Braskem (BRKM5) desaba mais de 14% na bolsa após nova reviravolta em Maceió; o que está por trás do tombo da ação?
Justiça aceita denúncia do MPF e adiciona mais pressão à petroquímica, que já enfrenta problemas financeiros relevantes

As ações da Braskem (BRKM5) sofreram um novo choque nesta terça-feira (16). Em um pregão já marcado por cautela nos mercados, os papéis da petroquímica chegaram a despencar quase 15%, assumindo com folga a liderança das maiores quedas do Ibovespa nesta tarde.
Por volta das 13h55, BRKM5 recuava 14,70%, negociada a R$ 7,95, refletindo uma combinação de fatores que voltou a colocar a companhia sob pressão.
O gatilho mais imediato veio de Alagoas. A Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou a Braskem ré por crimes ambientais relacionados ao caso do afundamento do solo em Maceió.
A decisão, revelada pelo Valor Econômico e pelo UOL, também alcança 13 pessoas ligadas à companhia e quatro agentes do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas.
- Leia também: Depois de Braskem (BRKM5), IG4 tem novo alvo: gestora quer comprar dívidas da Raízen (RAIZ4), diz agência
As acusações incluem poluição ambiental agravada, elaboração de estudos ambientais supostamente falsos ou enganosos, extração mineral irregular e dano ao patrimônio público.
Em nota ao Seu Dinheiro, a Braskem reiterou “seu compromisso com a sociedade alagoana, assim como o respeito e solidariedade para com os moradores afetados”.
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Veja o posicionamento na íntegra:
“A Braskem reitera seu compromisso com a sociedade alagoana, assim como o respeito e solidariedade para com os moradores afetados.
A empresa se pronunciará oportunamente nos autos do processo e ressalta que, desde o início das apurações, contribuiu, assim como seus integrantes, com as informações e esclarecimentos solicitados.
A Braskem sempre atuou em conformidade com as leis e regulações do setor, informando e prestando contas regularmente às autoridades competentes.
Seguiremos empenhados no cumprimento de todos os compromissos assumidos.”
Vale lembrar que o caso de Maceió já consumiu cifras bilionárias. Até agora, a petroquímica provisionou cerca de R$ 20 bilhões em seu balanço para cobrir os impactos do desastre geológico que veio à tona entre 2018 e 2019.
Apesar disso, o mercado não vê, neste momento, risco relevante de uma conta muito superior à já reconhecida. Na avaliação do Bradesco BBI, um desembolso adicional material acima das provisões existentes “parece improvável”.
Mas o noticiário jurídico não é o único peso sobre as ações. A Braskem também enfrenta um momento delicado para o setor petroquímico global, além de continuar sob escrutínio por conta de sua situação financeira e das discussões envolvendo uma possível reestruturação das dívidas.
Fim da guerra traz nova dor de cabeça para a Braskem
Se o processo em Alagoas adiciona mais uma camada de incerteza jurídica, o cenário operacional também não ajuda.
De acordo com a ICIS, plataforma global especializada em inteligência para commodities, o acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã tende a pressionar os preços dos produtos petroquímicos na Ásia em um momento de demanda ainda enfraquecida.
A explicação passa pela reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo bruto e nafta para os mercados asiáticos.
"A previsão é de que o fornecimento de matéria-prima para etileno (C2) se recupere no restante de junho e nos próximos meses, com a reabertura do Estreito de Ormuz – por onde fluem principalmente petróleo bruto e nafta para a Ásia – antes de julho", afirmou Amy Yu, analista sênior da ICIS.
Segundo a consultoria, a normalização da oferta deve aumentar a pressão sobre os preços dos petroquímicos e reduzir as margens dos produtores.
Para os analistas, o mercado pode enfrentar um período adicional de volatilidade até que o movimento de preços das matérias-primas seja repassado para a cadeia química, o que tende a pressionar as receitas de empresas como a Braskem.
Pressão financeira segue no radar
A reação de BRKM5 desta terça-feira também acontece em um momento em que os investidores continuam monitorando de perto a situação financeira da Braskem.
Além das margens comprimidas da indústria petroquímica global, a Braskem ainda convive com os efeitos financeiros do caso de Maceió e com um calendário relevante de vencimentos de dívida.
Ao fim do primeiro trimestre de 2026, a companhia possuía cerca de US$ 1,06 bilhão em caixa, mas enfrenta aproximadamente US$ 1,46 bilhão em obrigações com vencimento ainda neste ano.
A situação ganhou novos contornos nas últimas semanas, após notícias de que a empresa estaria avaliando alternativas para reorganizar seu passivo financeiro e buscando apoio de credores para uma eventual reestruturação extrajudicial.
Sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, já está negociando separadamente o processo de entrada em recuperação judicial nos Estados Unidos (o chamado Chapter 11).
Segundo o Valor Econômico, uma das possibilidades analisadas envolveria o adiamento de aproximadamente US$ 150 milhões em pagamentos de juros de bonds com vencimentos a partir de julho.
As informações aumentaram as preocupações do mercado sobre uma eventual reestruturação financeira da companhia e ajudaram a pressionar ainda mais as ações. Apenas em junho, BRKM5 acumula perdas próximas de 24%.
Em resposta aos rumores, a Braskem informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que ainda não tomou qualquer decisão formal sobre uma eventual reestruturação de dívida.
A empresa confirmou, porém, que desde setembro de 2025 trabalha com assessores financeiros e jurídicos especializados para avaliar alternativas de otimização de sua estrutura de capital.
Segundo a companhia, as discussões envolvem diferentes possibilidades — desde reprogramações de obrigações financeiras até mecanismos de proteção contra credores.
Por enquanto, contudo, a petroquímica afirma que nenhuma medida foi formalmente aprovada.
*Com informações do Money Times.
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