Com resultado decepcionante do Santander (SANB11) e pessimismo do CFO, JP Morgan corta recomendação
Os analistas acreditam que a recuperação do banco deve demorar a aparecer nos resultados e preferem acompanhar a tese com uma distância segura

Qualquer pessoa já passou por aquela sensação de viver uma situação negativa e, no dia seguinte, lidar com a frustração de que não foi só um pesadelo. O Santander (SANB11) vive uma experiência semelhante nesta quinta-feira (30). Depois de apresentar um resultado que decepcionou o mercado, colocando os ativos entre as maiores quedas do Ibovespa, o JP Morgan agora corta a recomendação dos papéis.
Antes mesmo da abertura do pregão da última quarta (29), os investidores do Santander receberam um balde de água fria. O primeiro grande banco a abrir os números do segundo trimestre entregou um balanço abaixo das expectativas.
O resultado fraco, somado a uma teleconferência pessimista, levou os analistas do JP Morgan a reverem a tese e rebaixarem a recomendação de compra da ação SANB11 para neutro.
Para recapitular: o Santander encerrou o trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 3,01 bilhões, um tombo de 17,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 20,4% frente aos três primeiros meses do ano. O consenso da Bloomberg previa um lucro médio de R$ 3,487 bilhões.
A rentabilidade do Santander também decepcionou no trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 12,5%, abaixo da expectativa de 14,5% e da taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
Por que o JP Morgan prefere olhar a história de fora?
Na visão do JP Morgan, dois fatores foram as piores surpresas negativas no balanço: as provisões mais elevadas e a margem financeira (NII) mais fraca.
Leia Também
O aumento das provisões já estava no radar do mercado, mas o trimestre ainda foi impactado por uma provisão trabalhista considerada não recorrente, de R$ 291 milhões.
As provisões mais elevadas nesse trimestre não foram exatamente o maior problema porque já eram parcialmente esperadas. Para o JP Morgan, a preocupação é daqui para frente.
Segundo os analistas, o Santander pode aumentar o provisionamento devido a atualizações nos modelos de risco do banco e um cenário macroeconômico ainda desafiador em 2027, o que indica que a recuperação da rentabilidade deve ficar para depois do esperado.
O próprio CFO, Carlos Muñiz, comentou sobre essa expectativa na teleconferência de resultados realizada após a divulgação do balanço.
Durante a transmissão, o executivo chegou a afirmar que não está otimista sobre o cenário do Santander. Para ele, os números do banco devem começar a melhorar somente em 2027.
E foi justamente essa expectativa de recuperação de lucros mais gradual que levantou um sinal de alerta para o JP Morgan.
Outro fator que decepcionou os analistas foi a margem financeira. Para o banco norte-americano, o principal ponto negativo do trimestre foi a receita líquida de juros, especialmente a margem com clientes — um indicador considerado fundamental para as projeções futuras de lucro.
Na visão da equipe de análise, a estratégia de redução de risco da carteira do Santander deve continuar afetando a geração de receitas.
E o CFO também reforçou essa visão na conversa com o mercado na última quarta. Na ocasião, Muñiz deixou claro que a qualidade da carteira de crédito passou a ser a prioridade absoluta da operação brasileira, mesmo que isso signifique abrir mão de crescimento no curto prazo.
Para os analistas, a decisão do Santander de tornar a originação de crédito mais seletiva é correta do ponto de vista estratégico, mas traz custos no curto prazo.
O banco vem reduzindo exposição a segmentos considerados mais arriscados, como clientes de baixa renda, agronegócio e pequenas e médias empresas (PMEs).
Embora essa decisão possa resultar em uma carteira mais saudável no longo prazo, tende a pressionar o crescimento da carteira nos próximos trimestres.
Expectativa menor para os lucros
Com esse cenário mais difícil, o JP Morgan defende que prefere assistir a história de fora e revisou para baixo as projeções de lucro do Santander.
As estimativas para 2026 e 2027 foram reduzidas em 13% e ficam abaixo do consenso da Bloomberg.
A expectativa agora é que o Santander apresente lucro de R$ 13,8 bilhões em 2026, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) próximo de 14%, e de R$ 15,8 bilhões em 2027, com ROE em torno de 15%.
