Em recuperação judicial, AgroGalaxy (AGXY3) ‘volta atrás’ e muda o comando; veja quem ocupa as cadeiras de CEO e CFO
Trocas no alto escalão ocorrem menos de dois meses após o conselho reafirmar a atual gestão; conselho e diretoria também passaram por mudanças

Em meio ao processo de recuperação judicial e pouco mais de um mês após reforçar a permanência da atual gestão, a AgroGalaxy (AGXY3) voltou a mexer no alto comando. A companhia anunciou a saída do CEO Eron Martins, do CFO Luiz Conrado Sundfeld e do presidente do conselho de administração, Sebastian Marcos Popik.
Para o lugar deles, o colegiado escolheu Luiz Gabriel Piovezani Silva, até então vice-presidente de Suprimentos, como novo CEO. Ele também acumulará, de forma interina, as funções de CFO e diretor de relações com investidores. Já a presidência do conselho será ocupada por Ruy Flaks Schneider.
É a quarta troca de liderança em menos de três anos na dona de plataformas de varejo e distribuição de insumos agrícolas no Brasil, com vendas de sementes, fertilizantes, defensivos biológicos e serviços digitais para o agro.
O movimento contrasta com o que havia sido decidido pouco mais de um mês antes. Em 17 de dezembro de 2025, o conselho reelegeu por unanimidade Eron como CEO e Luiz Conrado como CFO por mais um ano, com mandato iniciado em 23 de dezembro.
À época, a continuidade foi justificada pela necessidade de dar previsibilidade à execução do plano de recuperação judicial.
A dança das cadeiras na AgroGalaxy
A nova estrutura entra em vigor nesta quinta-feira (5) e foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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Com as mudanças, a diretoria estatutária foi enxugada de quatro para dois executivos. Além do CEO Piovezani Silva, permanece apenas Marcos de Carvalho Ramos, diretor administrativo. O conselho de administração seguiu o mesmo caminho e passou de cinco para três integrantes além de Schneider: Luiz Carlos Passetti e Luiz Arthur Cury e Silva.
Segundo o fato relevante, a reformulação busca “adequar a estrutura ao momento do negócio”, com foco em mais agilidade e eficiência diante dos desafios do setor.
A AgroGalaxy afirmou que os ajustes têm como objetivo reforçar a eficiência operacional, a disciplina financeira e a adequação de custos em um cenário de crédito mais restrito no agronegócio.
Conheça os novos executivos da AgroGalaxy
O novo CEO, Piovezani Silva, é agrônomo formado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com MBA pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).
Ele está na AgroGalaxy há cinco anos e, antes disso, atuou por quase uma década na Bayer, em cargos ligados a vendas, relacionamento com grandes clientes e suporte técnico ao agronegócio.
Já Marcos de Carvalho Ramos é bacharel em Direito e acumula experiência como diretor financeiro e diretor de operações, além de formação em gestão de reestruturação de empresas.
Novo presidente do conselho, Schneider, é engenheiro formado pela PUC-Rio com mestrado em Stanford. Ele presidiu o conselho durante a desestatização da atual Axia Energia (antiga Eletrobras) e já foi conselheiro da Petrobras (PETR4). Atualmente, integra os conselhos da Kepler Weber e da Norte Energia.
O histórico por trás das movimentações
A troca no comando ocorre pouco depois de a companhia suspender as operações da Sementes Campeã, subsidiária em recuperação judicial. A decisão foi aprovada em 13 de janeiro como parte de ajustes estruturais diante das “perspectivas desafiadoras do mercado para 2026”.
Na mesma reunião, três conselheiros renunciaram: Mônica da Cruz Lamas, Tomas Agustin Romero e o próprio Eron Martins, que também ocupava assento no colegiado. Dias depois, veio a reunião que reelegeu tanto Martins, quanto Conrado para os cargos de CEO e CFO.
No mesmo dia, a empresa aprovou ainda a emissão de R$ 213,3 milhões em debêntures, com vencimento em 2035 e carência até dezembro de 2027, para pagamento de fornecedores.
O plano de recuperação judicial, homologado em 30 de maio de 2025, prevê o reperfilamento de R$ 4,6 bilhões em dívidas, com carência de dois a três anos e amortização em até 16 anos. Desde então, a AgroGalaxy reduziu sua rede de 170 lojas para 63 unidades operacionais, além de manter 14 silos e a unidade de sementes.
No terceiro trimestre de 2025 (3T25), a companhia registrou receita líquida de R$ 417,9 milhões, queda de 65,7% na comparação anual. O prejuízo líquido ajustado somou R$ 611,8 milhões, redução de 61,2%.
As despesas operacionais recuaram 69%, para R$ 56 milhões, enquanto o Ebitda ajustado permaneceu negativo em R$ 134,4 milhões, mas com melhora de 89,1%. A empresa também ampliou o uso de barter para 62% das vendas e reduziu a inadimplência.
Com informações Estadão Conteúdo
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