nossa eficiência na cobrança e do estancamento das recuperações judiciais que têm prejudicado o setor agro e as instituições financeiras. Com nossas estratégias, esperamos atingir esse patamar.” 

A CEO Tarciana Medeiros reforçou o discurso. A meta é retomar patamares de rentabilidade vistos antes da crise na carteira rural, mas com disciplina. 

"Nossa ambição para 2026 é um ROE crescente. Trabalhamos para melhorar a qualidade da carteira e observar, nos próximos ciclos, um ROE condizente com nossa capacidade”, disse Medeiros. 

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Onde o Banco do Brasil vai crescer agora? 

Se a rentabilidade é a meta, o caminho passa por mudar o foco. Depois dos tropeços no crédito rural e na carteira corporativa, o BB decidiu recalibrar o crescimento. 

guidance para 2026 indica desaceleração no agronegócio e em empresas, enquanto a expansão deve ganhar força em pessoa física. A estratégia é crescer onde o retorno é mais previsível. 

"Em todas as frentes em que vamos focar para buscar que esse guidance seja entre 6% e 10% na pessoa física, todas estão amparadas em linhas ajustadas ao retorno”, afirmou Medeiros. 

O crédito consignado será uma das principais alavancas para 2026. A meta é atingir 20% de market share no consignado privado e ampliar a liderança no crédito para servidores públicos.  

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Fora do consignado, o banco pretende avançar em clientes com histórico conhecido e relacionamento de longo prazo — a fim de reduzir a probabilidade de surpresas desagradáveis. 

Segundo a CEO, a estratégia será crescer “nos públicos de alto valor potencial para o Banco do Brasil”. O foco inclui não apenas a alta renda, atendida pelo segmento Estilo e pelo Private, mas também um público considerado estratégico: clientes com renda entre R$ 5 mil e R$ 9 mil. 

"É um público de grande potencial que responde por uma parcela importante do nosso resultado. Para 2026, já começamos com a isenção de imposto de renda”, disse Medeiros. 

Linhas com garantias — como crédito com imóvel, previdência ou investimentos como colateral — também estão no radar, reforçando a estratégia de reduzir risco sem abrir mão de margem. 

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É o fim do Bitcoin? O que ninguém está te contando sobre a queda do BTC

A disputa do BB pelo cliente de alta renda 

Na outra ponta, o Banco do Brasil quer fortalecer o vínculo com os clientes mais rentáveis. O discurso interno é de “principalidade”: ser o banco principal do cliente, concentrando relacionamento, cartões e investimentos. 

Parte dessa estratégia passa pela oferta de benefícios. Em maio, o BB inaugura sua primeira sala VIP no Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com acesso ilimitado para clientes de cartões premium

“O nome do jogo hoje é manter esse cliente conosco e oferecer uma experiência que encante”, disse Tobias. “Percebemos que precisávamos avançar mais rápido.” 

O banco também avalia oportunidades em Brasília para ampliar esse tipo de oferta. 

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Foco no agronegócio continua 

Apesar de ter sido o epicentro da deterioração recente, o agronegócio não está fora do plano estratégico do Banco do Brasil. Longe disso. 

“O Banco do Brasil é o banco do agronegócio e assim continuará sendo”, afirmou Medeiros.  

Segundo a CEO, 94% dessa carteira está com as contas em dia, “plenamente adimplente”.  

Para 2026, a previsão é de 230 novas praças no agro, dentro de um reposicionamento estratégico que vem sendo construído após décadas de atuação no setor.  

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A diferença, agora, é o ritmo. Antes, o crescimento era acelerado. Agora, a prioridade é preservar capital, ajustar o mix e recuperar a qualidade dos ativos. 

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