O ROE acima de 20%, visto pelo Santander como um sonho de longo prazo, parece cada vez mais distante, na visão do JP Morgan.
“Em nosso modelo, projetamos agora uma recuperação da rentabilidade mais lenta, com o ROE retornando a cerca de 17% apenas em 2028”, afirmam os analistas.
Além do corte de recomendação, o banco norte-americano reduziu o preço-alvo de R$ 36 para R$ 30. Em relação ao preço do último fechamento (29), o espaço para valorização é de 17%.
Só na última quarta, as units do Santander registraram uma queda de 7,3% e, nesta quinta, tem uma desvalorização mais contida, de 0,86% às 12h45.
Em 2026, o acumulado chega a uma perda de mais de 21%. Apenas como referência, no ano, o Ibovespa sobe 9,2%.
NOVA FRONTEIRA
Revolut prepara ofensiva de US$ 1 bilhão na América Latina: o plano da fintech para crescer no Brasil e conquistar novos mercados
6 de novembro de 2026 - 6:33VAI PINGAR
Dividendos e JCPs: Sabesp (SBSP3) vai depositar R$ 2,6 bilhões — e ainda dá para aproveitar
5 de novembro de 2026 - 19:58BALANÇO 3T26
Fleury (FLRY3): Lucro cresce 42,9% no 3T26 e bate expectativa; CEO detalha planos para sustentar o crescimento
5 de novembro de 2026 - 18:11SD ENTREVISTA
“A arte está em saber quem merece crédito”: o recado do ABC Brasil (ABCB4) para empresas em meio à pressão dos juros
5 de novembro de 2026 - 16:31É DINHEIRO OU NÃO É?
Após OPA da Helbor (HBOR3), HBR Realty (HBRE3) vende ativos a FII por quase R$ 1 bilhão; ações sobem 6%
5 de novembro de 2026 - 14:18ENTROU EM PROMOÇÃO?
Ações com desconto? Queda de 9% é oportunidade para Méliuz (CASH3) após balanço, segundo dois bancões; entenda
5 de novembro de 2026 - 14:18EMPRESAS
Cosan (CSAN3) está barata demais? UBS-BB vê oportunidade após tombo de 40% e aponta o que pode destravar valor
5 de novembro de 2026 - 13:58O QUE AGRADOU?
Ação da C&A (CEAB3) dispara até 10% após trimestre melhor do que o temido pelo mercado; veja os destaques
5 de novembro de 2026 - 13:25ONDE INVESTIR NO VAREJO?
Juros mais altos por mais tempo: Citi rebaixa Magazine Luiza (MGLU3), eleva Alpargatas (ALPA4) e muda apostas no varejo
4 de novembro de 2026 - 14:45AMBIÇÃO RENOVADA
Revolut chega a US$ 115 bilhões e já vale mais que o dobro do Nubank; o que está por trás da aposta dos investidores
4 de novembro de 2026 - 12:35CENÁRIO MAIS APERTADO
“É preciso ser realista”: CEO do Itaú (ITUB4) revela como o banco pretende equilibrar crédito e rentabilidade em 2027
4 de novembro de 2026 - 11:56MAIS UMA PARA A LISTA
Aeris (AERI3) recorre à recuperação extrajudicial para lidar com dívida de R$ 1,52 bilhão
4 de novembro de 2026 - 10:06PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
Nem na crise de 2016 o Bradesco (BBDC4) ficou tão barato: o que o Morgan Stanley está vendo após o tombo de quase 40% desde as eleições
4 de novembro de 2026 - 8:56RESULTADO
Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
3 de novembro de 2026 - 18:37CAIU DEMAIS?
Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho; saiba o potencial da ação
3 de novembro de 2026 - 17:47PRÉVIA DO BALANÇO
Após decepção dos rivais no 3T26, é a vez de o Itaú (ITUB4) mostrar por que joga em outra liga; veja o que esperar do balanço
3 de novembro de 2026 - 6:02ALÔ, É UM SER HUMANO?
Fim da secretária eletrônica? Empresas terão de oferecer atendimento humano obrigatório no SAC; veja o que muda
2 de novembro de 2026 - 14:00O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa
1 de novembro de 2026 - 10:35TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
31 de outubro de 2026 - 16:11REESTRUTURAÇÃO