Cosan (CSAN3) pode subir até 84%? XP vê espaço para rali se Rubens Ometto conseguir destravar o ‘valor escondido’ na holding
Com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 4,60, corretora vê opcionalidades em ativos que ainda não aparecem totalmente no preço das ações CSAN3

A XP Investimentos voltou a colocar a Cosan (CSAN3) no radar de compra. Após um período sem cobertura, a corretora retomou a recomendação para as ações da holding de Rubens Ometto.
Na visão da corretora, há espaço para valorização, mesmo diante de uma estrutura ainda marcada por dívida elevada, juros altos e ativos de naturezas muito diferentes sob o mesmo guarda-chuva.
O preço-alvo definido para o fim de 2026 é de R$ 4,60 por ação. No cenário mais favorável, contudo, a estimativa sobe para R$ 6,90 — o que representaria um potencial de alta de até 84% em relação às cotações consideradas no relatório.
Para a XP, a oportunidade não está em uma nova grande aquisição ou em uma virada imediata dos negócios. Ela passa por uma agenda de execução: reduzir a dívida, cortar despesas corporativas, simplificar a estrutura e tornar mais evidente para o mercado o valor de ativos.
O caminho, porém, não é trivial. Os juros elevados continuam pressionando o custo financeiro da holding e as subsidiárias ainda enfrentam desafios próprios no radar.
Ainda assim, os analistas avaliam que a relação entre risco e retorno melhorou com a nova fase de simplificação e disciplina financeira da Cosan.
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A nova prioridade da Cosan: simplificar a estrutura e reduzir a dívida
Segundo a XP, as taxas de juros elevadas desencadearam um processo de otimização da estrutura de capital do conglomerado Cosan.
A companhia já realizou uma injeção de capital de aproximadamente R$ 10,5 bilhões e, agora, deve concentrar esforços em reduzir despesas corporativas e monetizar ativos.
A estratégia é simples na teoria, mas complexa na execução: fazer com que a holding pese menos sobre as empresas operacionais e permitir que o mercado enxergue com mais clareza o valor de cada uma delas.
Para a XP, os dois ativos que mais importam hoje para a tese são Compass (PASS3) e Rumo (RAIL3).
Compass e Rumo: as principais engrenagens da tese de Cosan
A Compass (PASS3), divisão de gás natural da Cosan recém-chegada à bolsa, é vista pela XP como uma das joias do portfólio.
A empresa reúne ativos de distribuição em regiões economicamente relevantes do país e combina receitas mais previsíveis com oportunidades de crescimento em comercialização de gás, especialmente por meio da plataforma Edge.
A Rumo (RAIL3), por sua vez, representa a exposição da Cosan à infraestrutura logística e ao agronegócio.
Mesmo após revisões recentes para baixo nas projeções de Ebitda, a XP mantém uma visão construtiva sobre a companhia, apoiada na demanda resiliente do corredor Norte e na relevância da ferrovia para o escoamento da produção agrícola brasileira.
Pelos cálculos da corretora, uma valorização de 10% nas ações da Compass poderia adicionar cerca de 7% ao valor da Cosan. No caso da Rumo, uma alta equivalente teria impacto de aproximadamente 4% sobre CSAN3.
Em outras palavras, grande parte do potencial da holding continua ligada à capacidade de seus principais ativos entregarem resultados — mas a tese também depende de a Cosan reduzir o peso de sua própria estrutura.
O desconto de holding já não é a grande barganha da tese
Tradicionalmente, holdings negociam com desconto em relação à soma do valor de seus ativos. O mercado aplica esse abatimento para compensar fatores como despesas corporativas, dívida, menor liquidez e incerteza sobre a alocação de capital.
No caso da Cosan, esse desconto está hoje em torno de 7% em relação ao valor de mercado de seus ativos listados. É um patamar abaixo da média de 23% observada nos últimos doze meses.
Para a XP, isso muda o foco da discussão. A tese não está mais em comprar CSAN3 apenas esperando que o desconto de holding desapareça.
“Não acreditamos que comprar ações da Cosan esperando que o desconto de holding diminua seja uma tese de investimento particularmente atraente nos níveis atuais”, afirmam os analistas.
O que torna a ação interessante, segundo a corretora, são as chamadas opcionalidades — ativos e eventos que ainda não aparecem de forma tão evidente na avaliação de mercado.
Entre eles estão a Moove, empresa de lubrificantes com presença internacional, e a Radar, plataforma de terras agrícolas. Como esses ativos não são listados em bolsa, o investidor que compra ações da Cosan ganha exposição indireta a eles.
A possibilidade de monetização, venda de participações, reorganizações societárias ou melhora operacional nesses negócios pode gerar valor adicional para a holding, ainda que a XP não trate esses eventos como garantidos.
O que precisaria acontecer para a Cosan saltar até 84%
No cenário-base da XP, o preço-alvo de R$ 4,60 considera um desconto de holding de 20%, Compass e Rumo negociando nos preços-alvo estimados pela corretora e a Raízen avaliada por múltiplos de mercado.
No cenário otimista, a projeção sobe para R$ 6,90 por ação — uma alta potencial de 84%.
Para isso, seria necessário um conjunto de condições mais favoráveis: redução expressiva da dívida líquida, eliminação das despesas da holding e desaparecimento do desconto aplicado pelo mercado à estrutura da Cosan.
É um cenário exigente, mas ajuda a mostrar onde está a assimetria apontada pela XP.
Se a companhia conseguir executar a agenda de simplificação e reduzir o peso financeiro da holding, o mercado poderia reavaliar não apenas os ativos, mas também a capacidade do grupo de transformar essa carteira em retorno para o acionista.
Já no cenário pessimista, a XP estima preço de R$ 2,60 por ação, o que representaria uma queda de 31%.
Nesse caso, os ativos seriam avaliados a preços de mercado, a Raízen e o Porto de São Luís teriam valor zero na soma das partes e a holding continuaria negociando com desconto de 20%.
Os riscos que ainda pesam sobre CSAN3
A recomendação de compra não significa que a XP veja um caminho livre de obstáculos para a Cosan.
O principal risco segue sendo o nível dos juros. Uma holding alavancada sofre mais quando o custo do dinheiro permanece elevado, porque o serviço da dívida consome caixa e reduz a flexibilidade para investimentos, dividendos ou novas movimentações estratégicas.
Também há riscos específicos dentro do portfólio. A Compas ainda enfrenta potenciais revisões tarifárias potencialmente adversas, enquanto a Rumo lida com pressões sobre fretes e com revisões nas expectativas de resultados.
Além disso, a execução da estratégia de simplificação será determinante. Desinvestimentos podem ajudar a reduzir a dívida e destravar valor, mas também dependem de condições de mercado, preços adequados e interesse de potenciais compradores.
Conteúdo Empiricus
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