A preocupação que ronda o balanço de hoje da Vale (VALE3), após mineradora entregar o melhor segundo trimestre desde 2018
Produção forte e preços resilientes levaram bancos a revisar para cima as projeções para a Vale, mas a evolução dos custos pode limitar os ganhos da mineradora no segundo trimestre

Depois da Vale (VALE3) entregar o melhor segundo trimestre desde 2018, o mercado ficou mais animado para o balanço da mineradora, que será divulgado após o encerramento do pregão da B3 desta quinta-feira (30).
Na esteira da divulgação dos dados de produção, na última semana, vários grandes bancos revisaram para cima as expectativas para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia, já que os números vieram ligeiramente melhores ao que era esperado.
O movimento reflete uma combinação de fatores. O primeiro deles é a produção sólida de minério de ferro — a maior para o período nos últimos oito anos. Outro fator que agradou foi o forte desempenho do cobre, na divisão de metais básicos, que tem sido vista como a principal alavanca de crescimento para a companhia.
Além disso, os preços realizados de minério de ferro, pelotas e cobre vieram em linha ou ligeiramente acima das expectativas dos analistas, beneficiados por ajustes de qualidade mais favoráveis, prêmios maiores no caso das pelotas e condições comerciais melhores para o cobre.
No entanto, há uma preocupação
A principal incógnita para o balanço, na visão de parte do mercado, é a evolução dos custos.
Na avaliação do BTG Pactual, o segundo trimestre deve refletir pressões de curto prazo provocadas por fatores externos, como a alta do diesel graças ao conflito no Oriente Médio, os efeitos da variação cambial e as paradas programadas para manutenção de algumas operações.
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Esses fatores tendem a elevar o custo por tonelada produzida e podem limitar parte do ganho proporcionado pelos maiores volumes e pelos preços realizados mais fortes.
Em outras palavras, mesmo vendendo mais minério e obtendo preços melhores, a Vale pode ver parte desse ganho ser consumida pelo aumento das despesas para produzir e transportar seus produtos.
Apesar disso, o BTG ressalta que essas pressões têm caráter pontual e não refletem uma deterioração dos fundamentos da companhia.
A avaliação é de que a Vale continua apresentando uma execução operacional consistente, com disciplina na alocação de capital, cumprimento do guidance e avanços na divisão de metais básicos, especialmente no cobre.
Por isso, a atenção do mercado estará voltada para a magnitude da pressão de custos e para as sinalizações da administração sobre a trajetória das despesas ao longo do restante do ano.
Veja abaixo as expectativas de mercado para o balanço, segundo o compilado da Bloomberg:
| Indicador | Em dólares (US$ bilhões) | Variação anual | Variação trimestral | Em reais (R$ bilhões) | Variação anual | Variação trimestral |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | US$ 10,47 | +19% | +13% | R$ 53,44 | +7,3% | +9,7% |
| Ebitda | US$ 3,83 | +11,8% | -1,6% | R$ 19,53 | +0,8% | -4,4% |
| Lucro líquido | US$ 1,95 | -7,5% | +3,3% | R$ 9,98 | -18,5% | -2% |
Revisão das projeções para o balanço
Após a prévia operacional, os bancos revisaram as estimativas para a Vale. O Itaú BBA subiu em 5,5% a projeção para o Ebitda proforma, para US$ 3,83 bilhões, destacando o resultado do segmento de cobre e a resiliência dos preços realizados do minério de ferro, com os preços de finos praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior e os preços mais altos das pelotas.
O Safra, por sua vez, enxerga que essa linha do balanço deve ficar em US$ 3,9 bilhões, ante US$ 3,8 bilhões previstos antes da divulgação da prévia operacional.
A XP também aumentou em 5% a expectativa para o Ebitda ajustado, para US$ 3,9 bilhões, além de aumentar as projeções para receita líquida e lucro líquido em 3% e 8%, respectivamente, para US$ 10,5 bilhões e US$ 1,7 bilhão.
O Bank of America (BofA) manteve a estimativa de US$ 3,9 bilhões no Ebitda inalterada, mas apontou para a possibilidade dessa linha do balanço chegar a US$ 4,1 bilhões, graças aos números do relatório de produção da Vale.
Segundo o time de análise, tudo vai depender de como ficaram os custos. O Citi manteve as projeções para o Ebitda inalteradas em US$ 3,8 bilhões.
O que fazer com as ações?
Apesar de ter revisado para cima as expectativas, a XP manteve a recomendação neutra para o papel. Na avaliação dos analistas, o atual nível de valuation e as pressões sobre os custos ainda limitam um potencial maior de valorização.
Por outro lado, os fundamentos mais sólidos do mercado de cobre e a recuperação dos preços dos metais devem continuar sustentando os papéis nos níveis atuais. O Safra também tem recomendação neutra.
Já os demais bancos recomendam a compra do papel. Segundo os analistas, os embarques robustos, os preços realizados resilientes do minério de ferro e o avanço do cobre sustentam uma perspectiva positiva para os resultados da companhia.
Apesar das pressões de custos no curto prazo, os bancos avaliam que a empresa continua bem-posicionada, combina fundamentos sólidos com uma avaliação atrativa.
A produção da Vale
A Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho, alta de 1% na comparação anual e o melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
A divisão de metais básicos também voltou a se destacar. A produção de cobre alcançou 98,4 mil toneladas, o melhor resultado para um segundo trimestre desde 2017, enquanto os embarques cresceram 10% em relação ao mesmo período do ano passado e superaram as estimativas de parte dos analistas.
Outro ponto que agradou ao mercado foi o de preços realizados. A Vale vendeu o minério de ferro por um valor médio de US$ 95 por tonelada, alta de 11,6% na comparação anual e acima das projeções de bancos como BTG Pactual e Safra, beneficiada por ajustes de qualidade mais favoráveis.
As pelotas, produto de maior valor agregado, foram comercializadas por US$ 137 por tonelada, avanço de 2,2% em relação ao segundo trimestre do ano passado, impulsionado por prêmios mais elevados.
Já o cobre foi vendido, em média, por US$ 14.062 por tonelada, superando as estimativas graças a menores custos de tratamento e refino cobrados pelas fundições e a ajustes comerciais mais favoráveis.
Nesta reportagem do Seu Dinheiro, você pode conferir em detalhes os dados de produção da Vale.
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