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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SINAL AMARELO

Crise na Oncoclínicas (ONCO3) começa a respingar no crédito: Fitch rebaixa CRIs expostos à empresa

Agência corta notas de papéis emitidos por securitizadora que tem a rede de oncologia como devedora; entenda o rebaixamento

Camille Lima
Camille Lima
3 de março de 2026
17:15 - atualizado às 16:55
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3)
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3). - Imagem: Divulgação

A turbulência na Oncoclínicas (ONCO3) começou a respingar no mercado de crédito — e acendeu um sinal amarelo entre investidores de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). 

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Em meio aos questionamentos sobre a liquidez da rede de tratamentos oncológicos, a Fitch Ratings decidiu agir e cortar ratings de emissões ligadas à empresa. 

Na última segunda-feira (02), a agência rebaixou as notas de crédito de séries de CRIs emitidos pela Opea Securitizadora — papéis que, na prática, estão diretamente atrelados ao risco da Oncoclínicas. 

Hoje, as ações da Oncoclínicas operam em forte queda na bolsa brasileira. Por volta das 16h30, ONCO3 tombava 8,95%, cotada a R$ 2,34. No acumulado de 12 meses, as perdas beiram os 60% na B3.

O que mudou nos ratings dos CRIs da Opea 

A Fitch removeu a observação negativa e rebaixou o rating nacional de longo prazo, de BBBsf(bra) para CCC-sf(bra), da primeira à quarta séries da 232ª emissão de CRIs e da primeira à terceira séries da 54ª emissão de CRIs da Opea. 

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O motivo é que os certificados da Opea dependem da capacidade de pagamento da própria Oncoclínicas. 

Leia Também

Estrutura espelhada: onde está o risco dos CRIs da Opea? 

Isso porque os CRIs espelham debêntures emitidas pela própria Oncoclínicas, que já carrega um rating nacional de longo prazo de CCC-(bra).  

A empresa de tratamentos oncológicos é a devedora dos títulos que lastreiam a operação e, além de pagar juros e principal, também é responsável por recompor os fundos destinados às despesas correntes da estrutura. 

Como as emissões replicam as condições das debêntures — sem descasamentos relevantes de prazo ou fluxo — qualquer evento que afete os títulos corporativos, como amortização antecipada, atraso ou inadimplência, terá reflexo idêntico nos CRIs. 

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Em outras palavras, não há colchão estrutural relevante que separe o risco do CRI do risco da companhia. Se a saúde financeira da Oncoclínicas se deteriora, o impacto é automaticamente refletido nos certificados. 

Isso significa que o risco da transação está integralmente ancorado na capacidade de pagamento da companhia.  

Uma nova deterioração da qualidade de crédito da Oncoclínicas levaria a novos rebaixamentos. Da mesma forma, eventual melhora estrutural poderia sustentar revisões positivas no futuro. 

Oncoclínicas (ONCO3): liquidez sob pressão 

Segundo a Fitch, o rebaixamento do rating reflete o aumento das preocupações dos analistas com a liquidez da Oncoclínicas (ONCO3).  

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A agência cita a combinação de caixa reduzido e elevada concentração de vencimentos de dívida no curto prazo como fatores centrais para a decisão. 

“A manutenção de fluxos de caixa das operações negativos e de alta alavancagem restringem ainda mais a flexibilidade financeira da companhia, elevando a probabilidade de a empresa buscar alternativas de financiamento que impliquem em potencial piora de termos para os credores”, avalia a Fitch.  

A Oncoclínicas deve divulgar o balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) no dia 30 de março, após o fechamento dos mercados. 

A previsão da Fitch é que a companhia encerre 2025 com saldo de caixa inferior a R$ 100 milhões, excluindo aplicações no Banco Master, com alavancagem líquida em torno de 6 vezes.

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Para a Fitch, a liquidez da Oncoclínicas é insuficiente e sua alavancagem, elevada. Isso limita as alternativas de refinanciamento da companhia e aumenta a probabilidade de uma restruturação da dívida no curto prazo.

É verdade que a capitalização realizada em novembro de 2025, de R$ 1,4 bilhão por meio da conversão de dívidas, aliviou temporariamente a pressão sobre a estrutura de capital da empresa. Porém, para os analistas, a operação não eliminou os riscos de refinanciamento, dada a concentração de vencimentos relevantes de dívida no curto prazo e da geração de caixa ainda pressionada.

Para o curto prazo, a agência não enxerga espaço para uma melhora relevante do perfil financeiro por meio do desempenho operacional da companhia.  

A expectativa dos analistas é que qualquer recuperação que venha a acontecer na Oncoclínicas ocorra de maneira gradual ao longo dos próximos anos. 

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“A Oncoclínicas permanece com o importante desafio de recuperar sua rentabilidade e sua geração de caixa no médio prazo”, diz a agência. 

Disputa com o BRB

Mais cedo nesta terça-feira, a Oncoclínicas informou que conseguiu uma liminar na Justiça contra o Banco de Brasília (BRB).

Na prática, a empresa conseguiu impedir, ao menos temporariamente, o BRB de alterar a gestão ou a governança dos os fundos detentores (FIPs) de ações da empresa.

A tutela antecipada em caráter antecedente também barra o banco de dispor das cotas ou dos ativos dos FIPs, mantendo as ações da Oncoclínicas “congeladas” dentro dessas estruturas.

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Após a incorporação de carteiras do Banco Master, o BRB acabou com uma participação de 8,68% na Oncoclínicas, segundo o site de relações com investidores da companhia.

Você confere aqui os detalhes da queda de braço entre a Oncoclínicas e o BRB.

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